Sedentarismo mata quase tanto quanto o cigarro; atividades inusitadas ajudam a mudar situação

Sedentarismo causa mais de 5 milhões de mortes por ano no mundo, ao lado do tabagismo, que tira 6 milhões de vidas. No Brasil, quase metade da população vive na inércia

por Luciane Evans 01/01/2014 08:49

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Marcos Vieira/EM/D.A Press
Depois de fazer spinning, natação, boxe e andar de bike, Grace Kneipp, de 49 anos, se encontrou no circo, hoje sua principal atividade física (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
O sedentarismo mata quase na mesma quantidade que o cigarro. Enquanto o tabagismo tira a vida de 6 milhões de pessoas no mundo, dispensar as atividades físicas provoca a morte de 5,3 milhões de pessoas em todo o planeta, anualmente. Os dados são de uma pesquisa publicada, em julho de 2012, na revista britânica Lancet. No Brasil, 49% da população adulta não pratica atividades físicas, e o estilo de vida sedentário é responsável por 13% das mortes por infarto, diabetes e câncer de mama e do intestino. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que 80% da população esteja parada. Como temos 365 dias pela frente, que tal fugir dessas tristes estatísticas e começar, agora, a se movimentar para viver mais e melhor?

Na segunda matéria da série "Hora de mudar", o Estado de Minas ouviu profissionais especializados em algumas atividades físicas que garantem que se exercitar é sinônimo de longevidade. De acordo com o médico e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte Jomar Souza, quando o corpo se movimenta os benefícios são inúmeros: a gordura corporal cai, a circulação sanguínea e a resistência respiratória melhoram, o risco de desenvolver alguns tipos de câncer é reduzido, os níveis de glicemia e colesterol melhoram e a gente fica mais forte e flexível. “Aquele que é sedentário e se torna fisicamente ativo passa a ter mais disposição para as atividades cotidianas. Seu rendimento no trabalho e no estudo melhora. Além disso, essa pessoa adoece menos e passa a adotar outros hábitos saudáveis como dormir mais cedo, mudar a alimentação, reduzir o consumo de álcool, deixar de fumar, entre outros.”

Mas como começar? Quando abandonar o sedentarismo e se tornar mais ativo? O que fazer para não abandonar a atividade no meio do caminho? O primeiro passo é traçar metas, segundo o coordenador técnico da Run & Fun Assessoria Esportiva, o especialista em fisiologia do exercício Paulo Henrique Santos. “É importante para aqueles que querem mudar ter um objetivo, estabelecendo um prazo para que isso ocorra.” Ele lembra que vida de sedentário é boa, já que ninguém incomoda você. “Mas, quando você se descobre ativo, a capacidade cardiorrespiratória, a autoestima e os resultados dos exames clínicos melhoram. Aí não há dúvida de qual caminho escolher.”

Em qualquer idade, ao fazer uma atividade, de acordo com Paulo, o praticante tem, em média, um resultado em quatro ou 12 semanas. “A boa notícia é que estudos têm mostrado que para as pessoas acima dos 65 anos o benefício é muito maior: em poucas semanas o condicionamento melhora em cerca de 50%. Uma pessoa destreinada tem mais ganhos do que a que treina sempre”, diz.

Algo que dê prazer Mesmo sabendo dos ganhos para a saúde com a prática de atividades físicas, por que será que tendemos a parar algo que mal começamos? A resposta, segundo especialistas, está no prazer, ou seja, o exercício para se tornar hábito deve ser atrativo. Talvez, por isso, muitos estejam buscando em modalidades diferentes das tradicionais uma forma de não ficar parado. Exemplo disso está na alegria da enfermeira Grace Kneipp, de 49 anos. Depois de fazer spinning, natação, boxe e andar de bike, ela se encontrou na magia do circo, que se tornou, há um ano e dois meses, sua principal atividade física. “Sempre fui muito encantada com o mundo circense, mas nunca achei que um dia haveria uma aula voltada para adultos da minha idade”, lembra. Grace diz que, depois de se entregar às aulas, sua vida mudou. “Descobri ali o que me dá mais prazer. Mudei minha alimentação e meu corpo ficou mais definido e flexível. Tive mais equilíbrio e benefícios para a minha mente”, conta, satisfeita por hoje ter mas consciência corporal e qualidade de vida.

Segundo o fundador e diretor da Escola de Circo TrupeTralha, em Belo Horizonte, Jaílton Pereira Santos, o circo é uma atividade lúdica. “Em princípio, ele não tem o caráter de atividade física, as pessoas vão porque é legal e divertido. Mas, a partir do momento que se está brincando, o corpo começa a se desenvolver. A pessoa usa o bambolê e a perna de pau, o que para ela pode ser tudo uma diversão. Mas isso está deixando-a mais livre. São dois benefícios: a alma fica feliz e o corpo também, porque trabalhamos o equilíbrio, a flexibilidade e a força.” Ele se diverte comentando que as aulas surgiram como um desejo para as crianças, mas hoje a procura é maior entre adultos.

Outra boa modalidade para fortalecer o corpo e que engana pela impressão de ser leve é o pilates. Segundo a educadora física especialista em pilates Ana Maria Pimenta Moraes, sócia da clínica FortaleSer, a atividade consiste em exercícios de alongamento, que usam o peso do próprio corpo para fortalecer, equilibrar e trabalhar a musculatura da coluna e dos órgãos internos. “É claro que não se trata de uma atividade aeróbica, já que as repetições são pequenas. O princípio base é a concentração, e a partir dela trabalhamos a resistência física e mental. Melhoram-se a coordenação motora, a respiração, a saúde das articulações e alívio das dores musculares”, pontua. Outro benefício, segundo Ana, está na consciência corporal. "Dá para suar muito, não é uma aula só de alongamento, mas tem que ser feita por bons profissionais”, alerta.

AO AR LIVRE

Paulo Henrique Santos, especialista em fisiologia do exercício, é um defensor das atividades ao ar livre. "As pessoas, hoje em dia, estão em busca de mais prazer. As atividades em grupo são interessantes, como a corrida e as caminhadas.” Para o médico Jomar Souza, a melhor forma de começar uma caminhada é fazendo-a aos poucos. “O ideal é começar com 30 minutos, durante três vezes por semana. É importante não desanimar nem esperar resultados maravilhosos no início. Isso é só para tirar o indivíduo da inércia. A partir do momento em que ele começa a fazer disso uma rotina, pode aumentar o tempo, a frequência semanal e até mesmo a intensidade do exercício. Nesse estágio é importante uma avaliação médica principalmente em quem tem mais de 35 anos ou história de doenças cardiovasculares na família”, diz Jomar, que também apoia atividades ao ar livre. “O contato com a natureza é extremamente prazeroso, relaxante e pacificador.”

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