Problemas de saúde que incentivam a prática de exercícios podem gerar atletas de competição

Os hobbies saudáveis chegam a ser compartilhados até mesmo em competições esportivas

por Correio Braziliense 10/01/2014 13:45

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A prática de exercícios físicos rende uma lista extensa de benefícios, assim como a de motivos que levam as pessoas a integrá-los à rotina. Entre as vantagens, há a maior produção da endorfina, o hormônio do prazer. Essa substância certamente faz com que as pessoas também se apaixonem pela atividade escolhida. E, muitas vezes, se tornem dependentes dela. Surgem, assim, os hobbies saudáveis, que chegam a ser compartilhados até mesmo em competições esportivas.

“Quando o indivíduo está parado há algum tempo, ou nem sequer conheceu o poder da endorfina e tem a oportunidade de sentir o prazer proporcionado por um simples exercício físico, ele não quer mais parar”, garante Gilberto Bergamo, professor de educação física da Faculdade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais.

CB/D.A Press
"Os esportes, principalmente o judô, ajudam as pessoas a pensarem e a resolverem os problemas. No fim, acabam mudando toda a vida da gente" - Hebert Marques, 35 anos (foto: CB/D.A Press)
Advogado e professor da Universidade de Brasília (UnB), Frederico Viegas, 50 anos, se enquadra na descrição de Bergamo. Quando começou a andar, ele apresentou sequelas do que parece ter sido um problema na oxigenação do cérebro durante o nascimento. Não houve consequências cognitivas nem neurológicas, mas uma paralisia parcial afetou a motricidade e o desenvolvimento dos membros do lado esquerdo do corpo. “Até os 6 anos, eu nunca tinha usado um chinelo. Sempre sapato ortopédico para compensar a diferença nas pernas”, conta.

Frederico havia passado por grandes médicos do país quando foi encaminhado para aquele que, até hoje, é considerado por ele um guru. “Recomendaram o Odílio Silva, que era professor da UnB e havia chegado de um doutorado na Suécia. Logo na primeira consulta, ele me disse que, na próxima, me veria de chinelos”, lembra. O garoto foi apresentado à vela. “O médico já velejava e sugeriu que eu tentasse pois, no barco, você usa os dois lados do corpo de maneira igual.”

O garoto aprendeu a velejar e passou a ter gosto pelo esporte, que deixou de ser um tratamento. “Eu melhorei e continuo melhorando, física e neurologicamente. O fato de você fazer um esporte e pensar nele como de alto rendimento te coloca em situações em que você acaba tendo que enfrentar. Nessas horas, você não pensa se tem deficiência. Hoje, sei perfeitamente quais são as minhas limitações”, conta.

O advogado e professor titular da UnB já passou por várias classes de barco e sempre competiu. Tem no currículo disputas regionais, brasileiras, sulamericanas e mundiais. Foi, inclusive, o primeiro brasileiro a se classificar para um mundial, neste ano na Itália. “No ano passado, estive em San Diego disputando o campeonato mundial da classe star. Competi com cinco medalhistas olímpicos e 11 mundiais. Poder estar ali dá uma sensação de que eu consegui, com a ajuda do esporte, superar as barreiras que um dia achei que tinha”, orgulha-se.

Segundo a pediatra Izabelle Lins, é muito importante que haja empenho por parte dos pais em encontrar uma atividade que desperte o interesse dos filhos. A prática esportiva pode ser a solução para várias doenças comuns durante a infância. “Pelo menos, na grande maioria das vezes, encaminhar a criança para fazer um esporte é mais saudável e proveitoso do que recomendar uma mesa de cirurgia. Cada caso é um caso, mas é impossível negar o poder que o exercício físico e os hormônios estimulados por ele têm no organismo de um garoto”, diz. Lins alerta que há limitações físicas e biológicas que impedem a prática de determinados exercícios físicos. Por isso, a importância de procurar um especialista antes de se arriscar pelo mundo dos esportes.

Frederico Viegas/Arquivo Pessoal
Frederico veleja há 44 anos, por ordem médica, e vai a disputas mundiais (foto: Frederico Viegas/Arquivo Pessoal)
Disciplina
Outro exemplo de perspectiva de vida alterada em função do esporte é o professor de judô Hebert Marques, 35 anos. “Eu era uma criança muito agitada, não parava, queria fazer tudo ao mesmo tempo. Por recomendação médica, fui encaminhado ao judô”, conta. A matrícula na escolinha do Sesi de Taguatinga foi feita quando Hebert tinha apenas 3 anos. Desde então, ele é judoca. “Com 6 anos, fui fazer um exame de rotina no Sesi e descobri que tinha sopro no coração”, lembra. Como alternativa à cirurgia, ele foi encaminhado à natação, mas não parou de lutar.

