Luana Carvalho lança o disco 'Sul/Branco' em show no MAP, em BH

Filha de Beth Carvalho, a jovem busca no mar e na literatura inspiração para suas canções

por Cecília Emiliana 04/08/2017 09:00
Luana Carvalho/Divulgação
Apesar de estar no sangue, cantora refuta o título de sambista. (foto: Luana Carvalho/Divulgação)

''Tudo é samba'', já dizia João Gilberto. Para a compositora Luana Carvalho, que se apresenta domingo (6/8), no Museu de Arte da Pampulha (MAP), tal afirmação, além de verdadeira, é orgânica. Filha da cantora Beth Carvalho, a moça conhece de perto a dimensão desse ritmo.

Mas nem por isso Luana é sambista. Ela prefere dizer que Sul/Branco, álbum duplo que vai lançar em BH, é a expressão livre de uma artista que se interessa sobretudo pela musicalidade das palavras.

''É claro que o samba está no meu sangue, foi o que respirei a vida inteira. Mas a minha relação com a música tem mais a ver com ligação com o meu avô, que me apresentou à literatura. A música, na verdade, é só o canal que escolhi para me comunicar com o mundo, para expressar a poesia que absorvo dele. Se ela vem em forma de samba, bolero, bachata, valsa ou de qualquer outro gênero, não faz muita diferença'', explica.

Majoritariamente composto por canções autorais, o repertório é claramente inspirado no universo marítimo. Ora calmas, ora vigorosas, as faixas parecem sincronizadas com as ondas. Criada em frente à Praia da Joatinga, no Rio de Janeiro, Luana cresceu ouvindo o som do mar. ''Era agradável, mas também havia as ressacas, que faziam um barulho muito alto. Cheguei a mudar de quarto, porque à noite incomodava. Então, tenho uma relação muito íntima com o mar, grande parte da minha vida foi determinada por ele. Com a minha criação artística não seria diferente'', diz.

Luana também gravou composições de autores consagrados – Caetano Veloso, Dona Ivone Lara, Pedro Luís, Djavan, Arlindo Cruz e Gilberto Gil, entre outros. No show, algumas delas serão intercaladas com a declamação de versos de poetas que a carioca conheceu em Lisboa, onde mora atualmente, por meio da Casa Cais, projeto dirigido por ela desde 2015.

O espaço se abre à experimentação e à discussão sobre a língua portuguesa em seus diversos formatos. ''Os poemas que vou misturar com as canções são da angolana Paula Tavares e de Conceição Lima, de São Tomé e Príncipe. Outros poetas de países onde se fala português estão no disco, assinando faixas como compositores'', revela.

SUL/BRANCO
Show de Luana Carvalho. Domingo (6/8), às 11h. Museu de Arte da Pampulha, Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.585, Pampulha. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), à venda na loja Acústica, Rua Fernandes Tourinho, 300, Savassi, (31) 3281-6720, e na bilheteria do MAP a partir das 10h de domingo. Informações: (31) 3222-5271.

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