Como decidir o destino do seu período sabático?

Os objetivos estabelecidos para esse tempo de reflexão e redescoberta determinam a escolha do roteiro

por Revista do CB 29/08/2014 08:32

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O objetivo do período sabático determina todo o resto: o tempo de duração, o destino e as atividades que serão feitas. Carlos Eduardo Krawiec, supervisor de vendas da Central de Intercâmbio - CI Brasília, diz que o perfil de interessados em destinos “sabáticos” é de pessoas já empregadas, na faixa dos 26 anos aos 40 anos e que procuram trabalho voluntário. “Por isso, geralmente, os destinos escolhidos são na África, Nepal e Índia”, enumera. Depois de definido o objetivo, é hora de ver se o dinheiro em caixa é suficiente. “Verificar se há surto de doenças ou se a região está em conflito também é importante antes de escolher em definitivo.”

Andréia da Cunha, gerente do Student Travel Bureau (STB Brasília), diz que, cada vez mais, jovens também querem tirar um tempo para repensar a vida. “Muitos que nos procuram acabaram de se formar na faculdade e querem um tempo para si antes de entrar no mercado de trabalho”, completa. Profissionais interessados em mudar de profissão também fazem parte do público que planeja viagens sabáticas. Ana Paula Costa, 40 anos, fará seu segundo período sabático “profissional e obrigatório”. Na primeira vez que resolveu dar um tempo da rotina, o fez por motivos profissionais. Em 2005, ela viajou para a Inglaterra para um curso de especialização.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
'A primeira coisa é saber o que se quer: se você quer continuar na sua área profissional ou se quer mudar. Recomendo tentar ter acesso às melhores escolas, porque é uma experiência cara. É melhor pagar um pouco mais, mas por uma coisa que te dará retorno e garantias.' Ana Paula Costa, 40 anos, que se prepara para o terceiro período sabático (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Ficou apenas um ano fora, com medo de ficar muito tempo distante do mercado de trabalho. “Na carreira, nem sei se esse curso ajudou tanto, mas mudou minha vida pessoal”, conta. Conviver com os demais 345 estudantes de 45 países diferentes fez com que Ana Paula visse o mundo de forma diferente. “São pessoas e informações que você não veria de outra maneira.” À época, Ana Paula trabalhava para um clube de futebol que havia acabado de ser rebaixado para a segunda divisão em 2004. No ano seguinte, ela resolveu pedir demissão. Pouco tempo depois, o time caiu para a terceira divisão. “Se eu não tivesse saído, teria sido demitida. Praticamente toda a equipe foi demitida, inclusive o presidente do time”, completa. Para ela, a má fase do time teve o impacto de um aviso de que era hora de mudar.

Ela raspou todas as economias da poupança e usou o valor que ganhou na rescisão de contrato para bancar o misto de período sabático com reciclagem profissional. “Eu arrisquei, na verdade. Era um plano que eu já tinha, mas que não era para o momento.” Desde que voltou ao Brasil, a vontade de conhecer outros lugares só aumentou. Quando a empresa em que ela trabalhava como diretora de marketing esportivo quebrou um contrato firmado para realizar a reforma de um estádio de futebol, Ana Paula resolveu se antecipar. Prevendo um futuro não muito promissor, ela pediu demissão e já planeja a ida para os Estados Unidos. “Estou desanimada com o mercado esportivo do Brasil. Quero encontrar um mercado melhor, repensar minha profissão.”

O tempo “livre” só alimentou a vontade de viver novas experiências. “É algo recorrente de quem já foi, você fica querendo mais.” Atualmente, ela se dedica a organizar a papelada de um imóvel da mãe para poder viajar sem pendências. Financeiramente, os preparativos estão indo bem. Além do dinheiro que já vinha economizando, o aluguel do apartamento que mantém no Rio de Janeiro garantirá o sustento em terras norte-americanas. “Não tenho medo de investir, porque sei que vale a pena, principalmente pelo lado pessoal.”

