Até quando, Super-Homens? Maioria ainda adia ida ao médico e coloca saúde em risco

Homens dispostos a deixar a fantasia de super-herói de lado ainda são minoria. Uma pesquisa mostra que, apesar do acesso à informação, eles ainda negligenciam a própria saúde

por Carolina Cotta 10/08/2014 07:49

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Artes EM
(foto: Artes EM)

Numa ponta, a tragédia, na outra, o super-herói que dela nasce ou dela dará conta. A diferença dos defensores dos quadrinhos para os notáveis de nossas casas está no fato que muda seus destinos. Batman assistiu a morte dos pais. Homem-Aranha deixou escapar o assassino do tio. Super-Homem é o único sobrevivente do seu planeta. Já os homens de carne e osso, e nenhum poder sobrenatural, esperam o dia em que vão salvar a família. Moldaram tamanho senso de responsabilidade que não acreditam na possibilidade de alguém se virar sozinho. Precisam estar prontos para vestir a fantasia de super-herói e entrar em ação.

 

Esta matéria está dividida em três partes. Leia também:

 

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Mas o complexo de Super-Homem sugerido pelo controverso psiquiatra Fredric Wertham, 60 anos depois, está perdendo força. A evolução da sociedade, o acesso à informação e a entrada das mulheres no mercado de trabalho tiraram um fardo das costas desses homens e eles começam a mudar a forma como encaram a vida. O Brasil experimenta um processo de envelhecimento de sua população nas últimas quatro décadas. A expectativa de vida dos homens chegou a 68 anos e a das mulheres, a 72. Isolado, o dado do Censo 2010 já antecipa como é diferente o envelhecimento deles e delas. Mas há outro. Quando se analisa a população brasileira idosa, há mais mulheres do que homens.

A Mulher-Maravilha está ganhando o duelo, mas muitos querem virar o jogo. Cresce o número de homens que superaram não só essa responsabilidade exagerada, mas também o machismo. Eles estão mais conscientes de que precisam se cuidar para seguir em frente, como já fazem as mulheres. “Eles vivem menos e com uma qualidade pior”, alerta João Bastos Freire Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Estudos revelam que a visão da mulher em relação à saúde preventiva está mais desenvolvida que a do homem. “Nossa cultura colocou o homem como um ser mais resistente, mais forte, e que por isso não precisa se cuidar. A ideia é a de que ele é o provedor de recursos e precisa estar bem para tocar o barco”, alerta.

Mas os homens dispostos a deixar a fantasia de super-herói de lado ainda são minoria. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em parceria com a Bayer, com 3,5 mil homens de sete capitais brasileiras em junho, mostra que, apesar do acesso à informação, eles ainda negligenciam a própria saúde. Mais de metade dos homens ouvidos (51%) admitem não consultar um urologista ou cardiologista regularmente. Também desconhecem aspectos importantes para viver e envelhecer com maior qualidade de vida e bem-estar: 83% não sabem, por exemplo, os sintomas da andropausa, baixa acentuada de testosterona que ocorre ao longo dos anos e pode causar a temida impotência sexual.

O grau e a qualidade de conhecimento sobre o assunto não estão alinhados em relação ao nível de preocupação masculina. Para 28% dos homens, ficar impotente é mais preocupante do que ficar desempregado, que tira o sono de 25% dos entrevistados. Mesmo assim, 48% deles nunca ouviram falar sobre reposição hormonal masculina com testosterona, que pode mudar o curso da impotência. “Algumas doenças têm cura se descobertas com antecedência e outras podem ser evitadas com o conhecimento, a desmitificação e o engajamento desses homens a um estilo de vida mais saudável”, alerta Carlos Corradi, presidente da SBU.

Para João Bastos, o problema nem é mais informação, e sim o valor que se dá à qualidade de vida. Mas são boas as perspectivas. Se a maioria ainda não cuida, já foi pior no passado. Tem muito homem sabendo usufruir do que a vida lhes reserva de melhor, tendo prazer no trabalho, mesmo depois de aposentados, em hobbies e atividades físicas e em novos relacionamentos, por que não? Enfim, os super-homens estão perdendo os poderes de gibi para ganhar algo real: anos e qualidade de vida.

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