Cigarro: o que é possível fazer para evitar o primeiro trago?

Especialistas alertam que não existem níveis seguros de consumo de qualquer derivado do tabaco

por Bruna Sensêve 29/08/2014 09:18

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Narguilés, cigarros com sabor, eletrônicos, mais leves em tabaco e mesmo com redução de substâncias mais nocivas. As atrações para o primeiro trago são inúmeras, até irresistíveis. Mas levam ao terror da dependência. O Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado hoje, desvia da batalha para deixar o tabagismo e reabre a discussão em torno do que é possível fazer a fim de evitar o primeiro trago e, principalmente, os seguintes. Especialistas alertam que não existem níveis seguros de consumo de qualquer derivado do tabaco. Mesmo fumantes de um a nove cigarros por dia apresentam seis vezes mais chance de desenvolver câncer no pulmão do que os não tabagistas.

Leandro Couri/EM/D.A Press
Fumantes de um a nove cigarros por dia apresentam seis vezes mais chance de desenvolver câncer no pulmão do que os não tabagistas (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Um artigo divulgado na Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention por David Hammond e Richard J. O'Connor, da Universidade de Waterloo, no Canadá, e do Roswell Park Cancer Institute, nos EUA, respectivamente, indica que adultos que fumam cigarros com redução de nicotina não fazem em maior quantidade para compensar os baixos níveis da substância. Portanto, não são expostos a mais produtos tóxicos. O resultado, atingido após um estudo com 72 tabagistas, torna viáveis medidas polêmicas de diminuição dos níveis de nicotina para quantidades insignificantes como forma de reduzir e prevenir o vício.

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“Uma das principais barreiras para adotar essa medida tem sido uma preocupação de que os indivíduos que continuam a fumar serão expostos a maiores quantidades de produtos químicos tóxicos na tentativa de extrair mais nicotina dos cigarros”, explicou Hammond. “O estudo atual sugere que esse pode não ser o caso.” Porém, na opinião do pneumologista Ricardo Henrique Meirelles, da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), é importante observar que a ausência do efeito compensatório não pode tornar as versões light uma forma de auxílio para largar o vício.

Para ele, mesmo fumando cigarros com baixos teores de nicotina, o tabagista continuará sendo um dependente e, muitas vezes, com dificuldade para abandonar a droga. O risco é ele achar que, com a versão light, terá menos prejuízo à saúde e, assim, não querer parar de fumar. “Mesmo que o fumante de cigarros de baixos teores de nicotina não aumente o consumo, ele continuará expostos a mais de 4.700 substâncias, muitas delas tóxicas e cancerígenas, responsáveis por cerca de 50 doenças”, ressalta.

Segundo a coordenadora de Vigilância, de Agravo e Doenças não Transmissíveis e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Deborah Malta, a pesquisa nacional escolar feita em parceira com o Ministério da Educação em 2012 mostrou que o fumo entre escolares é de 5%. “Em 2002, tínhamos de 12% a 15%. Estamos entre as menores prevalências das américas. Isso mostra que as políticas públicas estão funcionando para a população como um todo e até aquela que nem começou a fumar.” Malta reforça que há uma meta global de diminuição de 30% da prevalência de fumantes nas principais capitais do país. “A legislação que proíbe o fumo em ambientes fechados e restringe a propaganda protege a todos, não só os fumantes.”

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