Nem aí para o que dizem: veja história de famosas e anônimas que deram o grito de liberdade

Pesquisa 'A verdade sobre a beleza' mostra que 59% das mulheres afirmam sentir pressão para ser bonita

por Juliana Contaifer 17/01/2014 15:02

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Slaven Vlasic/AFP
(foto: Slaven Vlasic/AFP)


Adele: quando o estilista Karl Lagerfeld declarou que a cantora estava um pouco gorda, mas que tinha um rosto bonito e uma voz divina, Adele declarou que nunca quis ser como as modelos das capas das revistas e que se sente muito orgulhosa de representar a maioria das mulheres do mundo.

Tziana Fabi/AFP
(foto: Tziana Fabi/AFP)


Jennifer Lawrence: a atriz ganhadora do Oscar já declarou que quase perdeu alguns papéis por conta de seu peso e não perde oportunidades de criticar a magreza excessiva das atrizes atuais. Jennifer já afirmou que se preocupa com a imagem distorcida e muito magra em que os telespectadores acabam se espelhando.

Odd Andersen
(foto: Odd Andersen)


Lady Gaga: uma das músicas mais famosas da cantora americana é Born this way, em que fala sobre como é importante se aceitar como é. Em um show em Estocolmo, a cantora aproveitou o espaço para mandar um recado para os fãs: “Eu quero cantar essa música para vocês porque quero que parem de ser tão duros com vocês mesmos. Quero que parem de ser tão deprimidos com a vida, quero que vejam que eu também amo vocês, e que há muitas coisas bonitas para vocês serem felizes.”

 Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Lara Percílio, 23 anos, abriu mão dos cachos pela primeira vez aos 12 (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
 

Liberdade aos cachos
A primeira vez que a estudante Lara Percílio, 23 anos, abriu mão dos cachos foi aos 12 anos. Fez uma escova nos cabelos e saiu do salão com a cabeça leve. Aos 15, começou a alisar permanentemente os fios. “A gente acaba se adaptando a uma dinâmica completamente nociva para nós mesmas. Nos transformamos para seguir um modelo, para nos adaptar a um padrão que a sociedade impõe.”

Assim que entrou na faculdade, aos 20 anos, Lara decidiu se libertar. “Decidi que não ia mais me sujeitar a isso, cansei mesmo. Foi uma decisão de dentro para fora”, conta. A manutenção que o cabelo liso exige, as idas trimestrais ao salão, tudo fazia mal à estudante, que nunca gostou do ambiente. “Não me deixava satisfeita. Gastava uma energia com uma coisa que me esgotava. Foi libertador poder deixar de frequentar salões de beleza.”

Durante a transformação, Lara resolveu passar a tesoura nos fios que chegavam à cintura. Cortou bastante e, de pouquinho em pouquinho, atingiu o tamanho atual. Ainda passou um tempo escovando a franja, até que conseguiu se livrar totalmente do secador. “Essa fase de transição, de pensar que vai ficar estranho, também é uma resistência a parar de alisar. Eu encontrei uma forma de lidar com meu cabelo. Se pensarmos demais no futuro, a coragem de mudar nunca vai vir”, conta. A estudante afirma que a decisão de retornar ao seu cabelo natural foi um processo. “A partir do momento em que você está bem, resolvida, disposta à mudança, as coisas fluem”, afirma. Depois de assumir os cachos, Lara ainda fez escova uma vez, mas sentiu tanta falta do cabelo natural que não pretende repetir a experiência tão cedo.

Hoje, com os fios cacheados, sente-se mais autêntica. Quando vê uma foto de si mesma quando criança, cheia de cachinhos, se reconhece. “Me sinto mais eu. É uma reconexão com a minha essência, que está sendo muito boa, muito transformadora.” No contexto em que vive, a estudante explica que não há mais tanta pressão para se encaixar em um padrão, embora ainda tenha que escutar piadas sobre o cabelo cacheado. “Internamente, estou muito certa, segura e satisfeita. Se há pressão, não me influencia. Estou bem com o meu cabelo. É também uma emancipação simbólica. Meus cachos representam criatividade nesse conceito de mundo.”

