Líder humanitário vem a Belo Horizonte para lançar livro e ministrar curso

Fundador do Instituto Alegria, organização social sem fins lucrativos que tem como missão promover a educação integral, Prem Baba chega à capital no dia 8 de agosto

por Ellen Cristie 28/07/2014 14:30

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Sitah/Divulgacao
Prem Baba desenvolveu o Caminho do Coração, um método de autoconhecimento que visa superar padrões psicológicos negativos por meio da autorresponsabilidade (foto: Sitah/Divulgacao)
Brasileiro, o líder humanitário e mestre espiritual Sri Prem Baba chega a Belo Horizonte em 8 de agosto para um Satsang (encontro em que vai transmitir seus ensinamentos) e um curso mini-intensivo, ambos voltados para o autoconhecimento. Na ocasião, ele também lança seu terceiro livro – Transformando sofrimento em alegria –, na Mineiriana (Rua Paraíba, 1.419, Savassi). Fundador do Instituto Alegria, organização social sem fins lucrativos que tem como missão promover a educação integral, Prem Baba desenvolveu o Caminho do Coração, um método de autoconhecimento que visa superar padrões psicológicos negativos por meio da autorresponsabilidade.

Seu trabalho é voltado para a conexão entre o Ocidente e o Oriente e a ciência e a espiritualidade. Como é possível unir todos esses saberes?
Trabalho para ancorar uma nova consciência nas diversas áreas da vida: casamento (incluindo a concepção de um filho), educação das crianças, economia, saúde, sustentabilidade e até mesmo na relação do ser humano com a morte. E isso não é possível sem unir Ocidente e Oriente; o que é sinônimo de unir razão e intuição, ciência e espiritualidade. Parece utópico criar uma vida espiritual na Terra, mas vejo que se trata de algo absolutamente urgente e necessário. Na verdade, é a única saída para a raça humana. Também podemos dizer que buscamos a união entre as dimensões material e espiritual. O materialismo é dominante na nossa sociedade como um todo, por isso, meu esforço é para despertar a espiritualidade na vida das pessoas; lembrando que isso não diz respeito à religião. Espiritualidade não exclui. Não importa a classe social, a raça, o país, ou até mesmo a religião, ela acolhe e integra – ela une tudo e todos. Assim, em algum momento, a razão encontra a intuição, a mente encontra o espírito e isso gera uma sensação de paz e plenitude.

Você organiza meditações coletivas, reunindo multidões na praia, por exemplo. As pessoas sabem meditar?
A grande maioria não sabe, mas parte do meu trabalho é justamente ensinar as pessoas a meditar. A meditação está ao alcance de todos; basta haver inclinação e disposição para olhar a si mesmo. As meditações coletivas têm demonstrado que, por mais que uma parte da população brasileira esteja ocupada com assuntos frívolos, existe outra parte que já está realmente madura para encarar os problemas de frente, e já está buscando instrumentos para realizar a grande travessia do sofrimento para a alegria. Essa travessia só é possível por meio do autoconhecimento, porque a verdadeira transformação só é possível dentro de cada um. E a meditação é a base para isso.

O que é o método Caminho do Coração?
Trata-se de um processo que possibilita identificar o sabotador da felicidade e transformá-lo. Esse sabotador (que é a raiz do sofrimento) pode ser identificado pelas repetições negativas e destrutivas que se manifestam nas diversas áreas da vida: profissional, financeira, afetiva, sexual, familiar, amizades, saúde, espiritual. Mesmo que conscientemente você faça tudo para acertar, quando menos espera, se vê caindo novamente no mesmo buraco. E o Caminho do Coração é um conjunto de ferramentas que possibilita a identificação do buraco e o desenvolvimento da capacidade de escolha, até que você decide desviar do buraco e simplesmente andar no outro lado da rua.

Você divide sua vida entre o Brasil e a Índia. Comparando os dois países, o que eles têm em comum?
Temos em comum a hospitalidade, a gentileza, a flexibilidade e especialmente o coração. Somos povos afetivos. Isso se olharmos para o lado luminoso. Já no lado sombrio, temos em comum principalmente a corrupção e seus desdobramentos, destacando a miséria e a violência. Nesses dois países, trabalho para criar a cultura de paz e prosperidade. Isso tem sido feito com diferentes projetos, em diferentes setores da sociedade. Na Índia, cuido de uma escola que atende 300 crianças. Apoio um hospital que dá suporte para doentes terminais de câncer. Também oferecemos alimentos para grandes grupos de pessoas. Aqui, além do trabalho do Caminho do Coração, temos outros projetos, entre eles, um de educação para escolas públicas. A minha visão é que as crianças, quando chegam às escolas para receber as primeiras noções do ensino secular, precisam também aprender, na prática, o valor do silêncio e a importância de desenvolver valores humanos, além de aprender a lidar com os sentimentos.

