Especialistas sugerem produzir próprio alimento e fugir dos falsos produtos integrais

Para fugir de produtos que se dizem integrais mas não são, especialistas em nutrição sugerem que as pessoas produzam as refeições ou pesquisem a fundo os rótulos

por Paula Takahashi 25/05/2014 08:39

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Tulio Santos/EM/D.A Press
A fisioterapeuta Laura de Castro inclui a farinha de trigo integral às receitas que ela mesma faz (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)
Nem tudo que carrega o selo de integral no rótulo tem realmente essa composição. Essa tem sido a grande pedra no sapato dos nutricionistas, que apelam, em muitos casos, para a indicação do preparo em casa como forma de garantir as propriedades desejadas. Para quem não tem essa disposição, a alternativa é fazer uma inspeção nas embalagens para ter mais segurança sobre o que se está comprando.

Para isso, uma boa análise da lista de ingredientes utilizados no preparo do produto é fundamental. “Não é a tabela nutricional, mas sim a descrição dos ingredientes que deve estar na mira do consumidor. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que os itens apareçam por ordem de concentração. Aqueles com maior proporção no alimento devem ser informados primeiro”, orienta a nutricionista especialista em nutrição funcional Glesiane Alves.

Portanto, para ser classificado como integral, é preciso que a farinha de trigo integral seja a primeira a ser citada nessa lista. “Mas, em muitos casos, o que aparece é farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico. Essa, na verdade, é a farinha branca”, alerta Glesiane. A nutricionista Juliana Castilho lembra que há versões de farinhas apresentadas como enriquecidas com cereais processados. O que também não pode ser enquadrado como integral.

Sem contar as várias opções de biscoitos, pães e massas que, além da farinha integral na composição, ainda possuem a versão refinada entre os ingredientes principais. “A branca dá uma cor mais bonita para o alimento, além de maciez e um sabor mais agradável. Aquele que é 100% integral é escuro e seco. Por isso, muitas vezes, é preciso fazer a mistura”, reconhece Glesiane. Tudo para atrair a preferência do consumidor, que ainda tem resistência ao integral.

A fisioterapeuta Laura Francielle de Castro, de 32 anos, sabe bem disso e, durante muito tempo, consumiu os produtos inadequados. “A farinha de trigo integral não era o primeiro componente e sim a enriquecida com ferro e ácido fólico. Com a ajuda de uma nutricionista consegui eliminar esses alimentos e incorporar os que são realmente integrais. Hoje, minha alimentação é 100% integral”, garante.

Tulio Santos/EM/D.A Press
A nutricionista Glesiane Alves diz que a descrição dos ingredientes deve estar na mira do consumidor (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)


Outra alternativa utilizada pela indústria alimentícia para amenizar a rejeição ao integral é aumentar a quantidade de gordura e sal. “Há alimentos que, para ficarem saborosos, precisam ter maior quantidade de gordura, sal e até de açúcar, e esses nutrientes, em excesso, são prejudiciais à saúde. Então comer um pão integral que tem maior quantidade de fibra é melhor do que o pão feito com farinha refinada, mas se ele tiver mais gordura e mais sal, é necessário consumir com moderação”, pondera a nutricionista Márcia Vitolo, professora associada do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

CAUTELA Não é por serem mais nutritivo que os alimentos integrais podem ser consumidos sem restrição. Ao contrário do que muitos pensam, esses produtos não possuem menos calorias que os refinados e, por isso, devem ter as quantidades reguladas dentro de uma rotina de dieta balanceada. “O consumidor está comendo alimentos mais saudáveis e benéficos tanto na prevenção de doenças como na regulação intestinal, mas a quantidade de calorias em relação ao alimento não integral é semelhante”, garante Eduardo Paulo Coelho Rocha, médico nutrólogo da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Portanto, a ingestão em excesso certamente significará calorias a mais, além de carboidrato e gorduras, ingredientes perfeitos para o ganho de peso. “Se a pessoa consome habitualmente, no almoço, quatro colheres de sopa de arroz branco, ela comerá quatro colheres de sopa de arroz integral. As porções devem ser iguais”, orienta Márcia Vitolo.
A nutricionista Glesiane Alves diz que a descrição dos ingredientes deve estar na mira do consumidor
A nutricionista Glesiane Alves diz que a descrição dos ingredientes deve estar na mira do consumidor

O fato de ser mais saudável também não deve ser usado como motivo para introduzir os integrais na alimentação dos bebês. “O intestino ainda não consegue processar a quantidade de fibra oferecida por esse alimento, que é mais completo”, alerta Juliana. O ideal é introduzir na alimentação dos pequenos que tenham mais de 5 anos, caso contrário, pode causar desconforto abdominal e gases.

Aliás, o desconforto abdominal e os gases podem estar relacionados ao aumento do consumo de fibras, inclusive nos adultos. Para ter melhor atuação e reduzir esses efeitos indesejados, é fundamental consumir bastante água. “No início, é uma reação muito comum, porque há uma fase de adaptação do intestino à nova alimentação. Mas toda fibra deve ser hidratada para ter melhor efeito. Se isso não acontecer, haverá gases e desconforto abdominal”, reconhece Glesiane.

DAQUI PARA O FUTURO

Panificação se prepara

De olho nas tendências de consumo, as padarias estão se preparando para oferecer o produto adequado à demanda dos brasileiros. O projeto Panificação do Futuro, do Sindicato e da Associação Mineira da Indústria da Panificação (Amipão), pretende implantar a panificação fresca nos estabelecimentos. Na esteira desses produtos, também deve aumentar a oferta de opções integrais. “Estamos realizando cursos para produtos frescos e funcionais e temos a expectativa de que este projeto siga até o ano que vem”, afirma Sarah Faria, gerente do projeto. A intenção é que esses alimentos não fiquem restritos apenas às padarias gourmet e mais sofisticadas. “Já há uma onda de agregar elementos funcionais como as sementes, mas a maioria ainda trabalha com o pão francês tradicional”, reconhece Sarah. Daqui para frente, a expectativa é de que cada vez mais empresários reconheçam a importância dos produtos naturais e funcionais e os agreguem ao mix do estabelecimento.

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