Pouco conhecida no Brasil, Laya-Yoga propõe a dissolução de registros negativos como depressão e ansiedade

A prática tem a capacidade de dissolver as marcas negativas registradas no subconsciente e no inconsciente, causadas pelo estresse, traumas, frustrações, decepções e aborrecimentos do dia a dia ao longo de toda a vida

por Luciane Evans 22/12/2013 12:31

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A voz de Maria José Marinho parece tocar lá no fundo. A cada palavra dita por ela, é como se os órgãos internos respondessem, cada qual à sua forma. Maria José senta, levanta, anda. Os alunos sentam, inspiram, expiram e deitam.

Ninguém vira de cabeça para baixo ou permanece em uma mesma posição por minutos. Os praticantes estão ali porque conheceram nesse tipo de ioga o segredo para liberar suas angústias, depressão e ansiedade. É o chamado Laya-Yoga, que tem a capacidade de dissolver as marcas negativas registradas no subconsciente e no inconsciente, causadas pelo estresse, traumas, frustrações, decepções e aborrecimentos do dia a dia ao longo de toda a vida.

A prática surpreende e emociona quem a faz. “Não é milagre. Ela traz a paz imediata que você precisa”, garante a iogaterapeuta Maria José Marinho, proprietária da clínica Ponto de Equilíbrio.

Rodrigo Clemente/EM/D.A Press
A iogaterapeuta Maria José Marinho, da clínica Ponto de Equilíbrio, destaca a paz imediata que a ioga proporciona (foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press)
Ainda pouco difundida no mundo, a prática é considerada sagrada entre os mestres da Índia e, dizem por aí, que eles só a passam aos discípulos quando se convencem de suas reais aptidões e sinceridade, após vários anos de observação e convivência. Por isso é também apontada como algo secreto. O mestre brasileiro Caio Miranda foi quem trouxe o tesouro para o Brasil e Maria José, como sua discípula, aprendeu e trouxe a novidade para Belo Horizonte.

O método é tão pouco conhecido que os livros a respeito são raros. Maria José, hoje com 81 anos e mais de 50 deles dedicados à ioga, será a segunda brasileira a escrever sobre o assunto, depois de Caio. O livro de Maria, segundo ela mesma conta, está pronto e, em breve, será lançado na capital. A especialista explica que a prática tem tido muito sucesso entre as pessoas que passaram por perdas, traumas, depressões ou angústias. “Ela dissolve no inconsciente aquele registro que foi criado pela raiva, pela tristeza. Ela atua ali, no inconsciente.”

Para quem não conhece, pode parecer, à primeira vista, algo fora do normal. Mas não é. O Bem Viver foi convidado a participar de uma aula. Conheceu seis mulheres, alunas, que contaram suas histórias e vivências com o Laya-Yoga. “Estou aqui há um ano. Desde então, sou uma pessoa mais tranquila, consigo controlar meu estresse e dormir melhor. Saio daqui como se conseguisse visualizar meus objetivos de vida ou como se meus objetivos tivessem sido realmente alcançados”, comentou a advogada Camila Barbosa de Abreu Rocha, de 27 anos.

CURA
A professora de inglês Mary Braga, também praticante, contou que sua filha estava sofrendo de uma angústia muito grande, que nem mesmo os médicos estavam conseguindo ajudá-la. “Minha filha encontrou aqui a cura para a sua angústia. É hoje uma outra pessoa. Tanto é que acorda às 5h para fazer aula. Para mim, melhorou a minha ansiedade em 100%”, disse.

A aula começa com exercícios de respiração, base da ioga de forma geral. “Sabemos que deixar de pensar é impossível. Então, pedimos aos alunos que mentalizem um símbolo para que se desligue do mundo externo”, explica Maria José. Feito isso, o aluno passa a entrar em relaxamento profundo muscular e nervoso. “Quando a aula acaba, parece que sua vida está toda arrumada. É fantástico”, aponta a engenheira civil Helena Gontijo, que diz sair dali em paz e mais feliz. “É muito interessante. É como se você fizesse uma experiência neurolinguística com novas esperanças e novas ideias”, esclarece Maria, dizendo que para se praticar não é preciso contar nada do que se está vivendo. “Não perguntamos nada.” A palavra laya é derivada da raiz lî, que significa “dissolver-se”.

TERAPIA
A iogaterapia é também voltada para os aspectos da saúde. Segundo conta Mário Lúcio Silva, fundador do Ayurvida Terapias Naturais, a ioga nasce da terapia. “É uma visão de uma saúde mais ampla”, define. Mas, de acordo com ele, a iogaterapia é o método terapêutico usado para cuidar de um distúrbio específico, seja no conceito ayurvédico, seja no conceito alopático, como limitações físicas e patologias emocionais. “Suponha que uma pessoa tenha uma dor na coluna. A iogaterapia vai ajudar nisso, por gerar uma felicidade e autoconfiança no aluno. É fantástico você ver a pessoa que mal tocava a mão no joelho conseguindo fazer movimentos completos de flexibilidade”, afirma.

Segundo destaca Mário, a concentração na ioga é se focar na luz do coração. “E essa é a luz mais próxima de uma mente brilhante. A meditação é uma experiência única e que todos alcançam. É uma facilidade de se dar bem consigo mesmo, com o outro e o mundo”, diz.

Experiência da repórter
Logo nos primeiros minutos da aula de Laya -Yoga, a sensação é de estar praticando o tradicional ioga. Os exercícios de respiração, porém, à medida que são praticados, vão ficando cada vez mais fortes. O ponto auge da prática é o momento do relaxamento. Senti muito sono e o corpo parecia estar anestesiado. Maria José disse que quem tivesse sono poderia dormir, pois a prática estaria atuando no subconsciente. E esse seria o seu segredo. Quando a aula acaba, a sensação é de paz nos órgãos internos e de uma incrível serenidade.

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