Saiba como evitar as infecções aéreas no calor

Evitar a gripe e a pneumonia, comuns na temporada primavera/verão, requer medidas simples, como tossir protegendo a boca, lavar bem as mãos e evitar contato com doentes

por Augusto Pio 13/11/2013 13:00

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Com a proximidade do verão, que começa em dezembro, muitos acreditam que estarão protegidos contra gripes, resfriados e pneumonia, enfermidades consideradas típicas do inverno. Porém, todo o cuidado é pouco, pois as doenças pneumocócicas ocorrem em qualquer época do ano. A pneumonia, cujo dia de combate foi lembrado ontem, é a segunda maior causa de hospitalizações no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, figurando como principal causa de morte prevenível por vacinação em crianças, sendo responsável por cerca de 20% de 8,8 milhões de óbitos em todo o mundo. No ano passado, mais de 680 mil pessoas foram internadas com pneumonia no país, no Sistema Único de Saúde (SUS). Ao lado da pneumonia, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o vírus influenza também preocupa: responsável pela gripe, ele atinge anualmente entre 5% e 10% da população mundial. Embora seja considerada uma doença benigna, não se deve esquecer que a gripe também pode apresentar muitas complicações. O problema é que a dúvida entre pneumonia e gripe ocorre porque elas têm alguns aspectos parecidos e ambas acometem as vias respiratórias, porém com características distintas.

Paulinho Miranda / EM / DA Press
Clique para ampliar e saber mais sobre a gripe no verão (foto: Paulinho Miranda / EM / DA Press)
A elevação da temperatura merece atenção redobrada, uma vez que o uso de ar-condicionado e ventiladores aumenta e, com isso, há um maior contato com ácaros e fungos. Esses equipamentos, quando não higienizados corretamente, são importantes propagadores de agentes causadores de problemas respiratórios, como a Legionella pneumophila e as bactérias Haemophilus. O tempo seco deixa ainda a mucosa mais seca e vulnerável. Por isso, mantenha-se atento.

O clínico geral Breno Figueiredo Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica – Regional Minas Gerais e diretor técnico do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, explica que a gripe, a virose, o resfriado e a pneumonia são infecções das vias aéreas. "A gripe e o resfriado são viroses (causada por vírus). A gripe é causada pelo influenza e é mais forte que o resfriado (causado por centenas de outros vírus). A pneumonia é uma infecção das vias aéreas baixas (pulmões) e é causada tanto por bactérias quanto por vírus. Breno alerta que a pneumonia é uma doença perigosa e, se não for tratada adequadamente, pode levar o paciente à morte.

“Ela pode aparecer em qualquer idade e sua cura, geralmente, é feita com o uso de antibióticos. Apenas o médico, depois de uma avaliação clínica detalhada e exames, se necessário, pode precisar se o paciente está com pneumonia”. O limiar entre a gripe e a pneumonia pode ser tênue porque as gripes podem predispor as infecções bacterianas, que levam à infecção dos pulmões, ou seja: um quadro gripal pode, sim, se transformar em uma pneumonia. A contaminação ocorre com a exposição direta aos vírus e bactérias de uma pessoa que está infectada, geralmente por meio da saliva ou de secreções nasais. As mãos são os principais meios de transmissão das infecções, por isso devem ser lavadas ao longo do dia, várias vezes. E bem lavadas.”

O pneumologista Flávio Mendonça Andrade da Silva, presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia e Cirurgia Torácica, alerta: "O assunto é controverso, mas no inverno a asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são as exacerbações mais frequentes. Na maioria das vezes, são processos infecciosos". A pneumonia é uma das principais causas de hospitalização e óbito em crianças menores de 5 anos na maioria dos países em desenvolvimento, e indivíduos acima do 60 anos, e a principal causa de morte em países de população de baixa renda, porém o Brasil não está nesse perfil. Ela pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais grave nos extremos, ou seja, bebês e idosos.

De acordo com Mauro Gomes, diretor da Comissão de Infecções da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a maioria dos casos de pneumonia é causada por bactérias, mas também pode ser ocasionada por vírus, como aqueles que provocam a gripe. “O vírus da gripe normalmente se manifesta em áreas localizadas na face e, algumas vezes, pode descer para o interior dos pulmões, especialmente em algumas situações em que há comprometimento da imunidade do paciente. Por isso, é fundamental a prevenção da gripe para reduzir o número de mortes por pneumonia”, aconselha.

Segundo Flávio Andrade, a pneumonia geralmente é tratada com medicamentos para combater os sintomas e antibióticos para agirem sobre a infecção por bactéria. No caso de infecção por vírus influenza, a medicação é específica. Ele salienta que a pneumonia pode ser contraída por inalação, aspiração, via hematogênica, contiguidade a partir de focos infecciosos principalmente da parede torácica e reativação de focos, principalmente em pacientes imunossuprimidos. “Um quadro gripal pode favorecer a infecção bacteriana por reduzir fatores locais e sistêmicos de defesa do organismo”, acrescenta Flávio, ressaltando que o diagnóstico é realizado depois de consulta médica, baseado nos sintomas, nos exames físico, hematológico e radiológico.

"As pessoas nunca devem ser automedicar, principalmente com antibióticos. Durante o tratamento, o repouso, a boa alimentação e a hidratação são fundamentais. A profilaxia pode ser feita por meio de vacinação antipneumocócica e para vírus influenza. Quem tem doenças crônicas como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e diabetes deve mantê-las sob controle, com o tratamento correto para não piorar os sintomas", esclarece Flávio.

Paulinho Miranda / EM / DA Press
(foto: Paulinho Miranda / EM / DA Press)
O PODER DOS VÍRUS

Vários tipos de vírus podem causar gripes e resfriados e não é simples identificar qual deles se instala no organismo. De acordo com o pneumologista Flávio Andrade, o vírus influenza costuma ser o mais agressivo e o que leva a casos mais graves. "Além disso, é preciso se preocupar com a higiene nessa fase dos primeiros indícios da doença, ou seja, lavar as mãos, usar álcool em gel, evitar lugares sem ventilação e cobrir a tosse é essencial", alerta.

Para evitar tanto a gripe, quanto pneumonia, o clínico geral aconselha evitar o contato com pacientes gripados e medidas higiênicas para prevenir a contaminação (tossir sempre protegendo a boca com os braços e lavar bem as mãos, ao longo dos dias). "Tenha sempre um médico da sua confiança, disponível e qualificado. A evolução da doença precisa ser acompanhada de perto pelo profissional. A banalização dos sintomas pode ser muito perigosa. Lembre-se que a evolução da pneumonia é diretamente relacionada ao início precoce do uso de antibióticos. O atraso no tratamento pode ser fatal em alguns casos.

Praticar esportes durante um quadro de infecção também não é recomendado. O repouso serve para que a energia do organismo seja restabelecida para a recuperação do quadro. Sendo assim, o afastamento do trabalho também pode ser necessário. A hidratação oral é uma das principais armas na recuperação destes quadros, portanto, fundamental", acrescenta o especialista

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