"Meu marido podia ser preso se eu não fosse para o hospital", declara mãe obrigada a fazer cesariana no Sul

Emerson Guimarães, casado com Adelir Carmem Lemos de Góes, gravou depoimento da esposa ainda no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres, no Rio Grande do Sul, onde ela conta detalhes do que aconteceu na madrugada em que foi retirada de casa por oficial de justiça, polícia e ambulância

por Valéria Mendes 03/04/2014 10:17

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Adelir diz que aceitou ir para o hospital porque o marido poderia ser preso. "Eu me sinto frustrada", declara em vídeo
A mãe que foi obrigada pela justiça do Rio Grande do Sul a fazer uma cesariana gravou um depoimento em que narra o que aconteceu na madrugada em que foi retirada de casa por um oficial de justiça acompanhado de policiais para garantir que o mandado judicial fosse cumprido. O caso, que aconteceu na cidade de Torres, ganhou repercussão internacional e mulheres e homens se mobilizaram na internet com a campanha #NãoMereçoSerObrigadaAFazerCesárea. Clique aqui e entenda o caso.

O vídeo foi gravado no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes e o pai da criança, Emerson Guimarães, autorizou a publicação no Portal Uai. Com duração de pouco mais de 4 minutos, Adelir Carmem Lemos de Góes segura a filha nos braços e começa dizendo que se sente frustrada: “Na hora que estava de cinco em cinco minutos as contrações, chegou a polícia, chegou o oficial de justiça com viatura, com ambulância. (...) Eles ficaram me aterrorizando dizendo que se eu não cumprisse o mandado meu marido, naquela hora que eu estava precisando dele, iria ser preso”.

Apesar de existir uma lei federal que garante o direito de acompanhante durante o parto, seja na rede pública ou privada do Brasil, Emerson foi impedido pelo hospital de ver o nascimento da filha. Conheça a lei:



Adelir relata ainda que ouviu a médica dizer para outra pessoa que ela já estava com 9cm de dilatação quando chegou ao hospital. Sobre a alegação médica de parto pélvico (quando o bebê está sentado), ela esclarece que avisou que gostaria de uma segunda opinião e que pagaria naquele dia por um exame em uma clínica particular. Depois de se negar a permanecer no local para uma cesariana imediata, Adelir afirma que foi obrigada a assinar um documento como se “estivesse fugindo” do local. “Eu aceitei assinar, mesmo como fugitiva daqui, porque o acordo que eu tinha feito com as enfermeiras do posto era de que eu viria aqui só para ser avaliada e já queriam me segurar para o parto cesárea. Eu assinei para poder sair daqui para tentar entrar em trabalho de parto em casa”, diz.

Já diante do mandado judicial, na madrugada de 1º de abril, a doula que acompanhava Adelir, Stephany Hendz, sugeriu à equipe de saúde da ambulância que ela fosse levada para a cidade de Araranguá, onde tem equipe de parto humanizado e o parto normal poderia ser tentado. “Mas não deixaram e me trouxeram para cá, para Torres”, narra.

“Eu queria estar mais feliz por minha filha estar sadia, mas se fosse trabalho de parto normal eu já estaria em casa – eu tenho uma outra bebê – e o leite teria descido, o leite não desceu até agora porque parto cesárea demora mais o leite descer”, encerra.

Assista:




Se você tem dúvidas sobre a indicação de cesariana, a obstetra e professora da Universidade Federal da Paraíba, Melania Amorim detalha as razões reais e fictícias para o procedimento cirúrgico. Clique e leia.

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