Maturidade vem com a consciência de si mesmo, diz psicólogo

por Luciane Evans 24/11/2013 13:03

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Maria Tereza Correia/EM/D.A Press
O empresário Jivam Morais tem 55 anos, é casado há 30 e se considera mais tolerante. Ao lado de um de seus três filhos, Henrique, ele se diverte na cozinha, uma paixão em comum (foto: Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)

Ser capaz de encarar os problemas com mais segurança ou conseguir ter mais clareza diante das situações vividas. Ter mais paciência e mais certezas, quem sabe até mais leveza. Experiência seria mesmo sinônimo de mais maturidade? A idade é mesmo fator primordial? Quando, enfim, homens e mulheres amadurecem? “Antigamente, definia a maturidade como a capacidade de perceber e lidar com as diferenças. Hoje, defino-a como aquela capacidade de lidar com as incertezas e o insólito”, sugere o psicólogo e ex-professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Antônio Coppe, para quem não existe receita para chegar a essa fase da vida.

Em seu livro, Maturidade – a responsabilidade de ser você mesmo, o líder espiritual indiano Osho aponta a diferença entre envelhecimento e maturidade. Segundo ele, as pessoas pensam que envelhecer é se tornar adulto , “mas envelhecer pertence ao corpo”. “Todo mundo está envelhecendo, todo mundo ficará velho, mas não necessariamente maduro. A maturidade é um crescimento interior”, diz o texto.

O grande passo para conquistá-la, de acordo com Osho, seria somar experiências com consciência. Uma das bandeiras dele é viver o aqui e o agora, estar presente no momento em que algo aconteça, não só no corpo, mas com a mente e o coração. “A vida é felicidade e infelicidade. A vida é dia e noite, a vida é vida e morte. Você precisa estar consciente dos dois”, ensina.
REPRODUÇÃO DA INTERNET/SITE LIVREEMSI.COM - 21/11/13
"Todo mundo está envelhecendo, todo mundo ficará velho, mas não necessariamente maduro. A maturidade é um crescimento interior", diz Osho, líder espiritual indiano (foto: REPRODUÇÃO DA INTERNET/SITE LIVREEMSI.COM - 21/11/13)

Certo de que cada momento está aí para ser vivido com atenção, o empresário Jivam Morais completa ainda mais a definição para maturidade: “Para mim, ela chega quando passamos a ter consciência de que existe início e fim. Com isso, você passa a viver uma coisa de cada vez”, afirma. Jivam tem 55 anos, é casado há 30 e tem três filhos. “Hoje, estou mais tolerante. Com a maturidade, a gente começa a entender um pouco mais da vida. Não somos donos de nada”, diz, destacando que existe na juventude a sensação de eternidade, mas com o passar dos anos, essa sensação passa. “Aí você aprende a amar melhor .” Para Jivam, a pessoa precisa sempre ser honesta consigo mesma e trabalhar. “O desafio está lá fora, onde todos são iguais.”

Henrique Morais, de 29, é um dos filhos de Jivam. Ele conta que morou por uma ano na França, onde estudou gastronomia, e isso o ajudou a amadurecer. “Hoje tomo decisões que sei que não tomaria anos atrás. Por outro lado, vejo que fui ficando com menos coragem de assumir riscos”, afirma. Jivam e Henrique são amigos e têm uma paixão em comum: a cozinha. É ali que eles preparam delícias para os amigos e trocam experiências de vida. “Na minha idade, meu pai já tinha filhos. Eu, aos 29, moro com meus pais, quero viajar mais para depois me casar e ter filhos. As coisas mudaram, não tenho metade da preocupação que meu pai teve na minha idade”, compara, dizendo que, ao chegar aos 55, quer ter a sabedoria de Jivam. “Se chegar com a admiração que nós filhos temos dele, e a saúde e disposição que ele tem, ficarei muito satisfeito.”

AUTOCONHECIMENTO

O psicólogo Antônio Coppe aponta que vemos por aí pessoas ansiosas e imaturas aos 50 anos, ao mesmo tempo que conhecemos jovens com plena confiança em suas atitudes. “O grande segredo é conhecer a si mesmo. E é por meio dos relacionamentos que isso ocorre. Há pessoas que até os 60 anos precisam da aprovação do outro para as suas ações e não têm a consciência de quem realmente são”, aponta. Reconhecendo que as mulheres atingem a maturidade emocional, geralmente, antes dos homens, Antônio diz que um caminho que as difere é a educação afetiva. “Somos educados para não demonstrar sentimentos, isso tanto para o universo feminino quanto o masculino, mas para o homem isso é muito pior. Em uma paquera, por exemplo, ele tem que ir atrás e ela dizer não.”

A consciência de si mesmo, de acordo com o psicólogo, passa por aí. “Quando sei reconhecer meus sentimentos, saber o que me leva a sentir tristezas e alegrias é um caminho para amadurecer”, afirma, acrescentando que, quando se aprende a ser você mesmo, “aprendo a não me violentar e a respeitar o outro. É a maturidade.”

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