Astrologia: adeptos garantem que ela é ferramenta poderosa para o autoconhecimento

De acordo com os estudiosos, o estudo metódico da astrologia nada tem a ver com o horóscopo. Veja alguns mitos e verdades

por Revista do CB 07/06/2014 13:30

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Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Tábata Nunes vê um lado terapêutico nos astros: 'sinto uma maior conexão com meu propósito na vida' (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
A astrologia sempre foi muito controversa. Há adeptos e críticos aos montes. Existe também grande desconhecimento ao redor desse estudo da relação entre os ciclos da natureza e a vida humana. O principal objeto dessa ciência esotérica milenar, é claro, são os astros e suas posições na abóbada celeste. São 12 os signos solares, um para cada mês do ano, com nomes derivados de lendas e deuses mitológicos.

O equívoco mais comum é confundir astrologia com vidência. Adivinhação não faz parte do sistema. Com relação ao destino de cada um, o estudo dos astros só tem a oferecer um panorama de características e tendências possíveis do indivíduo.

Um argumento corriqueiro de quem rechaça a astrologia é a falta de identificação com o signo solar (posição do sol no momento do nascimento). Na verdade, o sol é uma parte relativamente pequena do todo desenhado pelo mapa astral. Nele, temos uma projeção ampla que leva em conta data, hora e local do nascimento em relação ao universo. Dessa análise, resulta uma espécie de impressão digital cósmica da pessoa.

"Uso (o mapa astral) para momentos de decisão ligados a trabalho e vida amorosa" Nazareno Stanislau Affonso, arquiteto
Nessa lógica, não é simplesmente o signo que define as predisposições de personalidade. Há de se levar em conta o ascendente, a lua, as casas e os planetas que regem cada signo. Programas de internet — pagos ou não — fazem esse tipo de serviço. Um astrólogo profissional pode ajudar a interpretar um mapa e mostrar mais detalhes.

“(A interpretação astrológica) depende muito dos planetas e de outros signos que compõem o mapa. Muitas pessoas não se identificam com o signo porque a informação é muito restrita. Elas precisam fazer um mapa astral”, explica o astrólogo Maurice Jacoel, que trabalha com astrologia há 34 anos. Ele é um entre muitos em Brasília. Apesar das objeções, essa forma de conhecimento continua despertando interesse. Existem, na cidade, diversos cursos e oficinas que oferecem formação em astrologia.

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'Uso (o mapa astral) para momentos de decisão ligados a trabalho e vida amorosa' - Nazareno Stanislau Affonso, arquiteto (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Entusiasta declarada da astrologia, a promotora de eventos Tábata Nunes, 38 anos, acredita que o estudo dos astros pode trazer um equilíbrio maior à vida. “Sinto uma maior conexão com meu propósito na vida, aprendi a compreender melhor minhas características físicas, emocionais e mentais. Tenho maior entendimento sobre a influência dos astros sobre o nosso comportamento e a nossa existência”, afirma.

O primeiro contato com a ciência veio por meio de uma amiga. Aprofundou-se aos poucos e, hoje, consulta-se com um astrólogo pelo menos uma vez ao ano. Ela acredita que a astrologia mexe com o emocional. “Isso faz a vida mais leve. Na minha, fez uma enorme diferença ter acesso a esse conhecimento”, diz. Às vezes, os usos são mais pragmáticos, isso inclui interrogar os astros sobre viagens, projetos, negócios e decisões.

Sinastria
Se o objetivo é avaliar como duas pessoas interagem, é valido fazer a sinastria, ou seja, a combinação dos mapas de ambas. São identificados todos os pontos e planetas que influenciam a relação. Os astrólogos apontam essa como uma ferramenta muito útil para casais e familiares em geral.

O mapa do autoconhecimento
O arquiteto Nazareno Stanislau Affonso, 66 anos, também busca esse planejamento. “Faço minha revolução anual. Sou orientado em qual cidade devo passar meu aniversário, pois isso influencia no ano. Faço minhas anotações das datas mais significativas e, em momentos mais tensos ou de felicidade, consulto o mapa anual. Uso também para momentos de decisão ligados a trabalho e vida amorosa.” Além disso, o arquiteto tem às mãos o mapa dos filhos e o da mulher.

Nazareno garante que a astrologia o ajuda a entender suas características pessoais e até a forma como atua profissionalmente. Mas, o que é revolução anual? É o mesmo que revolução solar e é feita da data do aniversário até o aniversário do próximo ano. Trata-se de um “trajeto”, ou seja, coloca-se em movimento a configuração astral e as mudanças quantitativas e qualitativas que surgirão no caminho.

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'Para mim, é uma coisa muito simbólica. Eu acredito muito que o universo é todo feito da mesma energia. O que tem lá do lado de fora é o mesmo que tem aqui, do lado de dentro' - Berenice Duarte, advogada (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
"Para mim, é uma coisa muito simbólica. Eu acredito muito que o universo é todo feito da mesma energia. O que tem lá do lado de fora é o mesmo que tem aqui, do lado de dentro" Berenice Duarte, advogada
Já a advogada Berenice Duarte, 60 anos, mantém seu interesse por astrologia aceso há mais de quatro décadas. A pesquisa começou por mera curiosidade. Depois, vieram os cursos e o aconselhamento com astrólogos profissionais. “Para mim, é uma coisa muito simbólica. Eu acredito muito que o universo é todo feito da mesma energia. O que tem lá do lado de fora é o mesmo que tem aqui, do lado de dentro”, acredita.

A relação com astrologia é levada para a vida cotidiana. A advogada tem duas filhas do mesmo signo. Segundo ela, o mapa astral das duas é diferente e isso se reflete na personalidade delas. Graças à carta astral, Berenice diz ter aprendido a lidar com as diferenças e, também, com a parte emocional das duas. Virginiana, ela acredita que a astrologia serve para reconhecer o próprio comportamento e buscar equilíbrio. A advogada afirma ainda que não lê horóscopo. “Gosto de ver meus trânsitos astrológicos, minha lua, meu mapa individual”, critica.

O astrólogo e matemático José Roberto Calaça compartilha a opinião que os horóscopos simplificados desvalorizam o saber astrológico. “Não é só aquilo, a astrologia é formada por ângulos entre os planetas. Há posições, hora de nascimento, até os minutos têm significado. E quem sabe disso? É pouca a informação que as pessoas têm.”

E como achar um bom astrólogo? Não existe uma receita. Geralmente, os interessados se guiam por referências. Vale observar o currículo e o “tempo de estrada” do profissional. Em Brasília, uma consulta custa em torno de R$ 300. Acima de tudo, lembre-se: astrológo não é vidente.

Alguns pontos a se observar:
Astrologia não é vidência. É uma ferramenta de autoconhecimento.

Não existe signo difícil. Cada um tem suas características e peculiaridades.

Não existe compatibilidade/incompatibilidade de signo. O ideal é fazer uma sinastria, ou seja, comparar o mapa astral das pessoas envolvidas.

Pessoas do mesmo signo podem ser completamente diferentes.

Ninguém adquire a personalidade do ascendente depois dos 30 anos.

Astrologia e horóscopo são coisas diferentes.

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