Moradores de Leandro Ferreira se unem nas preces por Renata, de 13 anos, que aguarda transplante

Renata está com quadro crítico mais estável; ela recebeu a visita de Matheus, adolescente que ganhou um novo coração também aos 13 anos

por Jefferson da Fonseca 28/05/2014 07:58

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Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Matheus, transplantado há dois anos, e o pai, Nionaldo, visitaram Renata e a mãe, Juliana, ontem (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Leandro Ferreira, na Região Central de Minas, está em oração. Só um transplante de coração devolve o futuro à mocinha que sonha viver. Na noite de segunda-feira, um possível doador quase findou parte do drama da menina Renata Lara de Oliveira, de 13 anos. Peso, saúde, distância, tudo conta. Não deu. A luta continua. Na Igreja Matriz de São Sebastião, os devotos de Padre Libério (1884-1980) – religioso de vida piedosa, considerado santo na região – pedem em terço pela sorte da família. Mãe e filha, leandrenses, estão em batalha longe de casa há 37 dias, no centro de tratamento intensivo (CTI) pediátrico do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG), em Belo Horizonte.

Juliana Alves, de 31, acompanhante 24 horas de Renata, está afastada das filhas mais novas Maria Cecília, de 7, e Ana Luiza, de 6. Distância que aumenta ainda mais o peso da luta pela salvação da filha mais velha, abatida por insuficiência cardíaca de último nível. As irmãs Marina Luisa Pereira Slika, de 20, e Giovana Maria Pereira Slika, de 17, estiveram ontem no HC para levar mensagens de fé do município, com pouco mais de 3 mil habitantes, em prece pela filha da terra em apuros. Nas mãos de Giovana, escapulário abençoado: “É para fortalecer a Renata. Estamos todos unidos pela fé em Deus e em Padre Libério. Vai dar tudo certo e ela vai ficar bem”, sorri.

Na tarde de visitas, mensagens de otimismo e de esperança. O comerciante Vinícius de Araújo, de 49, pai de Maria Clara, de 15, com diabetes, esteve no HC para oferecer ajuda. “Quero saber se a mãe está bem. Se precisa de alguma ajuda. Imagino um pouco do drama que ela está enfrentando”, diz. “Você poderia entregar uma coisa à família dela?”, pergunta à Giovana. “Claro”, ela responde. Vinícius, visivelmente emocionado, deixa quantia em dinheiro embrulhada em mensagem de paz e bem. Vai embora, dizendo-se também em corrente de oração por Renata.

COMOÇÃO NO CTI
A visita mais esperada do dia, no HC, não demorou para chegar. Matheus Lucas de Oliveira Leite, de 15, na companhia do pai, Nionaldo José Gonçalves Leite, de 38, estava ansioso por conhecer a menina Renata. Matheus, em 2012, foi salvo por transplante muito comemorado em Minas Gerais. Foi o 100º caso do hospital de muitos sucessos. Logo que cruzou a portaria do CTI pediátrico, a moça de branco, médica de plantão, abriu sorriso e disse: “Todos aqui, equipe e pacientes, estão precisando muito ver você, Matheus”.

Tímido, Matheus correu os olhos pelo lugar de agonias que ele conheceu muito bem. Sabe, pelos milagres celebrados ali, que é lugar de felicidades também. “Não me lembro muito bem. Mas é muito forte estar aqui”, diz, com os alhos azuis baixos, cheios de luz. Nionaldo também suspira ao relembrar a paisagem do que realmente tem importância. “O Matheus passou por quase todos os leitos”, aponta, comovido. O sorriso do comerciante é largo, de alegria e solidariedade. É abraçado por integrantes da equipe plantonista como velho e querido conhecido.

“Ele ficava 24 horas ao lado do filho, sem perder a esperança em momento algum”, relembra a doutora Adrianne Leão Sete e Oliveira, pediatra intensivista. Nionaldo tem muito a dizer a Juliana, mãe de Renata. Aproxima-se com o carinho de quem sabe da angústia da espera por um doador: “Ela vai ficar bem. O Matheus está aqui. Temos que acreditar e não podemos perder a fé”, diz.

Renata, com quadro crítico mais estável do que na noite de anteontem, passou batom para o horário da visita. Também reuniu forças para sorrir esperança. Ao lado do leito, Matheus não conseguiu dizer palavra. Ainda mais quando viu os olhos marejados da menina, sensibilizada com sua presença. Cena para não esquecer. No leito de número sete, de canto, ao lado de bebê também em luta pela vida, expectativa e sucesso, juntos, dobraram os mais fortes.

Ali, com o coração da menina se esvaindo, a fração do instante faz pesar o tempo e aumentar a urgência de um doador. Qualquer notícia, ainda que distante ou de chance remota de possíveis doadores, é festejada como o renascimento. Pelo tempo de transplante e pela gravidade da situação, Renata está no alto da lista de espera. Enquanto a boa nova não vem, uma cidade de fé e bom coração está de joelhos diante de seu principal santo protetor.

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