Médicos apontam abraço como gesto de afago que mais aproxima o ser humano

Segredo é fazer dessa atitude um compromisso diário, já que o abraço é saudável e curativo

por Lilian Monteiro 09/03/2014 11:21

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Lelis
(foto: Lelis)

Desculpa, mas você é louco de rejeitar um abraço? Espero que não seja daquelas pessoas que até se enrijecem assim que dão de cara com dois braços abertos. Nada como a sensação de se jogar entre eles. Se tem alguma barreira, se esforce para experimentar. Acho que todos sentem falta de um abraço. E tem tantos, de formas e jeitos diferentes, assim como significados, inclusive o falso. Mas para hoje só o aconchego tem vez. Abraço de carinho, segurança, amparo, na hora da dor e da alegria. Abraço de pai, mãe, amigo e do amor. Abraço que traz paz, calor e excita. Abraço que de simples não tem nada, tanto que não é distribuído por aí a todo momento, como os beijos. Ele aproxima, permite mais contato e exige coragem para se entrelaçar. Só ele permite sentir a respiração e dá a chance de ouvir o coração.

Descubra o remédio que é um abraço. Se já conhece, aproveite para fazer hora extra hoje e distribuir um bocado por aí. A escritora Martha Medeiros, no livro Feliz por nada, num trecho da crônica “Dentro de um abraço” ressalta o seguinte pensamento: “Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve”. Esse gesto é tão simples e tão poderoso que a psicoterapeuta norte-americana Virginia Satir (1916-1988) dizia que “precisamos de quatro abraços por dia para sobreviver; oito para nos manter; e 12 abraços por dia para crescer”.



Estudo da Universidade Médica de Viena, na Áustria, conduzido pelo neurofisiologista Jürgen Sandkühler, mostrou que abraçar reduz o estresse, o medo e a ansiedade, além de promover o bem-estar e melhorar a memória. Já estudiosos da UK’s Manchester Metropolitan University, na Inglaterra, concluíram que os abraços são curativos. Os efeitos se devem à secreção de ocitocina (ou oxitocina) no organismo, conhecida como a “hormônio do amor”, que cai na corrente sanguínea das duas pessoas que se abraçam, relaxando o corpo, diminuindo o ritmo cardíaco, a pressão arterial e os níveis de cortisol (estresse). Comprovação científica? Muitos podem duvidar. Abraço é afago, pode ser delicado, leve, apertado ou intenso. Mais do que se tocar, abraçar é se doar. Talvez por isso perturbe muitos. Pesquisa da Manchester Metropolitan University indicou que cerca de um terço da população não dá ou recebe abraços diariamente. É triste.

A fotógrafa holandesa Marloes van Doorn, em visita à cidade de Kuldiga, na Letônia, sem falar a língua ou conhecer ninguém, decidiu transpor essas barreiras abraçando as pessoas, já que de alguma forma queria conhecê-las. Claro, teve quem se assustou ou ficou sem jeito. Mas muitos sorriram e retribuíram. Os abraços deram origem à série fotográfica I love Kuldiga. Como ela, há pelo mundo várias iniciativas de distribuição de abraços grátis. Como diz o cantor Caetano Veloso, um abraçaço do mestre para lhes dizer: “Ei, hoje eu mando um abraçaço!”.

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