Estudo mostra que dromedários transmitem vírus MERS aos humanos

Dados sugerem que animal foi a fonte de infecção por MERS de um doente que esteve em contato com as secreções nasais do bicho

por AFP - Agence France-Presse 05/06/2014 08:58

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AFP PHOTO/Alfredo ESTRELLA
Fotógrafo registra filhote de dromedário em zoológico do México: estudo sugere que os animais são agentes intermediários da infecção (foto: AFP PHOTO/Alfredo ESTRELLA )
Um estudo genético apresentou a primeira evidência direta de que o coronavírus MERS é transmitido aos humanos por um dromedário da Arábia Saudita, segundo estudo publicado esta quarta-feira.

"Os dados sugerem que um dromedário foi a fonte de infecção por MERS de um doente que esteve em contato com as secreções nasais deste animal", escreveram os autores destes trabalhos, publicados na revista médica americana New England Journal of Medicine (NEJM).

A presença de "sequências genéticas idênticas" no coronavírus isolado do doente (um saudita de 44 anos que morreu vítima da infecção em novembro de 2013) e do dromedário de sua propriedade "sugerem uma transmissão direta entre este animal e o indivíduo, sem outra fonte intermediária", afirmaram.

Os cientistas sauditas estabeleceram, ainda, que o dromedário e os outros oito que o homem possuía tinham sido infectados com o MERS antes de entrar em contato com o paciente.

O estudo sugeriu, ainda, que estes dromedários eram agentes intermediários da infecção, pois eliminaram o vírus do organismo após terem tido sintomas como secreções nasais.

Os cientistas mencionam os morcegos como possível fonte animal do MERS. Os coronavírus estão muito estendidos entre os animais e podem infectar outros morcegos, roedores e aves silvestres.

O saudita infectado foi internado no hospital no começo de novembro de 2013, com dificuldades respiratórias severas, uma semana depois de ter tido contato direto com um de seus dromedários.

O MERS é um primo do vírus responsável pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAS), mais letal, porém menos contagiosa, que matou cerca de 800 pessoas em todo o mundo em 2003.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, em meados de maio, que não declararia o estado "de emergência de saúde pública em nível global" diante da ausência de provas de uma transmissão do vírus de uma pessoa a outra, embora tenha afirmando que a gravidade da situação tinha "aumentado em termos de impacto sobre a saúde pública".

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