Durante um ano e meio, os dois esportes foram conciliados, mas a paixão pela luta e o desempenho no tatame falaram mais alto. “As competições começaram quando eu tinha de 8 para 9 anos, mas eu resolvi virar atleta mesmo quando completei 12”, diz o professor, que já foi medalhista em campeonato nacional, campeão brasileiro universitário e campeão regional diversas vezes.

Responsável por usar o judô para ajudar outros garotos hiperativos, Hebert é um entusiasta da capacidade do esporte. Tanto que a luta é indicada para várias crianças com problemas comportamentais. “Isso por conta da disciplina e do autocontrole proporcionados”, explica. “Quando eu estou com problemas fora da aula, entro no tatame e melhora tudo. Os esportes, principalmente o judô, ajudam as pessoas a pensarem e a resolverem os problemas. No fim, acabam mudando toda a vida da gente.”



Santo hormônio
A endorfina é uma substância química utilizada pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso. Trata-se de um hormônio que, transportado pelo sangue, faz a comunicação com outras células, liberando a sensação de prazer. É produzido em resposta à atividade física e durante o orgasmo, visando relaxar e dar prazer,e despertando uma sensação de euforia e bem-estar. A produção de endorfina também ajuda na memória, no bom humor, na resistência, na disposição física e mental, na concentração e no alívio de dores. Além disso, melhora o sistema imunológico e bloqueia lesões em vasos sanguíneos, além de ter efeito antienvelhecimento.

Ed Alves/CB/D.A Press
Bruno voltou a correr para emagrecer e conheceu as provas de triatlon (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Livre dos vícios e dos remédios
O analista de sistemas Bruno Melo, 26 anos, decidiu emagrecer de maneiro correta em janeiro de 2012. À época, a balança indicou 125kg, 35kg a mais do que o peso indicado para o seu corpo. Ele procurou médicos, submeteu-se aos exames indicados e decidiu livra-se de vez do sedentarismo. “Voltei a pedalar, que era um hábito da adolescência. Depois de três meses, senti que eu queria mesmo era ficar bom naquilo”, conta. Bruno ainda estava muito pesado e era fumante. Decidiu abandonar o tabagismo.

Sem o cigarro, o analista não se sentia mais mal após os exercícios. Amigos, então, o chamaram para a corrida. “Nessa época, eu não corria nem 5 quilômetros seguidos. Fui aos poucos e, em julho, comecei a treinar. Em agosto, corri 5 quilômetros; no fim do mesmo mês, subiu para seis; em outubro, 10; e, em novembro, 21”, relata. Seguindo a expectativa de superar as próprias limitações, Bruno se inscreveu, no início do ano passado, na primeira prova de triatlon. Desde então, foram três provas, sendo dois Ironman 70.3.

Graças ao esporte, Bruno não fuma mais, deixou de tomar um remédio diário contra o colesterol, ganhou disposição e perdeu 33kg. Hoje, conta, pratica o esporte pelo simples prazer gerado pela endorfina, não mais por questões estéticas ou por problemas de saúde. “Se eu viso perder peso, é para melhorar meu tempo no triathlon e não por precisar disso. Mesmo assim, não gosto de competir com ninguém, somente contra mim mesmo e com as minhas metas pessoais”, garante.

Bruno criou um site em que relata a sua história contra a obesidade e a favor do esporte. A fisioterapeuta Liandra Silva reforça que histórias como a do Bruno têm final feliz justamente porque a percepção de saúde deixa de estar atrelada a uma percepção incorreta do estado do corpo. “Perder peso não é diretamente relacionado a emagrecer. Você pode perder músculos e líquido, o que não significa que perdeu gordura. E a perda de força ou a desidratação podem trazer diversas consequências, algumas irreparáveis aos seres humanos”, alerta.

Percursos reduzidos
O Ironman foi criado por um comandante da Marinha americana e a mulher dele para pôr fim a uma discussão surgida, durante a cerimônia de premiação de uma prova de corrida no Havaí, sobre qual seria o atleta mais resistente: o nadador, o corredor ou praticantes de outras modalidades. Eles decidiram juntar as práticas: 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida. No Ironman 70.3, os participantes precisam cumprir metade de cada percurso, mas, ainda, assim é considerado uma prova de longa distância.

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