Câncer de intestino: nova técnica endoscópica permite detecção mais certeira de lesões

Com alto grau de incidência no Brasil, doença começa como lesão benigna, mas pode ser fatal

por Silas Scalione 13/08/2014 09:36

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O intestino é formado por duas grandes regiões: uma parte mais fina, o delgado, relacionada à digestão e a absorção dos alimentos, e o intestino grosso, responsável pela absorção da água, pelo armazenamento e eliminação dos resíduos da digestão. O câncer no intestino delgado é bastante raro. Porém, no intestino grosso, ou cólon, a doença é bem mais frequente. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão ligado ao Ministério da Saúde, o câncer de intestino já é, no Brasil, o segundo tumor mais incidente em mulheres e o terceiro em homens – este ano, serão 15.070 novos casos em homens e 17.530 em mulheres.

Discutir o problema e apontar soluções que amenizá-lo é motivo, nesta sexta-feira e sábado, na Associação Médica de Minas Gerais, do 9º Seminário Mineiro de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva de Minas Gerais. O encontro reunirá médicos de todo o país em torno de novidades relacionadas à coloproctologia, à gastroenterologia e à endoscopia digestiva, especialidades que previnem e tratam doenças ligadas ao intestino. Entre elas, está uma nova técnica endoscópica, ainda não disponível em Minas, mas que se mostra um grande avanço no combate à doença.

Segundo o endoscopista do Hospital Sírio Libanês José Luis Paccos, trata-se da endomicroscopia confocal, capaz de obter imagens de alta resolução da camada mucosa do trato gastrointestinal (do esôfago ao reto). A técnica (veja infografia) baseia-se na iluminação da mucosa com um laser, que é absorvido por um agente fluorescente, sendo a luz depois refletida para a captura das imagens, que ficam mais níticas e aumentadas. “Fazemos um exame em tempo real com a vantagem de a análise ser em nível celular, como num microscópio convencional. É uma técnica não invasiva, que detecta com toda a segurança várias doenças”, afirma José Luis Paccos. O exame é feito com o mesmo aparelho de endoscopia.

As principais contra-indicações do exame são gravidez, asma, insuficiência renal e antecedentes de alergia aos produtos utilizados no exame. O médico lembra que, apesar de ser uma técnica em desenvolvimento desde 2004, somente agora a endomicroscopia confocal está sendo regularizada pelos órgãos competentes e adotada comercialmente. “Poucos centros de saúde contam com equipamentos para realizá-la. Somente a Santa Casa de São Paulo, por meio do Centro Franco-Brasileiro de Ecoendoscopia, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, uma fundação de saúde do Rio Grande do Sul e agora o Hospital Sírio Libanês”, revela José Luis Paccos.

O médico ressalta que a técnica, ao atuar em nível celular, permite detecção bem mais precoce do câncer, evitando assim tratamentos mais pesados, como químio e radioterapia. E devido à ótima precisão, no caso de retirada de material para biópsia, consegue-se escolher com extrema capacidade apenas o que realmente precisa ser extraído, além de identificar também outras doenças inflamatórias.
EM/D.A Press
Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais sobre a nova técnica (foto: EM/D.A Press)

Evolução lenta
“O câncer de intestino começa sempre na forma de uma lesão benigna, que vai evoluindo lentamente até se transformar num tumor maligno. A fase de benignidade é longa, durante a qual é possível retirar a lesão (um pólipo) e, com isso, impedir sua degeneração e o aparecimento do câncer”, explica o médico José Celso Guerra, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia de Minas Gerais.

“Entretanto, trata-se de uma doença que se desenvolve silenciosamente. Quando se manifesta, o tumor já está razoavelmente grande, demandando cirurgia e terapias próprias de combate a cânceres e, dependendo da situação, a possibilidade de sobrevida é baixa”, revela ele.

A qualquer alteração observada no ritmo intestinal, como constipação, diarreia constante, anemia, sangue ou catarro nas fezes, além de emagrecimento, é importante buscar ajuda médica, pois são indícios de que a doença pode estar presente. A colonoscopia é o principal exame para detectar alterações no intestino, identificando qualquer lesão precursora e retirando-a para biópsia.

“A pessoa começa a ficar mais vulnerável a partir dos 40 anos e a possibilidade de desenvolver um câncer colorretal praticamente dobra a cada década seguinte. E caso haja parentes próximos, como pais, irmãos, tios ou avós, que desenvolveram a doença, o risco aumenta bastante”, avisa. Por esses fatores, exames de colonoscopia são obrigatórios nessa fase da vida.

O câncer de intestino apresenta também fatores ambientais. Alimentação muito rica em gordura animal e em corantes e bem pobre em fibras favorece a incidência de câncer no intestino. Os defumados, da mesma forma que os corantes, também contêm substâncias carcinogenéticas. O melhor é se alimentar de cereais, ricos em fibras protetoras do intestino. “Independentemente dos fatores, o importante mesmo é se precaver. Mesmo que não haja histórico familiar ou que não apresente nenhum sintoma relevante, vale a pena fazer uma primeira colonoscopia por volta dos 50 anos e, a partir do resultado, fazer uma programação de novos exames com o médico”, diz José Celso Guerra.

Detectado um câncer, segundo ele, o grau da lesão é que vai determinar o procedimento. “Se for um tumor maligno, mas que ainda não invadiu a parede do intestino, basta retirá-lo. Caso já tenha invadido a parede, a cirurgia é necessária para extirpar parte do intestino e identificar o grau de invasão. Se necessário, é preciso então partir para sessões de quimioterapia e/ou radioterapia”, informa. No sábado ocorre ainda o VII Congresso Mineiro de Enfermagem em Endoscopia.

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