Desvio de septo causa desconfortos que vão da falta de ar à depressão

Problema atinge 38 milhões de brasileiros. Na maioria dos casos, solução é cirúrgica

por Augusto Pio 20/08/2014 07:20

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Clique para ampliar e entender como é a cirurgia de correção (foto: EM / DA Press)
Morador na cidade de Itaúna, no Oeste mineiro, Denan Lopes Amaral, de 51 anos, sofria muito com dores de cabeça e vivia com as narinas congestionadas. “Era terrível, meu nariz era torto, respirava mal, não dormia bem e tinha dores de cabeças horríveis todos os dias. Vivia tomando analgésicos, era um caos. Até que há poucos dias resolvi operar. Agora estou ótimo, respirando e dormindo bem, sem dores de cabeça, graças a Deus”. Denan trabalha com som, alugando sua aparelhagem para músicos e eventos, em sua região. “Minha namorada também operou. Ela vivia com problemas de má respiração, dores de cabeça e, para complicar ainda mais, tinha sinusite e rinite. Felizmente, também está ótima agora, após a operação.”

Denan e a namorada sofriam de um problema que, segundo a Academia Brasileira de Rinologia, acomete cerca de 20% da população brasileira: o desvio de septo. A doença, capaz de provocar nariz entupido, dores de cabeça, sinusite, rinite crônica e até apneia do sono, atinge aproximadamente 38 milhões de pessoas no Brasil. Ansiedade, depressão, mau desempenho no trabalho e até mesmo na vida sexual também também podem estar relacionados ao problema. “Quando olhamos para uma pessoa, identificamos no rosto a parte conhecida como ‘nariz’, que, na verdade, é a pirâmide nasal. O septo nasal é a estrutura composta de osso e cartilagem, que divide por dentro a pirâmide em cavidade nasal direita e esquerda. O desvio do septo pode ser ósseo e/ou cartilaginoso. Pode ocorrer ao longo de todo o septo nasal ou concentrar-se mais em determinada posição, superior ou inferior, anterior ou posterior”, explica o médico Cheng T-Ping, presidente da Sociedade Mineira de Otorrinolaringologia.

O especialista esclarece que o desvio de septo pode ser congênito ou adquirido. “O congênito é aquele determinado pela carga genética individual, influenciada por características familiares. O adquirido ocorre principalmente por fraturas traumáticas (acidentes automobilísticos, agressões, etc); doenças infecciosas deformantes, como hanseníase e leishmaniose; e o crescimento de tumores intranasais benignos, como o nasoangiofibroma juvenil e malignos (carcinomas e sarcomas).”

EDESIO FERREIRA/EM/D.A PRESS
Para Cheng T-Ping, o principal sintoma é a alteração do fluxo de ar que passa pelas narinas (foto: EDESIO FERREIRA/EM/D.A PRESS)
Quando de natureza genética, o desvio de septo pode surgir desde a infância, agravar-se durante a adolescência, até se estabilizar quando interromper o crescimento de ossos e cartilagens na idade adulta: de uma maneira geral, o desvio de septo não evolui com piora no adulto (o septo não fica ‘mais torto’ com o passar dos anos). Cheng ressalta que o principal sintoma do desvio de septo nasal é a obstrução do fluxo de ar que passa pelas narinas. “Em consequência, pode ocorrer falta de ar durante esforços físicos ou mesmo em repouso; sensação de cansaço; alterações do sono e diminuição do olfato. Se o desvio obstruir ou dificultar a drenagem das secreções nasais, predispõe a rinossinusites infecciosas. Em alguns casos, quando o desvio de septo adquire forma de espícula, pode causar um tipo de ‘dor de cabeça’ conhecida como ‘cefaléia rinogênica’.”

Para evitar consequências
Na maioria dos casos, o tratamento é a cirúrgico, pela septoplastia (veja na arte acima), já que a obstrução respiratória crônica pode provocar ou agravar doenças cardiovasculares de gravidades variadas, alerta o médico. “O problema não leva o paciente diretamente à morte, mas as doenças cardiovasculares associadas podem ser graves”, diz o otorrinolaringologista Cheng T-Ping. Segundo o médico, as fraturas traumáticas da face, doenças infecciosas e tumores intranasais que podem causar o desvio de septo adquirido são condições cuja gravidade são capazes de levar o paciente a óbito.

O desvio de septo deve ser avaliado pelo especialista, que, de acordo com os sintomas, indica ou não o tratamento cirúrgico. “O diagnóstico clínico é feito pela entrevista minuciosa do paciente. A constatação do desvio de septo é obtida no exame físico: inspeção nasal na rinoscopia anterior, complementada pela nasofibroscopia, que permite avaliar as partes mais profundas da cavidade nasal. A tomografia computadorizada dos seios paranasais é ou não solicitada de forma complementar, para avaliar o septo nasal e correlacioná-lo com estruturas vizinhas.”

EULER JUNIOR/EM/D.A PRESS
Lourenço Gontijo: tipo de sedação para a septoplastia depende da extensão do desvio (foto: EULER JUNIOR/EM/D.A PRESS)
A não ser se houver obstrução respiratória importante, as septoplastias geralmente não são indicadas em crianças porque elas ainda estão em fase de desenvolvimento da face. A cirurgia pode acarretar alterações futuras no formato da face e do nariz”, explica Cheng.

Melhora ventilatória O cirurgião plástico Lourenço Gontijo Guimarães salienta que o tratamento do desvio septal dependerá da sua extensão, localização e da sintomatologia do paciente. “Pode ser apenas sintomático, com uso de descongestionantes, anti-histamínicos e spray nasal com soluções anti-inflamatórias. Entretanto, o tratamento clínico produz apenas alívio temporário dos sintomas, para alguns pacientes”.

Lourenço explica que a septoplastia, é feita com incisões apenas no interior do nariz. “Esta pode ser realizada com anestesia local e sedação para casos mais simples e anestesia geral para desvios mais complexos associados a grandes repercussões clínicas ou com deformidades nasais externas, grandes hipertrofias de cornetos ou distúrbios funcionais”, de acordo com o cirurgião.

Geralmente, esse procedimento é feito em caráter hospital-dia, ou seja, o paciente opera e recebe alta no mesmo dia ou fica internado para tratamento da sinusite. O tamponamento nasal pós-operatório evita o sangramento e mantém o septo reposicionado em uma localização ideal.

A recuperação de uma septoplastia dependerá da extensão e complexidade cirúrgica. Geralmente, uma melhora ventilatória torna-se evidente após duas a quatro semanas de pós- operatório.

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