Cada vez mais procuradas, as atividades intensas podem queimar calorias de forma rápida

Especialista diz que é preciso ter cautela e começar aos poucos para evitar lesões graves

por Luciane Evans 29/10/2013 15:02

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
angelo Pettinati/Esp. EM/d.a press
Guilherme Salles já chegou a pesar 106 quilos e hoje, com as aulas de luta, está com 79 (foto: angelo Pettinati/Esp. EM/d.a press)
Durante muitos anos, a musculação era a principal opção de quem queria entrar em forma. O grande problema, de acordo com quem já praticou a modalidade, é que, com o tempo, a série de exercícios vai perdendo a graça para quem precisa de motivação para se exercitar. E aí chegam as velhas desculpas para não malhar e sumir de vez das academias. Por isso, as atividades intensas que fazem suar, e muito, começam a ganhar cada vez mais adeptos. Por um lado, especialistas comemoram esse tipo de exercício, pois tendem a atrair mais público por mais tempo. Porém, ressaltam que a alta intensidade das atividades pode trazer danos e pedem cautela para quem pretende entrar nessa tropa.


Uma das mais conhecidas modalidades que exigem muito do praticante é o crossFit, para o qual há academias em Belo Horizonte especializadas no assunto. Considerada um esporte, a atividade tem a vantagem de trazer, todos os dias, um treino diferente. “São cerca de 20 alunos por aula. É um treinamento que tem o espírito militar enraizado, já que foi baseado na preparação física de agentes das forças especiais americanas, marinheiros e SWAT”, conta o dono da Academia crossFit, da unidade Lourdes, Carlos Eduardo Vidal. Ele explica que, antes de toda aula, o aluno passa por um aquecimento rigoroso. “Depois vem a parte técnica, para a qual há movimentos determinados.”

O auge do treinamento é a chamada missão do dia, na qual o aluno tem um desafio a cumprir. No dia da visita do Bem Viver, a missão dada aos alunos era lançar na parede 25 bolas que pesam 110 quilos cada uma (peso para os mais experientes. Os novatos levantaram as mais leves). Eles teriam que cumprir a tarefa em, no máximo, 17 minutos. “Aqui, nosso objetivo é condicionamento físico, agilidade e força. Não estamos focados na estética, tanto é que não há espelhos nas salas de treinamento”, aponta Carlos.

A estudante Camila Oliveira Flores Fonseca, de 22 anos, há dois meses resolveu enfrentar essa batalha e diz estar amando. “Já perdi 4% de gordura corporal . É puxado, mas procurei uma atividade mais pesada para melhorar meu condicionamento. Sinto que estou com meu corpo mais definido.” A mesma satisfação tem o funcionário público Felipe Araújo Carvalho, de 29. “Aqui trabalhamos não só a força do corpo, mas a mente também”, diz.

marcos vieira/em/d.a press
A estudante Camila Fonseca já perdeu 4% de gordura corporal com o crossFit (foto: marcos vieira/em/d.a press)
RISCOS
Cláudio ressalta que ninguém entra no crossFit já pegando no “pesado’. “Vamos respeitando os limites de cada um e aumentando as dificuldades com o tempo.” De acordo com o cardiologista e presidente da Sociedade Mineira de Medicina do Exercício e do Esporte, Marconi Gomes da Silva, em atividades de intensidade alta colocamos nossos corpos mais próximos de riscos, como lesões musculares, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e arritmias. “Por isso, é de extrema importância uma avaliação médica antes da prática. Não se faz um ‘Pede pra sair’ da noite para o dia. É preciso, primeiro, começar aos poucos até ir se acostumando.”

O médico diz que o que é forte para um, pode não ser para outro. “Um carteiro ou um lixeiro, por exemplo, que sempre estão em constante atividade física no próprio trabalho, vão dar conta de fazer um crossFit. Já uma pessoa sedentária pode ter dificuldades se não começar o exercício aos poucos”, ressalta.

Segundo Marconi, as pessoas acostumam o corpo sempre aos mesmos exercícios. “O corpo entra no modo econômico e quando é estimulado de forma diferente passa a ter outros resultados.” Ele comenta que uma atividade diferente das padronizadas gera mais adesão. “A pessoa consegue fazer mais e melhor.” Foi o que ocorreu com Guilherme Salles, de 32. Há dois anos, ele resolveu largar a musculação e praticar lutas. Deu certo. “É um esporte em que a gente preza pela segurança. E você tem um objetivo e um total controle do corpo”, conta. Guilherme chegou a pesar 106 quilos e diz que, com as lutas, como boxe, hoje pesa 79 quilos. “É muito bom.”

Na Academia Runner, na Savassi, recentemente foi inaugurado um octógono para os alunos de luta. De acordo com o professor da academia Gustavo Coelho, lutas como MMA, boxe e muay thai ajudam a queimar calorias e são treinos puxados. O boxe, por exemplo, é considerado um treinamento mais completo. “Nas primeiras aulas o aluno sente um pouco. Mas depois se acostuma”, diz.

Para Izabelle Drulla, de 41, o boxe se tornou uma válvula de escape. Há seis meses ela faz aula particular e, mesmo achando puxado, não pensa em parar. “Funciona para mim como um exercício de meditação. Você não pensa em nada quando está fazendo e chega ao seu limite. ´É muito bom”, afirma.

marcos vieira/em/d.a press
Felipe Carvalho acredita que a atividade intensa faz bem não só ao corpo mas também à mente (foto: marcos vieira/em/d.a press)
 As estudantes Izabela Pimenta, de 23, e Carolina Sartini, de 25, toparam o desafio de fazer uma aula de boxe para experimentar. “É bem diferente das atividades que estamos acostumadas. É mais aeróbico. A musculação é mais monótona”, comparou Carolina.

FIQUE EM FORMA


  • CROSSFIT
Trata-se de uma modalidade aeróbica já usada na preparação física de agentes das forças especiais americanas, marinheiros e SWAT. As aulas são puxadas e divididas em blocos. Todos os dias os alunos têm uma missão a cumprir no final da aula. Quem pode fazer: qualquer pessoa, mas antes é preciso passar por uma avaliação física.

  • BOXE
Considerado um esporte, a luta fortalece o corpo e tem uma alta queima calórica. A atividade aumenta a resistência e a capacidade cardiovascular, além de melhorar a flexibilidade e a coordenação motora. Quem pode fazer: qualquer pessoa. Porém, grávidas antes dos quatro meses não podem praticar a modalidade — e, depois disso, só com autorização do médico e seguindo um treino específico. Quem sofre de pressão alta também deve consultar um especialista e tomar cuidados especiais.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE SAÚDE PLENA