Cientistas japoneses desenvolvem teste que detecta Ebola em 30 minutos; falta de alimentos preocupa ONU

A ONU anunciou que está muito preocupada com a segurança alimentar nos países da África ocidental mais afetados pela epidemia de Ebola, que provocou na região uma escassez de mão de obra e a interrupção do comércio entre fronteiras

por AFP - Agence France-Presse 02/09/2014 07:54

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DOMINIQUE FAGET / AFP
As restrições e os deslocamentos na Guiné, Libéria e Serra Leoa provocaram um movimento de compras motivadas pelo pânico, escassez de alimentos e um forte aumento dos preços, sobretudo nos centros urbanos (foto: DOMINIQUE FAGET / AFP)
Cientistas japoneses anunciaram nesta terça-feira o desenvolvimento de um método para detectar a presença do vírus Ebola em 30 minutos, com técnica de diagnóstico simples que poderia ser utilizada na África ocidental. O professor Jiro Yasuda e sua equipe da Universidade de Nagasaki informaram que o teste é mais barato que o sistema atual utilizado nesta região do continente africano, onde o vírus matou mais de 1.500 pessoas em 2014.

"O novo método é mais simples que o atual e pode ser utilizado nos países onde não estão disponíveis os aparelhos caros de avaliação", disse Yasuda à AFP. A equipe de Yasuda desenvolveu um método que revela visualmente apenas os genes específicos do vírus do Ebola encontrados em uma mostra de sangue ou em qualquer outro fluido corporal.

Utilizando técnicas já existentes, extrai o ácido ribonucleico (ARN) - as moléculas biológicas para a codificação de genes - de qualquer vírus presente na mostra de sangue. A partir destas informações, o método cria uma sequência de DNA que é misturada em um tubo de ensaio com uma substância específica. A mescla é submetida então a uma temperatura de 60-65 graus Celsius. No caso de presença do Ebola, o DNA específico do vírus se revelará em 30 minutos. Em caso contrário, o líquido ficará turvo.

Atualmente, o Ebola é detectado com um processo que dura entre uma e duas horas, com material muito específico. O novo método "exige apenas um equipamento que possa ser aquecido com uma bateria e que custa algumas centenas de dólares, um preço que os países em desenvolvimento podem pagar", explicou Yasuda. "O teste está pronto para ser enviado", completou o cientista, que ainda não recebeu nenhum pedido dos países afetados.

ONU preocupada com falta de alimentos nos países afetados
A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou até 26 de agosto 1.552 mortes de um total de 3.069 casos detectados na Libéria, Guiné, Serra Leoa e Nigéria. A ONU anunciou que está muito preocupada com a segurança alimentar nos países da África ocidental mais afetados pela epidemia de Ebola, que provocou na região uma escassez de mão de obra e a interrupção do comércio entre fronteiras.

As restrições e os deslocamentos na Guiné, Libéria e Serra Leoa provocaram um movimento de compras motivadas pelo pânico, escassez de alimentos e um forte aumento dos preços, sobretudo nos centros urbanos, afirmou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). "O acesso à comida se tornou uma preocupação urgente para muitas pessoas em três países afetados e seus vizinhos", disse Bukar Tijani, representante regional da FAO para a África.

"Com o perigo que pesa sobre a colheita principal e a restrição do comércio e do movimento de bens, a insegurança alimentar se intensificará nas próximas semanas e meses", completou.

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