Bichos dorminhocos são saudáveis?

Essa dúvida persegue muitos donos de animais. A dica é ficar atento: o sono patológico, que acusa uma doença, sempre está associado a outros sintomas

por Revista do CB 02/08/2014 10:00

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O sono dos animais é diferente do sono dos humanos. Ao contrário de nós, que necessitamos dormir oito horas contínuas, os animais tiram várias sonecas ao longo do dia. Por isso, temos dificuldade de identificar a sonolência anormal das mascotes.

A secretária Denair Fonseca, 36 anos, tem uma poodle preguiçosa. Nina, 2 anos, dorme o dia inteiro. “De manhã, quando acordamos, ela levanta e dorme de novo. Quando saímos, ela dorme novamente”, conta a dona. Mesmo com muito movimento na casa, a cadela não se perturba. Segundo Denair, nunca foi cogitado levar o bicho ao veterinário.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
A moleza do schnauzer Bartolomeu, na verdade, era um sinal de hipotireoidismo (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Mas é só preguiça? Vários fatores podem influenciar o sono dos cães. Geralmente, são bichos muito ligados à rotina dos donos. Por isso, cabe a estes estimular atividades para “espantar” o sono. Animais que ficam muito tempo sozinhos em casa também podem apresentar um comportamento mais apático. Nesse caso, a frustração do bicho tende a extravasar de duas formas: ou destrói objetos do lar ou fica ainda mais quietinho.

Mel, uma chow-chow de 1 ano, também é “marcha lenta”. A dona da cadela, a estudante Rafaela Bittar, 23 anos, já a levou ao veterinário. Mas, de acordo com a especialista, o único problema do animal é preguiça mesmo. “Para a Mel, não tem tempo ruim. Ela dorme na grama, no sol, embaixo da cama, em cima dela, no tapete e até mesmo dentro do banheiro”, relata. Ainda segundo Rafaela, o único momento que a chow-chow se anima é na hora de passear. “No mais, é mole, mole.”

Cães menores também são mais ativos por natureza. O sono excessivo acomete, geralmente, animais idosos e recém-nascidos. “Entre cães adultos, pode ser o indício de uma doença. Os filhotes podem dormir 20 horas por dia; adultos ativos, em torno de 14; e cães idosos, 18 horas”, detalha a veterinária Lídia Augusto.

O sono patológico existe, sim, e está associado a muitos males, como hipotireoidismo, diabetes, doenças cardíacas e alterações neurológicas. Para fechar um diagnóstico, os veterinários levam em conta outras mudanças no comportamento animal, como perda de apetite, ganho de peso e surgimento de lesões na pele.

Foi a mudança de peso do schnauzer Bartolomeu, de 3 anos, que motivou Mariana Rios, 31, a buscar auxílio profissional. O cão dormia aproximadamente 18 horas por dia e só engordava, apesar de comer pouco. “A gente começou a observar que ele estava muito apático. Além disso, estava engordando muito”, resume a servidora pública. Na visita ao veterinário, confirmou-se um quadro de hipotireoidismo e colesterol alto. Há quase três meses em tratamento, o schnauzer apresenta uma visível melhora. “Ele tem mais energia e já emagreceu 2kg”, comemora a dona.

O hipotireoidismo ocorre quando a glândula tireoide passa a não produzir a quantidade ideal de hormônios T3 e T4. Na insuficiência desses, os animais sentem sonolência, frio e acumulam gordura. “Pode causar também alterações na pele. Os hormônios da tireoide são essenciais para o funcionamento do cérebro e do intestino, por isso, fazemos o tratamento de reposição hormonal”, explica a veterinária Katiane Rocha. É importante ressaltar que a doença não  tem cura nem prevenção, mas pode ser mantida sob controle durante toda a vida da mascote.

Se o excesso de sono preocupa, a falta dele também deve ter relevância. Os cães podem sofrer de insônia e, segundo a médica veterinária Thays Mizuki, esse problema pode ocorrer por diversos fatores, principalmente emocionais. “Na maioria das vezes, o comportamento está associado à síndrome de ansiedade e separação (desencadeada por várias situações, como abandono, depressão e mudanças bruscas de ambiente)”, esclarece. Ainda de acordo com Mizuki, distúrbios neurológicos ou dor podem deixar seu cãozinho sem dormir. Leve-o o quanto antes a um profissional.

E os gatos?
  • Felinos têm fama de preguiçosos. Na verdade, eles necessitam de mais descanso que os cães. Segundo os especialistas, isso ocorre devido aos hábitos de caça, que os fazem ficar alertas à noite. “Eles ainda conservam muitas características de seus ancestrais. Na natureza, eles caçam e passam um bom tempo procurando a presa. Precisam descansar para ter maiores chances. Os gatos de hoje em dia economizam energia para esse momento, que pode ser atacar uma lagartixa na parede, ou até mesmo descer as escadas para comer no potinho”, explica a veterinária Leila Sena.

Cantinho do descanso
  • Arrumar a caminha do pet colabora para a qualidade do sono. O lugar deve ser confortável, limpo, arejado e, ao mesmo tempo, quente. Coloque colchões, almofadas ou mesmo tapetes. Em dias frios, acrescente uma coberta.

Você sabia?
  • Animais também sonham. De acordo com o psicólogo Stanley Coren, da Universidade de British Columbia, bichos são capazes de ter sonhos complexos, nos quais processam os acontecimentos do dia. Alguns animais têm pesadelos. Isso explica por que muitos pets fazem barulhos enquanto dormem. Filhotes podem fazer movimento como se estivessem mamando, e animais adultos podem simular corridas ou brigas. Animais agressivos podem morder os donos caso sejam acordados de repente.
  • Gatos adultos podem dormir até 16 horas por dia em períodos variados. Sendo a maior parte, no período diurno. Felinos idosos podem chegar a 22 horas diárias de sono.
  • Cães, às vezes, “arrumam” a cama antes de dormir. A ideia é deixar o local mais confortável.
  • Algumas raças de focinho curto, como buldogues e shih-tzus, tendem a ser obesos e ter o sono leve — é que o sobrepeso atrapalha a respiração durante o descanso.

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