Após campanha na internet, pai de belo-horizontina conquista novo emprego

Carol Furtado fez uma página para divulgar o currículo profissional e 'afetivo' do pai, de 61 anos, que buscava um novo emprego. E ele conseguiu. A ideia agora é ampliar o projeto

por Letícia Orlandi 12/06/2014 11:28

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Arquivo Pessoal
Carol com os pais, Paulo e Fátima: página deu resultado em menos de um mês (foto: Arquivo Pessoal)
Desde a última segunda-feira (9), Paulo Furtado, de 61 anos, começou em um novo emprego, com carteira assinada. Ele é o novo projetista de geologia e geotecnia da Consultoria Empresarial Pública e Privada (Cone PP), empresa de Belo Horizonte que atua no setor de obras voltadas à infraestrutura urbana e de saneamento. Bem, essa história nada teria de especial, se Paulo não fosse o pai de Carol Furtado, designer que criou a página 'Meu pai não merece um emprego?', no último mês de maio.


O site comove e apresenta de forma diferente o currículo do especialista em desenho técnico de arquitetura e topografia, que estava desempregado há quase dez meses. Carol relatou as brigas e desentendimentos causados em casa pela rotina do pai, com hábitos característicos de quem é devotado ao trabalho e ao valor do compromisso, do horário e do respeito. A ideia, inusitada, deu certo. A iniciativa chamou a atenção dos sócios da empresa e Paulo conquistou um novo trabalho, fixo, exatamente como queria. Para completar, ele foi muito bem recebido pelos novos colegas. “Ficamos muito felizes. Foi a prova de que existe uma corrente do bem de verdade, mesmo com essa avalanche de coisas ruins que vemos todos os dias. Descobri que muita gente não está só interessada em compartilhar baboseiras, sabe”, comemora Carol.

A jovem agora pretende ampliar o projeto - que começou como algo pessoal, mas tem potencial para alcançar muitas pessoas. “Isso tudo fez com que eu percebesse que é preciso dar voz e forma às boas ideias. A obsolescência programada, que antes era só dos objetos – eletrodomésticos que duram cada vez menos, por exemplo; eletrônicos que ficam ultrapassados num piscar de olhos – chegou às pessoas. Antes, um profissional 'de carreira' era supervalorizado. Mas, agora, isso está ficando cada vez mais raro. O que é gravíssimo. Afinal, mesmo diante de vários problemas que temos em nosso país, sabemos que a expectativa de vida do brasileiro aumentou. O que vamos fazer com essas pessoas que estão sendo sumariamente descartadas?”, provoca a designer, que é gerente de Projetos Digitais na Filadélfia Comuniçação.

Com esses pensamentos fervilhando na cabeça, Carol adiantou ao Saúde Plena que pretende criar agora o "nossos pais merecem um emprego", um portal de divulgação de pedidos de esposas, irmãos e filhos. “Ou filhas, como eu. A ideia é que seja uma plataforma gratuita, para tornar essas pessoas – que foram marginalizadas pela idade - visíveis e permitir que elas conversem entre si também. Com ajuda de amigos e parcerias com organizações não governamentais, pretendo lançar ainda em 2014”, conta, animada, a jovem profissional que perguntou se o pai merecia um emprego.

Pelo visto, a resposta é que não só ele, mas muitos profissionais com experiência e garra, merecem superar os preconceitos e retomar seu lugar no mercado de trabalho.

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