Flávio Bauraqui interpreta Cartola no musical em cartaz em BH

Apresentação no Sesc Palladium relembra fatos importantes da trajetória do compositor, em meio a conflitos cotidianos da escola

por Ana Clara Brant 11/08/2017 08:00

Aline Aquino/divulgação
(foto: Aline Aquino/divulgação)

Em 2004, o ator gaúcho Flávio Bauraqui mergulhou de cabeça no universo de Cartola. Conheceu a viúva dele, dona Zica, além de amigos e familiares. Também visitou a casa do sambista. Tudo isso para se preparar para Obrigado, Cartola. Mas, para sua frustração, o espetáculo ficou apenas um mês em cartaz.

“Foi ali que construí o meu Cartola. Foi um trabalho de imersão mesmo. Vi o quarto, as roupas. Até usei um anel dele em cena, mas infelizmente o espetáculo não vingou. Depois disso tudo, fiquei pensando: o que vou fazer com esse Cartola que criei?”, conta Bauraqui.

Doze anos depois, para sua surpresa, o ator foi escolhido para estrelar Cartola – O mundo é um moinho, idealizado pelo ator e produtor Jô Santana, com direção e encenação de Roberto Lage e dramaturgia de Artur Xexéo. No palco, 18 atores e oito músicos apresentam a vida e a obra desse ícone da música brasileira.

“Tenho uma relação muito especial com ele, com a família. É muito mais profundo do que você pode imaginar. Quando é pra ser, não tem jeito. Fico muito honrado em voltar a interpretar o Cartola”, celebra Bauraqui, que estará em cartaz, no Sesc Palladium, ao lado de Adriana Lessa, Virgínia Rosa, Ivan de Almeida e Eduardo Silva.

A dramaturgia retrata uma quadra de escola de samba durante a elaboração do desfile que levará para a avenida a vida de Cartola. Para explicar o enredo aos componentes, o carnavalesco relembra fatos importantes da trajetória do compositor, em meio a conflitos cotidianos da escola. Em determinado momento, há a tradicional feijoada na quadra, quando convidados especiais se juntam à festa.

“Em cada cidade, um ou mais artistas do mundo do samba local se juntam a nós. Já tivemos a Sandra de Sá e o Arlindo Cruz. Em BH, vou me reencontrar com o meu querido Maurício Tizumba e com a Aline Calixto”, destaca Bauraqui.

EXEMPLO Quando era criança em sua cidade natal, Santa Maria (RS), Bauraqui via Cartola como um homem de nariz estranho, morador do morro. “Hoje, claro, o meu olhar é outro. Ele é um exemplo a ser seguido, ainda mais para nós, negros. Provou que é possível você ocupar o seu espaço, independentemente de suas origens. Mesmo quando deparava com pedras no caminho, ele enfrentava tudo com muita dignidade. Miro-me muito no Cartola”, destaca.

Em cartaz há 15 meses, o musical é, antes de mais nada, homenagem ao autor de As rosas não falam. Justamente por isso, Bauraqui evitou qualquer caracterização caricatural. “Apesar de toda a maquiagem, trejeitos e roupas, não estou ali para imitá-lo. Fui me moldando até chegar a esse Cartola, que é um tributo. É a maneira como o vejo. Fiz com respeito, há muita emoção ali. Esse é o diferencial”, conclui.

CARTOLA – O MUNDO É UM MOINHO
Sexta-feira (11/8), às 21h, e sábado (12/8), às 19h. Sesc Palladium, Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3270-8100. Plateia 1: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada). Plateia 2: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Plateia 3: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). À venda na bilheteria do teatro e no site www.tudus.com.br

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