Iyengar yoga: ensinamentos continuam sendo transmitidos mesmo após a morte do criador; conheça a técnica

Vertente terapêutica e acessível da milenar tradição hindu é uma oportunidade para promover o encontro do corpo com a mente

por Revista do CB 04/09/2014 15:30

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Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Uma das principais características da Iyengar yoga é o uso de acessórios, como faixas, mantas e tijolinhos (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Quando se fala em yoga, logo se imagina posições dificílimas, relaxamento e autocontrole. Poucos sabem, porém, de onde os ensinamentos vieram. Um dos responsáveis por aprimorar técnicas de ioga foi Yogacharya BKS Iyengar, falecido este mês em Pune, Índia. O legado, porém, continuará: para garantir que a Iyengar yoga continue sendo transmitida de modo fiel, ele criou diversas associações pelo mundo. Deborah Weinberg é presidente da Associação Brasileira de Iyengar Yoga (ABIY) e explica que o objetivo das entidades é formar professores capacitados. “O que o incomodava eram pessoas que faziam qualquer outra coisa e diziam que era Iyengar yoga”, frisa.

O nome do método surgiu a partir da popularização do guru: cada vez mais, as pessoas se interessavam em aprender a “yoga do Iyengar”. “Ele nunca quis inventar um método. Foi descobrindo coisas, formas de praticar”, completa Weinberg. As posturas difíceis estão lá, mas todas com embasamento quase científico, voltadas para a cura e a correção postural. Acessórios como fitas elásticas, cordas, almofadas e blocos são um diferencial em relação a outras abordagens. A ideia é que a prática seja inclusiva: com as ferramentas, não há restrições de peso ou idade que impeçam a execução dos movimentos.


Outro diferencial é o foco em alinhamento e precisão, o que aumenta a capacidade do aluno de permanecer na mesma postura por muito tempo. “Ele tinha uma mente muito científica e praticava intensamente a ioga”, completa Deborah Weinberg. “Ele entendeu como alinhar cada osso, como tornar as posturas mais fortes, revigorantes.” Luceni Bortolato, fisioterapeuta e professora de Iyengar yoga, ressalta que a prática meditativa a partir dos movimentos também é algo característico da modalidade. “Esta ioga é muito terapêutica. Muitos dos que a procuram já tentaram meditar e não conseguiram, porque o corpo incomoda.”

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Alexandre Rocha encontrou o equilíbrio com ajuda da prática (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Articulações, musculatura, ligamentos e até mesmo órgãos internos são afetados pelos movimentos da Iyengar yoga. Contudo, para alcançar o verdadeiro estado meditativo, é preciso pelejar. Além das aulas, deve-se praticar os ensinamentos em casa, diariamente. “Sempre digo que a verdadeira ioga é quando você estica seu tapete, sozinho, e pratica”, ensina Bortolato. “É aí que você vê que, quando começa a praticar, a mente ‘foge’. É preciso aprender a resgatar a mente sozinho para depois descobrir o corpo.” Nas palavras do próprio Iyengar, a prática, para ter algum efeito, precisa ser “perseverante e prolongada”.

Tornar-se um instrutor é um longo caminho. São anos de treinamento ministrado pela ABIY, e o candidato precisa passar por uma prova. A instrutora de ioga Katia Gontijo, 51 anos, estuda há três anos para poder ensinar a Iyengar. A modalidade foi amor à primeira vista. Desde a primeira vez que a praticou, há 14 anos, não parou mais. “Vendi tudo o que tinha para me mudar para São Paulo e fazer o curso de formação”, completa. Além de todos os móveis, roupas e sapatos que tinha, Katia abriu mão de sua escola de balé para mudar de cidade e de profissão.

Em São Paulo, Katia fez parte de um dos primeiros grupos de formação do Brasil. À época, a modalidade ainda era desconhecida por aqui. Ela completou o curso e também se iniciou em outras modalidades da ioga. Desde então, suas atenções e energias estão totalmente voltadas para o aprofundamento na Iyengar yoga. “É um trabalho terapêutico muito forte e traz também questões de autoconhecimento.”

O método também mudou a vida de Alexandre Rocha, 47 anos. Há décadas, o radialista sofre de depressão. “Já fiz todas as formas de tratamento possíveis, inclusive psiquiátricos”, conta. Os remédios para controlar o humor tiveram como efeito colateral o ganho de peso. Para completar, os médicos avisaram que a depressão de Alexandre era refratária, ou seja, não responde a medicamentos. Há três anos, ele interrompeu os rémedios e mergulhou na ioga. “Comecei a fazer e me apaixonei perdidamente”, relembra. O processo de cura, como define Alexandre, começou no momento em que pisou na sala de aula. “Passei a dormir e a respirar melhor, a ter uma autopercepção maior. Nunca mais precisei de ansiolíticos ou soníferos. Os antidepressivos não me fazem mais falta.”

Embora não tenha um efeito de perda calórica significativo, a melhor percepção de si mesmo ajudou Alexandre a perder peso. “Foi uma consequência. Comecei a me cuidar melhor, a elencar coisas boas na minha vida e a me alimentar melhor.” Até agora, Alexandre já conseguiu eliminar 35kg. “Estou mais atento. A terapia me ajudou psicologicamente, e a ioga ajudou meu espírito. Parece sutil, mas mudar a percepção de si mesmo faz muita diferença.”

A longa vida de um guru
Nascido em 1918, o indiano B.K.S. Iyengar revolucionou a forma de praticar ioga. A partir das yoga sutras (posturas ensinadas na técnica), baseadas em precisão e alinhamento, os alunos passam por transformações mentais automáticas, que se refletem nos hábitos de vida. A característica inclusiva da Iyengar yoga não é por acaso: ainda na infância, Iyengar foi vítima de malária, febre tifoide e tuberculose. Aos 16 anos, ele conheceu a yoga e, aos 18, graças ao seu conhecimento de inglês, foi enviado a Pune para difundir a prática. Comprometido, ele treinava diariamente, por várias horas seguidas. Sua própria prática o ajudou a explorar e a atingir a perfeição. Seus ensinamentos foram publicados pela primeira vez em 1966 e, rapidamente, ganharam tradução em várias línguas. Em janeiro de 1975, Iyengar inaugurou o Ramamani Iyengar Memorial Yoga Institute (RIMYI), em Pune, em homenagem a sua esposa. Iyengar praticou o método até o último ano de sua vida: aos 95 anos, ele ainda era capaz de fazer a maioria das posturas, ainda que com certa dificuldade.

Fonte: site oficial B.K.S Iyengar Yoga.

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