Em seus ensinamentos, você trata da ressignificação da forma como interagimos com as fontes de água no mundo. Como você vê a falta de água em algumas cidades brasileiras?
Essa é uma questão muito delicada e que precisa urgentemente ser compreendida. Um dos ramos da ciência, que é a física quântica, comprova hoje o que os sábios falam há milênios: o externo é um reflexo do interno; aquilo que não está aqui, não está em lugar algum. Todo o caos que tem se manifestado em nossa sociedade e no ambiente em que vivemos é um reflexo do nosso estado interior. Essa máxima explica absolutamente todos os fenômenos que podemos identificar. Mas, infelizmente, tentamos resolver os problemas considerando apenas sua manifestação exterior. Assim como a medicina, que está completamente focada em tratar os sintomas das doenças, sem considerar a causa. Essa falta de conexão entre causa e efeito cria um círculo vicioso perverso e absolutamente destrutivo. Ao focar os sintomas e não considerar o paciente como um todo, a medicina alimenta a crença na doença e promove a indústria farmacêutica. Com isso, criamos um sistema dependente da doença para sobreviver.

O mesmo ocorre na relação com a água. Certamente, precisamos criar regras e campanhas para evitar a poluição dos nossos rios e o desperdício de nossas águas, mas essas atitudes poderão resolver somente uma pequena parte do problema. Embora isso seja absolutamente necessário, ainda é insuficiente. Para que essas ações sejam realmente profícuas, precisamos trabalhar na causa, no núcleo desse problema com as águas, que é a nossa relação com o feminino. Vejo as águas como uma representação do sagrado feminino, que se manifesta dentro de nós e ao nosso redor. O feminino se manifesta por meio da consciência amorosa, que inclui a aceitação, compreensão e gentileza. E a distorção desse princípio se manifesta como vitimisto, submissão e carência afetiva. É um fato que está faltando água, mas isso é apenas um pequeno aspecto de uma complexa cadeia. Estamos destruindo o planeta, que é uma manifestação plena do feminino. Seguimos construindo hidrelétricas na Amazônia e investindo nos combustíveis fósseis... Seguimos vendo a natureza como um objeto que pode ser comercializado, acreditando que ela nunca irá reclamar. Essa insensatez é fruto do esquecimento de nossa realidade espiritual. No mais profundo, estamos vivendo uma crise espiritual.

Em setembro e outubro, você pretende voltar ao Brasil para uma temporada em Alto Paraíso, em Goiás. Por que a escolha por Goiás e o que será desenvolvido nessa temporada?
Nosso ashram (comunidade espiritual) brasileiro em Nazaré Paulista ficou muito pequeno. Estava procurando um lugar para acolher todos os buscadores que estão chegando, até que o “vento soprou” o nome Alto Paraíso para mim. Então, eu fui lá e tive a grata surpresa de encontrar o que procurava. É um lugar mágico, ideal para manifestar uma visão espiritual na Terra. A natureza é fabulosa, com muito verde e cheio de cachoeiras, além de estar sobre a maior plataforma de cristal de quartzo do planeta. Farei lá uma temporada nos moldes que faço na Índia. Apenas será mais curta: de 1/9 a 23/10. Durante esse período, estarei recebendo os buscadores de todas as partes do mundo, oferecendo a rotina espiritual de um ashram.

Diante de tantas guerras e conflitos entre os povos, é possível ainda acreditar na paz mundial?
Um rio sempre deságua no oceano. Ele atravessa montanhas, desce vales, às vezes se transforma em um igarapé no meio de uma floresta, às vezes adentra os desertos; às vezes ele evapora, sobe aos céus na forma de nuvens e volta na forma de chuva... Assim, ele continua a jornada. Os desafios são intensos, mas um rio sempre deságua no mar. E o mar jamais recusa o rio. Assim como o oceano é o destino do rio, a paz é o destino de toda alma humana. Estamos longe de chegar ao destino final, mas minha esperança segue firme.

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