Na lista de prioridades do ano novo, coloque a prática de atividades físicas no topo

Todo início de ano, buscamos renovar hábitos e estabelecer metas. Em meio a planos complexos, esquecemos o básico: o corpo precisa ser cuidado

por Renata Rusky 03/01/2014 09:00

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Janine Moraes/CB/D.A Press
Lília queria recuperar o vigor perdido após o diagnóstico de fibromialgia. Não se adaptou à corrida nem ao pilates, mas descobriu no ciclismo um novo estímulo (foto: Janine Moraes/CB/D.A Press)
Dezembro é mês de repensar o ano que passou e fazer promessas de mudanças para o que está por vir. Trocar de emprego, poupar dinheiro, viajar mais, alimentar-se melhor e se exercitar mais. Na lista de coisas que se pretende fazer de diferente, quando a rotina aperta, são essas duas últimas coisas, diretamente relacionadas à saúde, que acabam deixando de ser prioridade. Aí começam as escapadas da academia. O irônico é que a prática regular de exercícios físicos é um dos raros consensos científicos da atualidade — não há estudo que desautorize os seus benefícios à saúde.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a inatividade física é o quarto principal fator de risco para a mortalidade — estima-se que cause 3,2 milhões de óbitos por ano em todo o mundo. Um levantamento recentemente publicado na revista médica Lancet aponta que o sedentarismo está por trás de 13,2% das mortes no Brasil.


Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) corroboram essa evidência. Por exemplo, sabe-se que as quedas são a principal causa de morte entre idosos no país. Na raiz do problema, está o descuido com o corpo: idosos precisam se exercitar muito mais que os jovens, pois, a partir dos 40 anos, há uma perda muscular e óssea que compromete o equilíbrio.

O outro extremo etário da população não está livre de problemas. Veja o caso das crianças brasilienses: o Distrito Federal lidera o ranking nacional de casos de obesidade infantil, apontam dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, órgão ligado ao Ministério da Saúde. Tudo isso, segundo os especialistas, é resultado de sedentarismo combinado a má alimentação.

Por qualquer que seja o motivo, não faltam pesquisas que demonstram as inúmeras vantagens de se estar em forma. A Revista do Correio desta semana conta histórias de pessoas que — quer por razões estéticas, físicas ou psicológicas — incorporaram o exercício em suas vidas. Alguns, inclusive, fizeram disso sua profissão. Está esperando o que para começar?

Ciclismo como remédio

Há oito anos, Lília Ramos Ferreira, 50 anos, servidora pública federal, foi diagnosticada com fibromialgia. Causada sobretudo por estresse, a doença é tratada com antidepressivos e relaxantes musculares, e seus sintomas incluem dores musculares difusas, fadiga, distúrbios de sono, parestesias (sensação de queimação, coceira ou dormência na pele), edema (inchaço), distúrbios cognitivos e dor em pontos específicos sob pressão. No caso de Lília, bastava virar o rosto para o pescoço “travar”, além de sentir dores por todo o corpo e um cansaço que o sono não reparava. Enquanto o marido, da mesma idade, estava sempre animado e até participava de um clube de motociclistas, ela sucumbia ao desânimo.

Em fevereiro deste ano, em sua festa de aniversário, apresentou uma dança com o marido e, no fim, sentiu-se exausta. “Foi aí que a ficha caiu. Eu não podia ficar apenas tomando remédios, tinha que, ao menos, tentar fazer algum tipo de exercício se quisesse chegar aos 51 anos com saúde”, conta. Resolveu seguir o conselho de médicos e amigos. Começou a andar sozinha, mas não via graça. Depois, tentou correr no Parque da Cidade, mas se deparou com a falta de educação de algumas pessoas. “Um dia, eu caí, me machuquei e um homem passou por mim, fazendo cooper, me ignorou completamente. A partir de então, fiquei com medo”, conta. Tentou ainda o pilates, mas simplesmente não conseguia chegar ao fim das aulas.

A reviravolta veio em duas rodas. Ela começou pedalando com o marido, aos domingos e a cada domingo queria ir mais longe. Foi quando teve a ideia de procurar grupos de ciclistas em Brasília e encontrou o Brasília Batom Bikers. Agora, ela, que há oito meses não conseguia subir nem dois degraus de escada sem cansar, todos os sábados no mínimo 45km e no mesmo ritmo das outras ciclistas. Tornou-se, inclusive, uma das coordenadoras do grupo. Ela é responsável pelos grupos de iniciantes formados a cada mês: “Eu nem acredito quando olho pra trás e vejo de 20 a 40 ciclistas me acompanhando”.

Lília já pedalou até o posto Jerivá, em Abadiânia (GO), e sua vontade de ir mais longe não passou. Pensando em segurança, para esses passeios mais longos, o Batom Bikers se une a outros grupos de ciclismo de Brasília. Apesar de o público-alvo ser feminino, elas garantem que não fecham as portas para homens e crianças, caso haja interesse.

Para ela, pedalar é relembrar a adolescente que foi e que andava de bicicleta com as amigas na Asa Norte, e testemunhar paisagens lindas, como a da descida dos condomínios do Lago Sul em direção à Ponte JK. Pedalar com o grupo de mulheres, em especial, é oportunidade de conhecer gente. “Brasília é uma cidade linda, mas tão setorizada que dificulta fazermos amizades fora do nosso ambiente de trabalho. O ciclismo é uma das atividades que proporciona isso”, defende.

Hoje, Lília se orgulha de não precisar mais de relaxantes musculares e tomar apenas um remédio. O ciclismo se tornou parte tão importante da vida dela que ela já está na terceira bicicleta só este ano. “É igual carro, a gente quer uma melhor sempre”, brinca. Colado em seu carro, há um adesivo do Brasília Batom Bikers e em seu pescoço, um pingente de bicicleta.

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