Pílula paralisa os espermatozoides e funciona como 'vasectomia biológica'

Além de reversível, a técnica baseada em terapia genética não comprometeu o desempenho sexual. Mas eficácia ainda não é considerada satisfatória para uso em humanos

por Correio Braziliense 05/12/2013 14:00

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Um grupo de cientistas da Universidade Monash, em Melbourne, na Austrália, apresentou ontem resultados promissores em experimentos que buscam uma via “alternativa” para a pílula anticoncepcional masculina. A técnica, baseada em terapia genética, funciona como uma espécie de vasectomia biológica. Camundongos foram alterados geneticamente para não expressar as proteínas alfa1A-adrenérgico e P2X1-purinoceptor, envolvidas na locomoção do gameta masculino. Durante o ato sexual, os espermatozoides das cobaias não saíram com a ejaculação.

Além de reversível, a técnica não comprometeu o desempenho sexual das cobaias. “Isso resolve talvez o maior obstáculo na busca por um contraceptivo masculino socialmente aceitável”, avaliaram os autores no texto publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas). Nos experimentos, 50% dos ratinhos ficaram estéreis com a supressão da alfa1A-adrenérgico e 86%, com a da P2X1-purinoceptor. “Tal diminuição da fertilidade sugere que essas metas são receptores realmente importante para a reprodução. No entanto, a infertilidade masculina teria de ser de 100% em estudos pré-clínicos para uma nova terapêutica em seres humanos”, ponderaram os pesquisadores.

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Procedimento também apresentou efeitos colaterais menos agressivos que outras substâncias estudadas (foto: sxc.hu)
O procedimento também apresentou efeitos colaterais menos agressivos que outras substâncias estudadas. As pesquisas nessa área têm se concentrado na possibilidade de os homens passarem a produzir espermatozoides não funcionais. Os medicamentos em testes, no entanto, podem alterar permanentemente o esperma, interferir no apetite sexual e causar até a infertilidade.

Submetidos à técnica australiana, os camundongos apresentaram uma queda “muito pequena” na pressão sanguínea. Alterações no volume da ejaculação também são consideradas pelos pesquisadores. “Os espermatozoides retirado dos camundongos foram analisados microscopicamente e estavam normais e móveis (…) além disso, foram capazes de produzir descendência normal quando implantados em óvulos”, relataram os cientistas.

Até a técnica de “armazenar espermatozoides” chegar às farmácias, serão necessários pelo menos mais 10 anos de estudo, estimam os pesquisadores. Um dos desafios é descobrir como silenciar as proteínas em humanos. Eles acreditam que um medicamento usado há muitos anos em pacientes com crescimento benigno da próstata pode provocar esse efeito e se transformar em uma alternativa viável e para a pílula anticoncepcional masculina.

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