Gatos e cães não são inimigos naturais; convivência depende dos hábitos adotados pelos donos

Especialistas esclarecem que a socialização e o perfil cultural em torno das duas espécies é que transmitem aos pets a inimizade

por Revista do CB 11/01/2014 14:15

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A rivalidade é antiga e se tornou sinônimo de relações complicadas e cheias de brigas. Mas de onde surgiu a ideia de que as espécies não podem conviver? Será que é verdade que não existe amizade entre cães e gatos? É importante a busca pelo conhecimento do mundo pet para desmistificar certas histórias que podem atrapalhar uma convivência mais prazerosa para toda a família.

O especialista em comportamento animal Renato de Couto Buani explica que cães e gatos não são inimigos naturais. “Os problemas que surgem são por uma questão territorial”, esclarece. A bióloga e adestradora Paula Emmert reforça o conceito, explicando que canídeos e felinos são predadores que diferem quanto ao tipo de presa e de caça, ou seja, não chegam a competir na natureza. Cães e gatos, como descendentes domesticados, conservam essa mesma natureza. “É sabido que felinos e canídeos não formam uma relação de caçador-caça de maneira geral. Dessa forma, cães e gatos herdaram isso também”, justifica.

Zuleika Souza/CB/D.A Press
Gabriela acostumou seu cachorro, Toy, a viver em harmonia com gatos: Sky é o segundo felino com quem o maltês convive (foto: Zuleika Souza/CB/D.A Press)
De onde surgiu então o senso comum de que os animais não podem conviver em harmonia? Os especialistas esclarecem que a socialização e o perfil cultural em torno das duas espécies é que transmitem aos pets a inimizade. Renato explica que a domesticação de cada espécie interferiu nessa relação. Os cães, durante muitos anos, ocupavam nas famílias um papel mais importante que o gato, surgindo assim uma relação de hierarquia entre os pets. O cão tende a buscar a posição de líder da matilha, o que não é aceito pelo gato e pode criar uma competição entre os animais. O adestrador ensina ainda que os dois animais devem enxergar o dono como chefe da família, evitando tal situação.

Paula Emmert acrescenta que a falta de socialização das duas espécies durante a infância também é um fator determinante na inimizade. Os donos, temendo o atrito, impedem a convivência dos animais. A bióloga explica que, quando o cachorro tem um primeiro contato com o gato, o sentimento é de curiosidade, mas os donos tendem a ser assustar, punindo e afastando o cão. “Aí está feito o estrago: o cachorro associa gato a uma punição física, ou seja, a algo muito ruim”, explica Renato.

Outro fator que ajudou na construção dessa rixa é que o gato tende a se assustar com a aproximação do cão - um animal geralmente maior - e corre. Já o cão, que sente uma atração por coisas que se movem, empolga-se e persegue o felino, sem que isso seja uma hostilização propriamente dita. De acordo com os especialistas, a grande dificuldade é a falta de conhecimento de uma espécie da outra. Os pets tendem a se assustar com situações desconhecidas e, quanto mais velhos, mais difícil a adaptação a novas situações.

Gabriela Costa Gama sempre acostumou seus pets a uma convivência saudável. Toy, o maltês de 10 anos, conviveu desde filhote com o gato Tom, enxergando os gatos como amigos. Quando Tom fugiu, Toy se tornou o único pet da casa, o que não impediu que algum tempo depois a estudante adotasse o pequeno Sky, de apenas 3 meses. A relação entre os dois é tranquila, mas a jovem acredita que isso só é possível porque o cachorro está acostumado com a outra espécie. “Eu peguei o gato bem filhote para não ter risco de briga entre eles. Ficaram bem tranquilos, Toy nem ligou muito”, conta.

A estudante é uma das pessoas que estimulou de forma correta os animais, que podem se tornar melhores amigos. Renato de Couto Buani acrescenta que a responsabilidade dos donos nessa relação é muito maior do que qualquer rivalidade que possa existir entre as espécies. “O erro pode estar na postura do dono, a grande proposta é o conhecimento”, acrescenta o adestrador.

Vivendo em harmonia

  • De preferência, o relacionamento deve ser iniciado enquanto os dois animais são filhotes, até os 4 meses. A bióloga e adestradora Paula Emmert explica que é nessa época que os pets formam os laços sociais.
  • A apresentação deve ser supervisionada pelos donos, o ideal é que os pets estejam no colo e na mesma altura, mostrando que são iguais.
  • Durante o primeiro contato, ambos devem receber a mesma quantidade de carinho e atenção, evitando o ciúme.
  • Para que os filhotes associem a relação a algo positivo, é interessante que recebam guloseimas e presentes durante os contatos iniciais. Sempre que se encontrarem, algo bom deve acontecer.
  • Durante toda a relação, os animais devem ser tratados como iguais, inclusive nos momentos de disciplina.
  • Se um dos pets é mais velho e já domina o ambiente, a apresentação deve ocorrer em um ambiente neutro (fora da casa ou do espaço do pet) e de forma gradual.
  • Quando os pets já têm inimizade, a ressignificação da relação é a solução. A modificação, no entanto, não é fácil. Existem técnicas, de acordo com Paula, baseadas na dessensibilização e no contracondicionamento, mas que não são simples. O ideal é que a nova relação seja construída com o auxílio de um profissional.
  • Em nenhuma situação de sociabilização entre as espécies devem ser usadas técnicas punitivas e abusivas. Elas tendem a piorar a relação, pois os pets associam os encontros a situações ruins.

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