Músicas para animar e se inspirar

  • Born this way, Lady Gaga
  • Just the way you are, Bruno Mars
  • Beautiful, Christina Aguilera
  • Men, I feel like a woman, Shania Twain
  • Who says, Selena Gomez
  • Pagu, Rita Lee
  • 1º de julho, Cássia Eller


Como elas se veem

  • 86% acreditam que a beleza pode ser alcançada sem relação com a aparência física.
  • 81% concordam que se esforçar para reconhecer seus pontos positivos ajuda a se sentir mais feliz.
  • No mundo, 59% afirmam sentir pressão para ser bonita.
  • 32% dizem que a pressão maior vem delas mesmas
  • A parte preferida do corpo de 57% das entrevistadas são os olhos
  • 4% não gostam de nenhuma parte em si mesmas
  • A parte do corpo mais odiada é a barriga, com 36%
  • Em Portugal, nenhuma das entrevistadas se descreveria como bonita
  • 87% acreditam que mulheres bonitas não são necessariamente as que nasceram assim, e sim aquelas que sabem valorizar seus atributos
  • 40% afirmam que teria uma imagem mais positiva agora se tivessem aprendido uma definição saudável de beleza na infância.
  • Quase 100% das brasileiras concordam que a beleza independe da idade

Fonte: Pesquisa “A verdade sobre a beleza”, da Dove.

 Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Júlia Maass, 25 anos, percebeu que estava fora dos padrões ainda na adolescência (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
 Conforto na pele

A decisão de ser verdadeira com ela mesma veio ainda na adolescência. A servidora pública Júlia Maass, 25 anos, começou a perceber que estava fora do padrão na época das matinês. As amigas mais arrumadas, com os cabelos lisos, sempre atraiam a atenção dos meninos. Nas situações em que resolveu alisar os fios, tornou-se o centro das atenções. “Foi aí que comecei a me rebelar. Não queria esse tipo de gente que só gostava de mim quando eu estava em uma versão diferente. Se fosse para gostar de mim, tinha de ser do jeito que eu sou”, conta.

Quem vê Júlia acredita mesmo nessa aceitação. Não só nos cabelos, curtinhos, mas também nas roupas e na atitude de quem sabe o que quer e não se preocupa com o que os outros pensam. “Me sinto confortável na minha pele, eu trabalho para isso todos os dias. É claro que ainda tenho algumas insatisfações, quando eu for mais velha talvez chegue em um ponto em que eu goste de tudo em mim. Espero chegar aos 50 anos 25 vezes melhor do que sou hoje.” Para Júlia, a autoaceitação tem relação direta com maturidade, terapia e autoconhecimento.

A servidora pública acredita que a sociedade força um padrão e que a lavagem cerebral se completa quando a cobrança passa a ser interna. “As pessoas precisam trabalhar o conforto consigo mesmas, encontrar seu lugar na sociedade. Ser do jeito que eu sou não chega a ser rebeldia, não tem esse teor de conflito. É mais uma questão de se sentir confortável como está, de se gostar.”

Com o corpo magro, Júlia poderia se render a qualquer modismo que aparece na televisão. Mas, confiante em seu estilo, corre dos brilhos e paetês e aposta em uma abordagem mais confortável e básica, com roupas largas e pouca bijuteria. Mesmo assim, é julgada por quem não a conhece. Para o bem e para o mal. “Ao mesmo tempo que tem gente que me elogia, diz que eu tenho cara de gente bem resolvida, independente e que tenho um estilo incrível, tem muita gente que acha que eu sou lésbica e tenta me julgar por isso. Até me param na rua para perguntar minha opção sexual. Falo sempre que ter o cabelo curto é viver lutando contra o estereótipo do homossexualismo”, afirma. Mas, quando se tem certeza de quem é, apesar dos julgamentos, é mais fácil encontrar seu lugar. Júlia, por exemplo, encontrou o seu.

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