Artroscopia nos pés e tornozelos é cada vez mais utilizada para evitar procedimentos invasivos

Congresso internacional apresentou as últimas novidades na área, algumas técnicas poderão ser utilizadas em Belo Horizonte

por Augusto Pio 10/04/2014 16:00

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Procedimento utiliza microcâmeras para visualizar a articulação sem ter que abri-la. Essa técnica é largamente utilizada nos joelhos e nos ombros e agora está se transformando em rotina nos tornozelos e nos pés (foto: sxc.hu)
O maior congresso de ortopedia e traumatologia do mundo – American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS) – foi realizado em março, em New Orleans, nos Estados Unidos. Segundo o ortopedista Wagner Vieira da Fonseca, chefe do Departamento de Cirurgia do Pé e Tornozelo do Hospital das Clinicas da UFMG, o congresso foi uma oportunidade de fazer um intercâmbio de conhecimentos, “uma vez que a ortopedia brasileira está alinhada com todos os grandes serviços mundiais”, diz o especialista.

Jair Amaral/EM/D.A Press
Wagner Vieira da Fonseca diz que uso de tecnologia possibilita visão ampla da superfície articular (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Wagner Vieira destaca, entre outras novidades, a utilização, cada vez maior, da artroscopia nos pés e tornozelos. “É um procedimento no qual se utilizam microcâmeras para visualizar a articulação sem ter que abri-la. Essa técnica é largamente utilizada nos joelhos e nos ombros e agora está se transformando em rotina nos tornozelos e nos pés.” O especialista ressalta que as cirurgias realizadas hoje por artroscopia até há uns dois anos eram invasivas (com incisões). “Atualmente, a artroscopia é feita nos casos de reconstrução de ligamentos do tornozelo em pessoas que torcem frequentemente essa articulação; artrodese do tornozelo (fusão articular – cirurgia que precisava fazer grandes acessos, ocasionando muitos problemas de cicatrização); remoção de corpos livres (fragmentos soltos de osso ou cartilagem no tornozelo); artrodese subtalar (fusão articular de outras articulações no pé e não somente no tornozelo); sinovectomia (especialmente nos pacientes reumáticos – ressecção de membrana com inflamação crônica intra- articular, que leva à deterioração da superfície articular); halux rigidus e artrodese do hálux (desgaste articular do dedão do pé).

A redução de fraturas dos tornozelos e pés foi apontada pelo ortopedista como um dos maiores avanços abordados durante o congresso. “Muitas fraturas dos tornozelos e dos pés comprometem a superfície articular e, geralmente, mesmo abrindo, não se consegue ter uma visualização adequada da superfície articular, especialmente na região anatômica mais posterior. Com o uso das microcâmeras da artroscopia, introduzidas por cânulas de 2mm a 4,5mm de espessura, pode-se ter uma visão ampla de toda a superfície articular e não se deixar nenhum milímetro de desvio. Isso vai definir o futuro da superfície articular e se haverá ou não uma sequela numa fratura de tornozelo ou do tálus (osso que articula com a tíbia). Neste último ano tem-se utilizado cada vez mais essa técnica e o resultado, em termos de ganho de mobilidade articular, cicatrização e controle da precisão da redução tem sido muito maior.”

Wagner Vieira esclarece que um grande serviço de Vancouver, no Canadá, mostrou um trabalho com ótimos resultados na utilização da artroscopia na redução das fraturas do tornozelo e fraturas, até então operadas todas com a técnica usual, com excesso de incisões. “Com o controle artroscópico, os cortes forem reduzidos com a introdução simplificada de placas.” O ortopedista mineiro acrescenta que a artroplastia total do tornozelo também evoluiu, inclusive no Brasil. “Trata-se da substituição cirúrgica da superfície articular nos casos de artrose (desgaste da cartilagem articular) do tornozelo. No Brasil, a Anvisa está liberando a utilização de próteses totais do tornozelo, mas, nos Estados Unidos, esse tipo de cirurgia é feito há vários anos.”

A substituição da superfície articular por uma articulação mecânica interna mantém a mobilidade articular e é indicada nas pessoas de mais idade (de preferência acima de 65 anos), em vez de se realizar a fusão articular. Sua indicação é precisa e dá bons resultados. Já a artrodese (especialmente a realizada por artroscopia) também retira a dor da articulação comprometida e é mais indicada para as pessoas mais jovens. O treinamento em laboratórios e o acompanhamento de grandes serviços norte-americanos já estão sendo realizados e, dentro em breve, começarão a ser feitos em Belo Horizonte”, diz o médico.

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