Rir nem sempre é o melhor remédio, diz pesquisa

Pesquisadores das universidades de Birmingham e Oxford analisaram benefícios e danos relacionados ao riso, datados de 1946 até os dias atuais, e encontraram vários problemas decorrentes de gargalhadas. O lado positivo, no entanto, supera os problemas para a saúde

por Gabriella Pacheco 16/12/2013 15:10

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Divulgação/Disney
Após uma crise de riso, personagem de Mary Poppins começa a voar pela sala (foto: Divulgação/Disney )
No clássico da Disney 'Mary Poppins', de 1964, estrelado por Julie Andrews, a babá 'praticamente perfeita' é chamada para socorrer tio Albert, que após uma crise de riso começa a voar pela sala. O filme inteiro é regado pela ideia de que um pouco de alegria e risadas são fundamentais para a vida - inclusive, uma de suas músicas-tema sugere que 'uma só colher de açúcar ajuda o remédio descer'. Mas pesquisadores das universidades de Birmingham e Oxford, no Reino Unido, acreditam que a risada não é em tudo positiva e pode não ser, afinal de contas, o melhor dos remédios, tem também efeitos negativos para a saúde humana.

Em partes, a teoria de Mary Poppins confere. O estudo feito pelos britânicos analisou casos bons e ruins relacionados ao riso, desde 1946 até os dias atuais, e constatou que rir traz mais benefícios que o contrário. No entanto, eles identificaram alguns casos graves para a saúde causados pelo ato.

Entre os problemas identificados, os sistemas cardiovascular e respiratório foram os mais prejudicados. Segundo a pesquisa, rir muito pode causar anomalias e arritmia. Os pesquisadores chegaram a encontrar, inclusive, um caso em que uma crise intensa de riso, como foi o caso do filme, provocou a morte de uma mulher com Síndrome do QT longo, uma espécie de taquiarritimia. Rir intensamente pode ser também a causa provável de rupturas no coração e na garganta.

O ar que é inalado rapidamente durante as risadas também pode provocar a entrada de materiais estranhos e isso pode provocar crises em asmáticos. Rir também pode te mandar para o pronto-socorro com pulmão colapsado, que é caracterizado pela presença de ar na cavidade pleural do órgão. Cataplexia (fraqueza muscular súbita) também pode ser provocada pelo riso.

A pesquisa também identificou que uma boa gargalhada é capaz de fazer hérnias ficarem salientes, especialmente em crianças, o que ajuda no diagnóstico. Curiosamente, a incapacidade de rir também pode ser um sinal de infecções intra-abdominais em crianças.

Remédio contra infarto
É claro, a pesquisa não propõe que as pessoas deixem de rir diante desses riscos. Pelo contrário, o trabalho publicado no British Medical Journal (BMJ) destaca benefícios comprovados que o riso pode trazer. Além de fazer bem para a alma, o coração também agradece uma boa dose de risadas de vez em quando, uma vez que elas reduzem a rigidez das paredes arteriais. Elas também diminuem o risco de infarto, incluindo nos casos relacionados à diabetes.

No levantamento os britânicos também descobriram uma pesquisa que comprovou que o trabalho dos 'doutores da alegria', aqueles palhaços que alegram crianças em hospitais, pode ajudar mais que o humor da criançada. Na prática, os sorrisos ajudaram a melhorar o funcionamento dos pulmões dos pequenos pacientes.

O metabolismo também pode ganhar bastante com isso. Aliás, 15 minutos diários de risadas genuínas podem te ajudar a queimar 167 calorias e para diabéticos, assistir um show de comédia pode, inclusive, ajudar no controle de glicemia.

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