Você gostaria de parar de consumir alimentos com agrotóxico? Curso de horta caseira acontece de graça em BH neste sábado

A ideia da horta caseira é funcionar como uma dispensa que se renova e segue o ritmo que cada planta leva para se tornar adulta

por Valéria Mendes 22/05/2014 09:00

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Arquivo Pessoal
Marcelo Ramos dos Santos, 47 anos, e os filhos Natalie, 19, e Thiago, 14 (foto: Arquivo Pessoal )
No ano passado, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que 29% dos alimentos consumidos no Brasil têm resíduo de agrotóxico. Também foi identificada a presença de dois defensivos agrícolas - o azaconazol e o tebufempirade – nunca registrados no Brasil e que poderia indicar que alimentos entraram no país contrabandeados. Pimentão, cenoura, pepino e alface ocupam as primeiras posições dos alimentos com maior número de amostras com irregularidades (saiba mais aqui).

Atenção! O número de telefone para inscrições no curso de horta caseira foi alterado no fim da matéria.

Bancário aposentado, Marcelo Ramos dos Santos, 47 anos, é casado e tem dois filhos. Um problema de saúde há mais ou menos dois anos despertou o interesse dele pela busca de hábitos mais saudáveis. Um ardor constante na coluna – em função da fibromialgia -, seguido de problemas intestinais e de hemorroida fizeram com que o pai de Natalie, 19 anos, e Thiago, 14, começasse a plantar os próprios alimentos. A família mora em uma casa em Belo Horizonte e hoje acumula mais de cem vasos plantados, canteiros variados e árvores diversas de frutas. “Meu contato com a horta caseira melhorou meu estado de saúde”, afirma.


Centro de Pesquisas Mokiti Okada/Divulgação
Coordenadora da Fundação Mokiti Okada em Minas Gerais sugere iniciantes a começar pela alface: "É uma planta mais fácil de cuidar, que a pessoa vê o resultado rápido e vai se sentir motivada ao observá-la se desenvolver. É muito prazeroso" (foto: Centro de Pesquisas Mokiti Okada/Divulgação)
Hoje ele integra o programa ‘Horta em Casa e Vida Saudável’, da Fundação Mokiti Okada - M.O.A. como fornecedor de mudas a serem repassadas a iniciantes interessados em semear, plantar e colher a própria comida. Coordenadora da fundação em Minas Gerais, Rosamara de Souza Gonçalves avisa que a horta caseira pode existir em qualquer espaço, isso inclui apartamento. “Um dos conceitos desse programa é desfazer a ideia de que, para plantar, é necessário um grande espaço”, explica. Só em Minas Gerais, o projeto já conseguiu orientar dois mil praticantes que estão sendo acompanhados periodicamente por especialistas.

Para começar, terra e vaso de planta. Para cultivar, água e sol. Para colher, cuidado, amor e respeito pela terra. “A terra é um corpo vivo. Independentemente de estar num vaso ou no chão, ela tem o mesmo valor”, salienta Rosamara. Para os seguidores do estilo de vida proposto por Mokiti Okada, japonês nascido em Tóquio e que viveu até 1955, o alimento cultivado sem qualquer produto químico oferece – além dos nutrientes e calorias – o que eles chamam de energia vital. “A planta absorve essa energia do sol, da água e do solo. A energia vital é a manifestação dessa força”, explica a coordenadora da M.O.A. em Minas.

Em longo prazo, a ideia da horta caseira é funcionar como uma dispensa que se renova e segue o ritmo que cada planta leva para se tornar adulta. “A única matéria orgânica que poderia ser utilizada no modelo de horta caseira proposto por Okada é o uso de folhas secas. Não usamos nem adubo animal, apenas o que nasceu da terra”, explica Rosamara. Dentro dessa perspectiva, não existiria terra fraca. “O ser vivo vai responder como ele é tratado. Qualquer hortaliça e qualquer legume podem ser plantados em vasos, o importante na horta caseira é respeitar a terra como um ser vivo”, sintetiza ela.

Para quem tem interesse, Rosamara sugere começar pela alface. “É uma planta mais fácil de cuidar, que a pessoa vê o resultado rápido e vai se sentir motivada ao observá-la se desenvolver. É muito prazeroso”, diz. Ela revela a própria experiência com o cultivo da hortaliça. “Cultivei um pé de alface num vaso de planta. Somos três pessoas na minha casa e usamos a verdura em três refeições distintas. A textura do alimento orgânico é diferente. O sabor e o cheiro também”, descreve. Outra sugestão é que a própria semente da hortaliça seja usada no replantio. Rosamara faz um alerta aos desavisados: “Em Belo Horizonte só temos uma marca de sementes que é orgânica”.

Centro de Pesquisas Mokiti Okada/Divulgação
Um dos objetivos do curso de horta caseira é mostrar que, para plantar, não é necessário um grande espaço (foto: Centro de Pesquisas Mokiti Okada/Divulgação)
No Brasil, consumir alimento orgânico é caro. Por isso, a horta caseira pode ser uma alternativa para as famílias que têm essa preocupação, mas que não têm dinheiro para bancar esse padrão de consumo. “Depois que alguém experimenta o sabor de um alimento orgânico, passa a demandar – enquanto consumidor – produtos naturais. E é essa consciência de quem compra que vai mobilizar o mercado a oferecer cada vez mais alimentos livres de agrotóxicos e consequentemente, mais baratos”, defende. “Não é a quantidade de alimento que deixa as pessoas vivas. Pelo contrário, é a qualidade. Você sabia que ao optar por produtos inorgânicos você está consumindo quatro quilos de agrotóxico por ano?”, pergunta Rosamara.

Com o objetivo de formar novos adeptos da horta em ambiente doméstico, a Fundação Mokiti Okada promove, no próximo sábado (24), um curso gratuito sobre como começar. O encontro acontece na Rua Ouro Preto, 756, em Belo Horizonte entre 9h30 e 17h15. Para se inscrever, entre em contato no (31) 3337-6469 ou (31) 3292-2036.

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