Skank e Céu homenageiam Jorge Ben Jor com repertório de sucessos em show especial

Apresentação gratuita acontece neste domingo, 28, na Praça da Estação e tem repertório com mais de 30 músicas entre sucessos e canções menos conhecidas

por Mariana Peixoto 26/05/2017 08:30

Leo Aversa/Divulgação
Samuel Rosa, do Skank, saúda o padrinho Jorge Ben durante show do Nívea Viva. (foto: Leo Aversa/Divulgação)

''Cadê o pênalti? Mas vocês não querem outra música?'' Essa foi a resposta que o empresário Fernando Furtado recebeu de Domingas, mulher de Jorge Ben Jor, 25 anos atrás. A então desconhecida banda Skank, de BH, pedia autorização para registrar uma canção nada popular (é um lado B do LP A banda do Zé Pretinho, de 1978) do compositor. Mas já que queriam aquela, a autorização foi concedida. E a relação se estreitou a partir disso.

 

''Se existe alguém que a gente pode chamar de padrinho, esse nome é o Ben Jor'', afirma o tecladista Henrique Portugal. ''A partir da gravação, ele passou a nos dar aval. Nos chamou para programas que fizeram muita diferença na nossa carreira'', relembra ele, fazendo referência a um Som Brasil, da Globo, que homenageava Ben Jor. ''A gente era desconhecido, tinha acabado de lançar o primeiro disco'', acrescenta.

Tanto que, quando o projeto Nivea Viva Jorge Ben Jor começou a ser concebido, o próprio homenageado sugeriu o grupo mineiro para participar. Neste domingo, 28, a partir das 16h30, na Praça da Estação, a música genial de Ben Jor será executada pelo próprio, mais Skank e a cantora Céu. A apresentação em BH é a quinta etapa da temporada, iniciada em abril, em Porto Alegre.

Dirigido por Monique Gardenberg, o show-tributo é também o quinto do projeto, que começou em 2012, quando Elis Regina foi homenageada pela filha Maria Rita. Nos anos posteriores, os destaques foram Tom Jobim (2013), o samba (2014), Tim Maia (2015) e o rock nacional (2016).

Inicialmente, o repertório contava com 30 músicas de Ben Jor. Na apresentação mais recente, domingo passado, no Recife, foram quase 40 músicas em três horas de show. E quem já viu sabe: Ben Jor e a Banda do Zé Pretinho costumam ir além do planejado.

O formato do show é o seguinte: a primeira hora é do Skank, com algumas participações de Céu. Depois disso é que Ben Jor e sua banda sobem ao palco. Na parte final, todos tocam juntos.

''O Skank fez 20 ensaios. Para selecionar o repertório, escolhemos músicas que a gente gosta e que o público conhece'', conta Portugal. Em cena, a banda mineira está em oito – os quatro Skank (Samuel, Lelo Zanetti, Haroldo Ferretti e Portugal), mais um percussionista (Lincoln Cheib), um guitarrista (Doca Rolim) e dois metais (Pedro Aristides e Vinicius Augustus). Como a banda de Ben Jor é também de oito músicos, dá para imaginar a quantidade de gente no palco.

Céu canta tanto com o Skank como com a Banda do Zé Pretinho. ''É muito diferente, claro. O Jorge tem uma coisa mais livre, muda o repertório, troca o tom. É coisa de quem pensa a música de um jeito mais jazzy. Já o Skank, com uma linguagem pop rock, é mais organizado neste sentido'', comenta.

 


Além de terem gravado Ben Jor – Skank com Cadê o pênalti? e Cuidado com o bulldog, registrada com o próprio cantor e compositor, e Céu com Rosa, menina Rosa – banda e cantora, ainda em início da carreira, tocavam as músicas dele. ''A primeira banda que tive, Sistema PF de Som, era aquele tipo de grupo que tocava de tudo. Fizemos circuito de universidade e festinhas e o repertório tinha muito do balanço brasileiro. Lembro-me de que cantava Umbabaraúma, O homem da gravata florida e Menina mulher da pele preta'', conta Céu.


Já o Skank, os fãs de primeira hora se recordam, tinha boa parte do repertório pautado por Ben Jor. Nas noites do saudoso Maxaluna, nos domingos do início dos anos 1990, o grupo tocava Santa Clara clareou, entre várias outras canções. ''E naquela época, Ben Jor não era muito lembrado'', comenta Portugal.

