Portadores do mal de Parkinson em São Paulo contam com transplante que minimiza sintomas da doença

Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo oferece procedimento pouco invasivo que recupera coordenação motora dos pacientes

por Agência Brasil 13/09/2014 18:31

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Há cerca de cinco anos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), portadores do mal de Parkinson atendidos no Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo, contam com um tipo de procedimento minimamente invasivo, que recupera a coordenação motora a partir do momento em que é finalizada a cirurgia.

O hospital é referência na América Latina nesse tipo de tratamento e desde 2008 conseguiu zerar a fila de pacientes com indicação para o transplante. “Nós tínhamos uma quantidade grande de doentes e fomos operando e temos poucos aguardando. O tempo da cirurgia é o de seleção e preparo com os exames pré-operatórios”, disse o neurocirurgião, responsável pela Unidade de Cirurgia dos Transtornos do Movimento do Hospital Zerbini, José Osvaldo de Oliveira.

A operação consiste no implante de um eletrodo no cérebro, que controla os movimentos involuntários resultantes da doença, além de prolongar a vida do portador. O paciente fica acordado durante o procedimento, com anestesia local. Uma pequena incisão é feita no crânio por onde se acessa o cérebro com uma sonda de 1 milímetro.

“Ao longo do tempo foram agregados vários conhecimentos. A equipe tem experiência de quase 30 anos nesse tipo de cirurgia. Atualmente temos feito menos lesão porque podemos fazer o implante do eletrodo”.

O eletrodo é controlado por um marca-passo que fica abaixo da pele na região da clavícula. A cada quatro a seis anos é preciso trocar a bateria do equipamento, gratuitamente, no Hospital de Transplantes. Se fosse feito na rede particular o custo de todo o processo chegaria a R$ 150 mil.

De acordo com o neurocirurgião, o tratamento é indicado para 10% a 15% dos parkinsonianos. A avaliação é feita a partir de exames e questionários específicos. Entre as principais considerações estão idade, ausência de demência, mínimo de cinco anos com o diagnóstico da doença, nível de incômodos, entre outros itens.

“No início da doença esses pacientes obtêm melhora com tratamento conservador, ou seja, medicação e tratamento multiprofissional. A partir do quinto ano da doença eles começam a ter efeitos colaterais com a medicação ou redução dos efeitos benéficos desse remédio”, explicou o médico.

Segundo o neurocirurgião, entre os resultados da cirurgia estão a redução do medicamento, a obtenção de benefícios que a medicação não vinha proporcionando e uso dos remédios com menos efeitos colaterais. “Temos casos que melhoraram e puderam tomar menos remédios e outros que não tomaram mais. Há ainda aqueles que reduziram os sinais”.

Oliveira explicou que o mal de Parkinson é uma doença degenerativa, que se desenvolve lentamente quando acontece uma deficiência de dopamina, que é um neurotransmissor responsável pelos movimentos voluntários do corpo. A doença não tem cura. “O tratamento é sintomático, não é de cura. Melhora a qualidade de vida e os sintomas principais como os tremores, a rigidez muscular a falta ou lentidão do movimento, o equilíbrio de postura e o volume e ritmo da fala”.

Além dos sintomas comuns à doença o procedimento melhora os sintomas causados pela medicação, como os movimentos involuntários causados pelo uso dessas substâncias.

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