Calistenia é antiga técnica para tonificar o corpo, conheça

São exercícios que usam o peso do corpo como carga e que devem ser precedidos de alongamentos caprichados, de modo a aquecer os músculos e preparar as articulações

por Rafael Campos - Encontro BH 17/05/2014 14:00

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Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Grupo Street Workout Brasília promove treinos abertos (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Talvez você nunca tenha ouvido falar em calistenia. O nome é pouco familiar, mas não a prática. Trata-se daquele tipo de ginástica muito comum em aulas de educação física do ensino médio. São exercícios que usam o peso do corpo como carga (flexões e abdominais, por exemplo), às vezes com o uso de bastões e de música para marcar o ritmo. Essa abordagem foi idealizada pelo suíço Phoktion Heinrich Clias no século 19 e se tornou popular no mundo todo. Hoje, seus princípios estão incorporados a modalidades “modernas”, como o cross fit, o treino funcional e o street workout.

De acordo o educador físico Marcelo Ferreira Miranda, membro do Conselho Federal de Educação Física (Confef), a calistenia foi pensada para homens, mulheres e crianças não atletas. Ao ser introduzida nos EUA, passou a ser sinônimo de ginástica feminina. Porém, não tardou a despertar um interesse mais amplo. “O treino envolvia movimentos rápidos, ritmados e com paradas bruscas, executados ao som de música”, detalha o especialista.

As sessões de calistenia devem ser precedidas de alongamentos caprichados, de modo a aquecer os músculos e preparar as articulações. “Só assim você evita riscos de lesão”, avisa Luiz Otávio, fundador do grupo Calistenia Brasil. Apesar do alerta, a possibilidade de se machucar é inferior à da musculação. “Na calistenia, não existe o perigo da sobrecarga, pois o peso é o da própria pessoa. Além disso, trabalhamos muito o fortalecimento articular”, conta o atleta. Sem aparelhos, a mobilidade é total. “Esse é um grande diferencial: você pode praticá-la na praia, quando estiver viajando. Basta ter força de vontade”, assegura.

Ricardo Cordeiro, membro do Conselho Regional de Educação Física e master trainer em ginástica natural, confirma o bom momento da calistenia no Brasil. Segundo ele, os praticantes buscam treinamentos mais focados no aspecto funcional do que no estético. “Eles estão interessados na utilidade do movimento na vida deles; querem aprender a fazer agachamento total, por exemplo. Isso traz mais autonomia, porque eles aprendem a lidar com o próprio corpo. Não adianta ser forte e não conseguir amarrar os sapatos por não conseguir agachar”, aponta.

De fato, o método tem a vantagem de trabalhar globalmente o corpo. Mas, como toda atividade física, não é milagroso. “Não existem atalhos. É preciso ter uma alimentação saudável, dormir corretamente e treinar da maneira adequada. Mas a calistenia oferece uma vertente motivacional maior, porque cria um desafio pessoal”, reforça Ricardo Cordeiro. Vale lembrar que ela pode ser um treino complementar à musculação convencional.

Opção outdoor
A calistenia ganhou as ruas com o street workout. Os fundamentos são idênticos, mas a nova modalidade pretende explorar as possibilidades dos espaços abertos. “Pratiquei ginástica olímpica durante muito tempo. Quando assisti a vídeos de street workout na internet, vi que eu já fazia algo parecido. O mais interessante é que o nível de dificuldade é maior, já que usamos nosso corpo como medida”, afirma o estudante Lucas Ogliari, 20 anos.

Ele faz parte do grupo Street Workout Brasília, que, desde o ano passado, reúne praticantes e interessados em conhecer essa prática. “O treinamento aeróbico é muito maior do que aquele feito apenas na academia porque trabalha, ao mesmo tempo, respiração e musculatura. Isso facilitou a queima de gordura e eu ganhei muito mais resistência”, garante Lucas.

Tiago Karl, criador do grupo, convida todos a experimentarem o esporte, ainda pouco difundido no DF. “Estamos buscando mais apoio, até porque pretendemos fazer uma edição do campeonato nacional aqui, em Brasília”, adianta. Os encontros são abertos e ocorrem sempre no segundo domingo do mês, no Parque da cidade, ao lado da administração. Hoje é dia: o agito começa às 15h30.

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