Remo: em uma hora de prática é possível perder até 600 calorias

Prática exige muito esforço por trabalhar a maior parte dos grupos musculares

por Luciane Evans 30/01/2014 12:00

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Euler Júnior/EM/D.A Press
Carmen Lúcia Alves: "Infelizmente, faço apenas uma vez por semana. Não vivo sem minhas remadas" (foto: Euler Júnior/EM/D.A Press)
À primeira vista, parece ser fácil, tranquilo e não exigir muito esforço. Mas basta experimentar uma vez para que toda essa falsa impressão caia por terra. Praticado ao ar livre e frequentemente indicado por médicos, o remo trabalha a capacidade aeróbica, ajuda no ganho de massa muscular e melhora a flexibilidade, além de queimar mais de 600 calorias em uma hora de atividade. Em Belo Horizonte, por muitas vezes esse esporte fica de fora da lista de opções de quem busca iniciar uma atividade física, mas assim que é descoberto parece conquistar um fiel adepto de vida inteira.

Considerado um esporte completo, a prática ainda é pouco conhecida na capital. “Muitos não sabem que a modalidade existe na cidade e tem atraído aqueles que procuram qualidade de vida em meio à natureza”, comenta o educador físico e proprietário do Clube de Regatas Afonso Ligório, Augustus César Ligório. A escola fica na Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima. Augustus explica que o remo é um dos desportos mais antigos e um dos que envolvem um maior esforço físico. “Estudos comprovam que a prática é, juntamente com a natação, o esporte que proporciona melhor desenvolvimento físico geral, usando a maior parte dos grupos musculares do corpo humano: pernas, músculos abdominais, peito, costas e braços”, ressalta.

Com aulas às terças, quintas e sábados, os alunos, apaixonados confessos pelo remo, contam que encontraram no exercício paz e tranquilidade para a mente, saúde para o espírito e qualidade de vida. Para se ter uma ideia, muitos chegam a fazer aulas mesmo debaixo de chuva, tamanha a fidelidade ao esporte. “Meu médico me proibiu de parar”, diverte-se Celedônio de Souza Santos, de 82 anos. Natural da Ilha da Madeira, em Portugal, Celedônio está no Brasil há 37 anos e recorda que, quando era mais jovem, praticava as remadas. Há cinco anos voltou às águas e, quem o vê, aposta alto que sua idade não chega aos 70. “Quando estou remando, sinto que estou em um nível superior da minha mente. Tenho total sensação de liberdade”, diz satisfeito.

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Ariadne Ferreira começou a fazer musculação para evitar lesões no remo (foto: Euler Júnior/EM/D.A Press)
Praticante por três vezes na semana, ele relata que sai do Bairro da Serra, na Região Centro-Sul, e vai para a Lagoa dos Ingleses, onde tem conquistado benefícios, como a manutenção do peso. “Sou engenheiro químico e com essa minha disposição continuo ativo no trabalho.” Não é só Celedônio quem sente essa energia toda. Todos os praticantes se dizem mais dispostos depois da prática, além de ressaltar que os músculos estão mais firmes. “Aquele famoso tchau do tríceps, que as mulheres tanto temem, desaparece”, garante Augustus.

Uma remada exercita as pernas e braços, além do abdômen. O engenheiro Jefferson Vianna Bandeira, de 69, afirma que o melhor é estar em meio à natureza. “Aqui é um lugar maravilhoso. Quando estamos na aula nos esquecemos de tudo.”

De acordo com o educador físico, para a prática não há um limite certo de idade, exceto no casos das crianças. “ Só aceitamos alunos maiores de 12 anos, porque são jovens que estão em fase de crescimento e a prática pode atrapalhar o processo.” Já para os adultos, é necessário, antes de tudo, saber nadar e, depois, um atestado médico para a liberação do exercício.

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Aos 82 anos, Celedônio de Souza Santos é um exemplo de vitalidade: "Quando estou remando, sinto que estou em um nível superior da minha mente" (foto: Euler Júnior/EM/D.A Press)

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A aula dura em média uma hora, sendo que os primeiros 15 minutos são dedicados ao alongamento do corpo. “Um iniciante vai aprender, primeiro, as técnicas básicas, como o manuseio do remo. Depois, aprenderá a manobrar o barco”, conta Augustus, que diz ainda que, atualmente, há 30 alunos na escola e a mensalidade varia de R$ 200 a R$ 350, conforme a quantidade de aulas feitas por semana.

Elas são mais disciplinadas
Se antigamente elas eram minoria na prática, hoje as mulheres estão no mesmo nível dos homens e a procura delas pelo remo está na mesma quantidade. Consideradas mais disciplinadas, elas têm ainda como fator atrativo os contornos que a prática traz para o corpo. “Infelizmente, faço apenas uma vez por semana. Não vivo sem minhas remadas. Estou aqui desde 2011 e sinto saudades quando não venho”, comenta Carmen Lúcia Alves, de 51. Ela e a amiga Ariadne Gomes de Lagos Ferreira, de 50, contam que chegam aos sábados às 6h e não perdem as aulas por nada.


“Saímos do Bairro Cidade Nova, na Região Nordeste. Sempre fui uma mulher sedentária e, no ano passado, me identifiquei com o remo. Além do prazer, a atividade me impulsionou a ir para a musculação, já que para não sofrer lesão tenho que estar com os músculos preparados”, comenta Ariadne.

As duas já chegaram até a participar de competição. “A alta taxa de consumo de calorias, o aumento da massa muscular, o incremento da resistência física, da flexibilidade e da coordenação motora fazem do remo a melhor opção para quem busca no esporte uma fonte de saúde, sem contar que a prática não polui o meio ambiente”, defende Augustus, que sonha em ver a despoluição da Lagoa da Pampulha, para que o remo volte a ser praticado também por lá.

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