Excessos na gravidez podem fazer obesidade passar de mãe para filho

Estudo indica que exageros alimentares cometidos durante os três últimos meses da gravidez podem fazer com que os rebentos tenham dificuldade de controlar o peso ao longo da vida

por Flávia Franco 12/02/2014 13:30

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Cuidar da alimentação durante a gravidez e a amamentação é recomendação certa. Evita complicações durante a gestação e os primeiros meses da prole. Um estudo americano publicado recentemente na Cell Press indica que os efeitos da dieta equilibrada são bem mais prolongados. Segundo pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Yale (EUA) e da Universidade de Colônia (Alemanha), filhos de mães com excesso de peso estão mais propensos a terem problemas com obesidade ao longo da vida.

“Nossa pesquisa sugere que gestantes podem exercer grande impacto sobre a saúde metabólica a longo prazo dos filhos ao controlar adequadamente a nutrição durante esse período crítico de desenvolvimento da prole”, disse Tamas Horvath, professor da Universidade de Yale e coautor do estudo. O experimento foi feito com camundongos e indicou que os filhotes de ratas que consumiram uma dieta rica em gordura durante a amamentação desenvolveram circuitos neuronais anormais no hipotálamo, região do cérebro responsável por regular o metabolismo, bem como alterações relacionadas à liberação da insulina.

A prole apresentou anormalidades no metabolismo da glicose e foi envelhecendo com problema de peso. Segundo os pesquisadores, as transformações ocorridas durante a amamentação dos ratos são equivalentes a processos no cérebro de fetos humanos no último trimestre da gestação. Nos bichos, o hipotálamo continuar a se desenvolver após o nascimento, enquanto que nas pessoas ele precisa estar totalmente desenvolvido antes do parto.

Anderson Araujo / CB / DA Press
Clique para ampliar e entender a pesquisa (foto: Anderson Araujo / CB / DA Press)
Os resultados detectados, portanto, ajudam a identificar o momento mais importante na gravidez com relação ao futuro metabólico dos filhos. De acordo com Horvath, nutrientes oriundos da alimentação materna desencadeiam uma série de alterações hormonais que influenciam o desenvolvimento dos circuitos cerebrais da prole. “As mães podem controlar ou até reverter a predisposição dos descendentes para a obesidade e as doenças resultantes alterando sua ingestão de alimentos”, disse o pesquisador.

Famintas
Os últimos três meses da gravidez também são o período em que a mulher fica com mais fome. “Trata-se da fase em que o bebê precisa de mais energia para poder se desenvolver rapidamente”, explica Priscila Cseke, do Hospital Santa Luzia. A nutricionista estima que a vontade de comer fica três vezes maior. “A mulher acaba parando no meio da rua e comprando uma besteira para comer ou comendo o que tem pronto em casa sem se preocupar com a qualidade. Esses alimentos são muito ricos em gorduras e, como tudo que a mãe come vai para o feto por meio do cordão umbilical, a criança nasce mais propícia a alimentos gordurosos.”

O obstetra Jurandir Passos, do Laboratório Pasteur, reforça o alerta. Segundo ele, existem vários estudos científicos indicando que a obesidade na criança depende de fatores aos quais ela é exposta no ambiente intrauterino. “Manter os níveis glicêmicos sob controle é uma das melhores formas de prevenção”, diz. O especialista, porém, ressalta que a fisiologia humana é diferente da dos camundongos, usados no experimento. “Não podemos nunca assumir que o que encontramos de resultado nos animais possa ser automaticamente aceito como verdade para nós”, diz, reforçando, em seguida, a existência de uma relação mais complexa no organismo humano. “A obesidade facilita muito a ocorrência do diabetes gestacional, mas o peso ideal não evita a ocorrência da doença. Os fatores que aumentam os riscos de, no futuro, a criança vir a ser obesa abrangem qualquer gestante”, garante.

Paladar comprometido
O descontrole alimentar durante a gestação afeta também o paladar da prole. Segundo a nutricionista Priscila Cseke, do Hospital Santa Luzia, estudos comprovam que, quando a grávida segue uma alimentação saudável, é mais fácil que o bebê, ao começar a fase da alimentação por via oral, aceite alimentos como verduras e legumes. “Por outro lado, se a alimentação da mulher é rica em gorduras e açúcar, a criança vai rejeitar alimentos saudáveis”, observa.

A especialista explica que a gordura, por si só, não é necessariamente a vilã. O organismo precisa, inclusive, dela para funcionar corretamente. “Basta saber qual tipo de gordura é boa e deve ser ingerida. Além disso, todo alimento tem gordura. Toda carne tem gordura na sua composição, mas algumas mais, como o cupim e a picanha. Deve-se evitar essas e preferir as magras, como peito de frango, coxão mole e filé”, indica.

Outra dica é que, ao preparar comidas em casa, a grávida tente não utilizar grande quantidade de óleo. Pode-se usar o azeite para temperar a salada, indica a nutricionista. Rico em ômega 3, ela ajuda na metabolização das outras gorduras, assim como as castanhas e o abacate. Cseke lembra que esses e outros cuidados alimentares são importantes para o filho, mas também para a saúde da mulher. “Ao evitar a ingestão de açúcar no dia a dia, elas também se previnem de um diabetes gestacional”, exemplifica. (FF)

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