Nos anos 1980, vale lembrar, a carreira dele foi mais voltada para o exterior. Com o estouro de W/Brasil (Chama o síndico), no início da década seguinte, ele tem uma segunda onda de popularidade no Brasil. ''Naquela época, muitas pessoas achavam que as músicas do Ben Jor eram do Skank'', acrescenta Portugal.

Neste domingo, a música vai ser de todos eles.

NIVEA VIVA – JORGE BEN JOR
Domingo, a partir das 16h30, na Praça da Estação (Avenida dos Andradas, s/ nº, Centro). Informações: www.niveavivajorgebenjor.com.br. Entrada franca.

SELEÇÃO DE PÉROLAS
Confira o repertório do show:

» O dia que o sol declarou seu amor pela terra (Skank)
» País tropical (Skank e Céu)
» Que pena (Céu)
» Oé oé carro de boi (Skank)
» Oba, lá vem ela (Skank)
» Balança pema (Skank)
» Menina mulher da pele preta (Skank)
» Minha teimosia, uma arma pra te conquistar (Skank)
» Os alquimistas estão chegando (Skank e Céu)
» O telefone tocou novamente (Skank e Céu)
» Xica da Silva (Skank e Céu)
» Cabelo (Céu)
» Chove chuva (Skank e Céu)
» Jorge da Capadócia (Skank, Céu e Ben Jor)
» A banda do Zé Pretinho (Ben Jor)
» Santa Clara/Zazueira/Minha menina (Ben Jor)
» Que maravilha/Magnólia/Ive Brussel (Ben Jor)
» Quero toda noite (Ben Jor)
» Caramba... Galileu da Galileia (Ben Jor)
» Carolina Carol Bela (Ben Jor)
» Por causa de você menina (Ben Jor e Céu)
» Mas que nada (Ben Jor e Céu)
» Zumbi/Bebete/My brother Charles (Ben Jor)
» W Brasil/Alcohol (Ben Jor)
» Umbabaraúma (Ben Jor e Samuel)
» Cadê o pênalti? (Ben Jor e Samuel)
» Fio Maravilha (Ben Jor, Céu e Skank)
» País tropical (Ben Jor, Céu e Skank)
» O homem da gravata florida (Ben Jor e Skank)
» Taj Mahal/Solitário surfista (Ben Jor, Céu e Skank)
» A banda do Zé Pretinho (Ben Jor, Céu e Skank)


Cinco perguntas para...

Jorge Ben Jor, músico


Como foi a seleção do repertório? Toda a seleção teve que passar pelo seu crivo, não?

O repertório vai ter as músicas mais conhecidas, os hits que todo mundo já conhece e outras músicas que eventualmente acabam ficando fora dos shows em algum momento. Decidi o repertório juntamente com o pessoal da Nívea. O público vai poder passear pela minha carreira durante a apresentação e resgatar músicas que nem sempre estão no set dos shows.

Você é o primeiro homenageado do projeto Nivea Viva a participar do show. Como é receber uma homenagem da qual você também faz parte?

A gente nunca espera uma homenagem dessas. Fiquei muito surpreso e feliz. A música está no sangue do brasileiro e eu tenho a alegria de trabalhar com aquilo que eu amo. Graças a Deus o público curte e se identifica com o meu trabalho e isso é maravilhoso.

De quais interpretações de Céu e Skank para suas canções você mais gostou?

Em todas as músicas eles estão fantásticos. Não dá pra escolher uma só. Fico muito satisfeito, pois são artistas do mais alto gabarito e que conheço. Sou amigo de longa data da mãe da Céu (a artista plástica Maria Carolina Whitaker) e sempre acompanhei a carreira dela. O Skank eu vi começar e me considero padrinho do grupo. É um prazer me reunir com artistas que gosto e admiro. A Céu tem uma doçura e uma suavidade na voz marcantes, ao mesmo tempo em que é algo arrebatador. Uma grande cantora, versátil e afiadíssima. O Skank tem a atitude, o swing e a mistura de que eu gosto, a ousadia de que eu gosto.

De sua obra, qual é seu álbum preferido?

Ben (1972) e A tábua de esmeralda (1974).

Seu repertório é extenso e seus shows, independentemente do formato, geralmente são longos. Como mantém o pique?

Alimentação e descanso. Nada de mais.

 

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