Economizar é preciso
Veja como juntar dinheiro para garantir um período sabático sem preocupações:


-Não se pode esquecer que, mesmo viajando, algumas despesas continuarão. Calcule quanto precisará guardar em caixa para suprir as dívidas fixas e aumente 30%.
-O montante médio necessário para se realizar uma viagem depende do local e do padrão de vida escolhido. Um ano sabático em uma cidade do interior do Brasil pode ser mais barato que em uma cidade no interior da Índia.
-A escolha de hotel, alimentação, transporte, passeios e outras despesas vai determinar uma vida mais simples ou mais cara. Por isso, pesquise!
-Para economizar, tente comprar as passagens com antecedência. Passagens internacionais, em especial, costumam ser mais em conta quando adquiridas meses antes da viagem. O mesmo vale para o hotel ou a hospedagem escolhida. Antes de sair, procure se informar se o local é adequado para seus objetivos “sabáticos”.
-Divida o valor total que será gasto nessa viagem pelos meses que você tem para poupar e veja quanto é preciso reservar mensalmente.
-Faça várias cotações e orçamentos.
-Ao definir o seu sonho (objetivo ou meta) e saber quanto custa, o próximo passo é escolher quais despesas podem ser reduzidas e quais devem ser cortadas. Alimentação, transporte, lazer, vestuário são algumas sugestões do que pode ser reduzido.
-Despesas com pagamento de juros, supérfluos, compras por impulso e de coisas que se paga mas não se usa, devem ser cortadas.
-Também é possível gerar uma fonte extra de receita: procure algum trabalho extra ou venda objetos que não usa mais.

Fonte: Altemir Farinhas, especialista em educação financeira e em finanças pessoais

Arquivo Pessoal
'Tento sempre encontrar pelo menos um lugar para ficar antes de viajar. A internet ajuda em muita coisa, tanto para achar onde morar quanto para oportunidades de trabalho e de voluntariado. O medo de sair é normal, é difícil largar tudo. Mas é tudo tão diferente, tão novo, que você quase não sofre. É sempre uma oportunidade de começar de novo em um lugar em que ninguém o conhece.' João Gabriel Camattari, 27 anos, que já morou na China, na Nova Zelândia, na Suécia, em Israel, nos Estados Unidos (foto: Arquivo Pessoal)
Muitas possibilidades

As possibilidades de viagens sabáticas são inúmeras: há quem opte por se especializar, por aprender uma nova língua ou ainda quem só queira um pouco de privacidade. João Gabriel Camattari, 27 anos, já fez todas. Desde os 19 anos, o tradutor vive o que define como uma “vida sabática”. Já morou na China, na Nova Zelândia, na Suécia, em Israel, nos Estados Unidos e em outras tantas casas temporárias. Tudo começou em 2006, quando João foi fazer um estágio na China. O plano inicial era ficar apenas seis meses, mas João gostou tanto da experiência que resolveu esticar a estadia para dois anos.

O problema é que, para quem é do mundo, ficar parado pode ser uma verdadeira tortura. Em 2009, João resolveu ir para a Nova Zelândia, estudar cinema. O curso acabou e, com o fim da tarefa, veio o tédio, novamente. A partir daí, João resolveu viajar com o objetivo de se conhecer. Ficou um ano em Hong Kong, foi para a Califórnia e, em 2012, foi morar em fazendas pela Europa e trabalhava em troca de hospedagem e comida. “As coisas foram acontecendo, uma depois da outra”, resume. “Depois que você começa a viajar, fica difícil voltar e ter um emprego fixo, uma vida em um lugar só. Não quero mais isso para a minha vida.”

A maior vantagem da vida de nômade, segundo ele, é estar sempre aprendendo sobre si mesmo. Manter relacionamentos sem endereço fixo pode até parecer inviável, mas João garante que é o contrário. “Você se acostuma a conhecer as pessoas muito bem e em menos tempo”, justifica. Pequenas crises, comuns em relacionamentos de longa data, ganham nova percepção: quando se sabe que o tempo é curto, não há espaço para sentimentos destrutivos. Quando é preciso ir embora, a independência emocional também é útil. “Você aprende a gostar e também a praticar o desapego, se necessário.”

Outra vantagem da “vida sabática” é perceber outras vertentes da própria personalidade, segundo João. “Quando se vive sempre a mesma rotina, você entra em contato com apenas um lado de você mesmo”, completa. Passar por desafios e situações fora da zona de conforto, para ele, é essencial para ampliar a própria visão de mundo, de si mesmo e dos que estão ao seu redor. “Com o tempo, você vê que todo mundo é igual, somos todos seres humanos com a mesma essência.” Por enquanto, João está em Brasília, mas a próxima viagem, um tour pela América Latina, já está com data marcada para o mês que vem. Dessa vez, o plano é passar meses isolado na natureza, para escrever roteiros de cinema e um livro. “Só comprei a passagem de ida. Dependendo da minha inspiração e do que acontecer, vou ficando.”

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