Falta de apetite é um dos principais alertas de que algo está errado com o animal de estimação

Animal gordinho não é sinal de saúde, mas mudanças de hábito devem ser avaliadas com atenção

por Revista do CB 21/06/2014 10:00

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Zuleika de Souza/CB/D.A Press
O gato Minou deu um susto na dona, Sílvia Chendes: problemas renais o impediam de se alimentar corretamente (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
A recusa de cães e gatos em comer tem muitas explicações. É comum que uma gengivite agressiva provoque o jejum, pois a dor é aguda e os dentes do pet ficam abalados. Da mesma forma, problemas nos rins, gastrite e verminoses comprometem o apetite. Existem ainda aspectos psicológicos do comportamento. “Por exemplo, quando chega um novo cachorro na casa, o animal pode parar de comer para chamar a atenção”, afirma a veterinária Noeli Sayuri.

“Quando a Zoe diminuiu a alimentação, nós a levamos ao veterinário”, relata o estudante Henrique Jun, 21 anos. O diagnóstico da cadela de 4 anos não tardou: insuficiência renal. O tratamento envolvia uma alimentação especial — uma pasta com alta concentração de calorias e proteínas para ser aplicada com uma seringa. Quando necessário, esse tipo de composto é introduzido por meio de sonda. Apesar dos esforços, Zoe não resistiu e faleceu em fevereiro passado. Os veterinários levantaram duas hipóteses para a fragilidade da mascote. Ela pode ter sido vítima de leptospirose, doença bacteriana que afeta os rins e o fígado. Ou ter nascido com uma má-formação renal.

A princípio, não pareciam preocupantes as alterações alimentares do gato Minou, da bacharel em direito Sílvia Chendes, 38 anos. Porém, em dois meses, o bichano perdeu 2kg. “Agora, estou levando-o todos os dias ao veterinário para tomar soro”, relata a dona. A conclusão do médico não foi animadora: um dos rins do persa de 15 anos deixou de funcionar. “É um problema que não tem volta. Ele vai sempre precisar de medicação”, diz, resignada.

A analista de sistemas Ana Paula de Oliveira, 39 anos, conta que costuma observar o comportamento de Enzo, cachorro da raça lhasa apsu. “Ele estava indisposto, não brincava. Depois, mal bebia água e não comia nem quando eu dava o alimento na mão”, descreve. Com um exame de sangue, ele foi diagnosticado com uma hemoparasitose, mais conhecida como doença do carrapto, que pode incluir outros sintomas, como vômitos e sangramentos. Ele se recuperou após 10 dias de tratamento com antibiótico.

Agora, se a inapetência se instala de repente, podemos estar diante de outro distúrbio: a anorexia. “Ela nunca vem sozinha. É preciso observar o contexto em que ocorre”, alerta a veterinária Noeli Sayuri. É importante saber que a simples redução do apetite não caracteriza anorexia. Ela é um caso severo em que o animal para ou reduz drasticamente a alimentação. “Na simples perda de apetite, o animal continua comendo, mas uma quantidade inferior à recomendada”, destaca a veterinária Márcia Fernandes.

É importante notar que os bichos têm diferentes tolerâncias à falta de alimentação. Cães podem resistir por uma média de até três dias, enquanto a situação dos felinos se agrava bastante após 24 horas. A veterinária Natália Luz aconselha não esperar muito. “Quanto mais rápido a intervenção, melhor.” Com a falta de recursos alimentares, os nutrientes cessam de chegar às células, e se inicia uma reação em cadeia. O sistema imunológico começa a entrar em colapso. Resultado: sem defesas, o pet fica fraco e vulnerável a doenças.

Sobrou ração?
As alterações alimentares também são resultado de situações simples. A pug do estudante Henrique Jun se recusa a comer quando enjoa da ração. “Ela fica emburrada e passa até um dia inteiro sem comer. Ela só come direito quando trocamos a ração”, conta. A solução foi fácil: comprar duas rações diferentes e variar a alimentação entre elas. Em outros casos, o pet parece estar com falta de apetite, mas na verdade ele está apenas se satisfazendo com uma quantidade menor de comida. Veja algumas dicas de como lidar com o problema:

Confira a quantidade diária de calorias
No verso das embalagens de ração, existe uma tabela de quantidades diárias. São parâmetros que levam em conta o peso e a idade do animal para determinar a porção adequada que deve ser consumida no dia a dia. O ideal é pesar em uma balança a porção recomendada pelo fabricante.

Mantenha a calma
Se a quantidade que o animal deixa no comedouro corresponder a 10% do total recomendado, ainda está dentro do normal. Existe uma margem de tolerância. Mas, se o bicho deixar mais do que esse percentual no comedouro por mais de três dias, procure ajuda de um veterinário.

Pet gordinho não é sinal de saúde
Ainda há pessoas que acreditam que oferecer bastante comida ao pet o deixará feliz e bem nutrido. No entanto, essa percepção pode ser extremamente prejudicial para o animal e causar obesidade. Hoje, 45% da população canina do Brasil estão acima do peso, então, fracionar as refeições do pet e oferecer a quantidade adequada é essencial para garantir bem-estar, saúde e longevidade.

Mudança de alimento
Mudar o tipo de alimento que o pet está consumindo não é o primeiro passo ao perceber que ele está com menos apetite. Antes disso, é preciso levá-lo ao veterinário. Perceba também que, se o pet mudou o alimento, a quantidade diária de comida pode diminuir. Isso ocorre quando a nova opção oferece mais energia, o que garante saciedade com uma quantidade menor de alimento.

Alimentação forçada
Não force a ingestão do alimento, isso pode estressar o animal e causar uma rejeição ainda maior.

Fonte: veterinária Márcia Fernandes, da Total Alimentos

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Um dos rins do gato persa de 15 anos deixou de funcionar - mudanças nos hábitos do animal devem ser investigadas pelo veterinário (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)

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