Redes sociais: estudo alerta para uso inadequado de fotos e para o impacto emocional sobre bebês e crianças

Mais de 90% dos pais brasileiros postam imagens de seus bebês nas redes sociais

por Luciane Evans 16/02/2014 07:30

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Arquivo Pessoal
Bella e o pai-coruja, André Tavares, sob os olhares curiosos de familiares e amigos com câmeras e tablets (foto: Arquivo Pessoal )
O sono na maternidade, o sorriso ao acordar, a felicidade do banho, a dor da cólica, o dente nascendo, a primeira mamada do dia, a roupinha dada pela tia torta, o banho de sol com a madrinha do Sul de Minas, o passeio de carrinho com a vizinha, o primeiro dia na escola… Está tudo registrado e postado para ser curtido, compartilhado e, claro, comentado. “Esse bebê está cada vez mais lindo”, repetem as dezenas de amigos, que fazem uma verdadeira torcida a cada nova imagem ali postada. Assim, os pais, orgulhosos da cria, colocam seus filhos nas “nuvens”, que na linguagem tecnológica nada mais é que o uso de serviços de armazenamento de dados na internet disponíveis em qualquer lugar e momento. A prática, que inclui até mesmo a imagem do ultrassom dos bebês, é adotada por 94% dos pais brasileiros e levanta uma questão: até que ponto postar a intimidade dos filhos nas redes sociais é saudável?

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Basta, hoje, observar a timeline de um usuário, a página de notícias do Facebook, que, certamente, haverá fotos de crianças, seja na piscina, dormindo, comendo ou até mesmo assistindo à televisão. O que antes poderia ser visto como algo “fofinho e engraçadinho” virou mania virtual e foi quantificado pela empresa AVG, de segurança e proteção na internet, em uma pesquisa mundial divulgada este mês. O estudo, realizado com 5,4 mil pais de 11 países, incluindo aí o Brasil, mostrou que postar fotos de bebês nas redes socais já é um fenômeno.

Segundo os dados, 81% das mães e pais no mundo postam fotos de seus filhos on-line. A prática é ainda mais exacerbada no Brasil, onde 94% dos pais a adotam. A maioria das fotos postadas (62%) é de bebês de até 1 ano e pelo menos 30% são de recém-nascidos. No Brasil, os pais costumam postar mais fotos de crianças de 3 anos ou mais, e apenas 12% de recém-nascidos.

GRAVIDEZ
Com medo de olho gordo, a estudante Anna Loize, de 21 anos, evitou colocar a foto de sua gravidez nas redes sociais. Mas, bastou Alice vir ao mundo, em 6 de janeiro, para a linda garotinha ganhar as páginas do Instagram e do Facebook. “Comecei postando fotos do dia a dia dela. Muitas pessoas ainda não a conhecem e ficavam na expectativa para vê-la. Então, posto as imagens pelo menos três vezes na semana”, revela Anna, reconhecendo ter um certo receio do que isso pode acarretar no futuro.

Esse medo, segundo os especialistas, tem fundamento. “É claro que, hoje em dia, a postagem da imagem de um filho é algo inevitável”, comenta o diretor de marketing da AVG, Mariano Sumrele, que não critica os pais, mas acha que, nesse assunto, é preciso cautela. Acreditando ser um caminho sem volta, ele comenta que os dados da pesquisa se tornam um alerta para os brasileiros, já que o simples ato de pôr uma foto engraçadinha da criança pode gerar problemas futuros, tanto para a segurança quanto para o psicológico do pequeno. A observação é compartilhada por especialistas, que pedem bom senso aos pais. Mas, como ter esse cuidado? Como conseguir controlar essa vontade de mostrar ao mundo o filho tão esperado? Será possível um meio-termo?

DEPOIMENTO
M.A.R - 35 anos
“As mães e os pais postam fotos de seus filhos em grupos fechados das redes sociais por achar que estão seguros. Mas pedófilos e pessoas maldosas fingem ser mães para ganhar a confiança de outras mães e ter acesso a essas imagens. Fui ingênua. Postava várias fotos do meu bebê e achava que estava segura, mas me enganei. Uma pessoa estranha roubou fotos do meu filho, me vigiou por meses na internet, acompanhou uma parte do desenvolvimento dele sem que eu soubesse e postava as fotos dele como se o filho fosse dela! Cuidado, mamães.”

FIQUE ATENTO
» Nunca poste foto de seu filho sem roupa ou em alguma situação íntima, mesmo que seja grupos fechados.
» Ao postar uma imagem, verifique se não há informações que mostrem onde a criança estuda ou mora.
» Não deixe o seu Facebook aberto ao público.
» Se quer mostrar seus filhos a parentes distantes, crie um grupo fechado, que tenha somente pessoas de confiança.
» Evite os exageros. Não tem nada de mais postar fotos de algum evento, mas isso tem que ser esporádico.
» Ao postar uma imagem, selecione as pessoas que você quer que a vejam.
» Jamais poste fotos que exponha o seu filho. Pense que no futuro isso pode ser usado contra ele.

Se o seu filho já tem idade suficiente para usar a internet, tome os seguintes cuidados:

» Mantenha o computador em algum cômodo da casa em que as atividades da internet possam ser acompanhadas de perto.
» Mantenha uma pasta de sites aprovados pelos pais e que as crianças possam visitar por conta própria, como são os casos de sites educativos.
» Mantenha as crianças fora do Facebook, MySpace, Twitter, YouTube e outras redes sociais e sites para adultos.
» Estabeleça um limite de tempo para o uso do pequeno na internet. Mesmo com a máxima segurança no local, nenhuma criança deve passar mais de uma hora on-line.
» Mantenha seus filhos próximos de você. Converse com eles sempre e tente saber o que está ocorrendo em suas vidas.

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