Sinfônica Pop recebe Lenine em apresentações no Palácio das Artes

Repertório inclui novos arranjos para antigos sucessos e músicas do mais recente CD do pernambucano

por Redação EM Cultura 12/05/2017 09:00

Flora Pimentel/Divulgação
'A música não precisa de adjetivos', declara Lenine. (foto: Flora Pimentel/Divulgação)

Com o objetivo de mostrar sua versatilidade, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais realiza desde 2010 o projeto Sinfônica Pop, no qual convida artistas brasileiros para apresentações especiais. Para 2017, a orquestra resolveu dar o pontapé inicial com a presença do cantor pernambucano Lenine, que se apresenta com os músicos pela terceira vez, neste sábado, 13, e domingo, 14, no Grande Teatro do Palácio das Artes.

No repertório, um conjunto de sucessos que demarcam os mais de 30 anos de carreira do cantor e compositor, entre Jack soul brasileiro, Tudo por acaso, O silêncio das estrelas e Paciência. A apresentação, no entanto, reserva surpresas. Serão executados quatro arranjos inéditos compostos pelo maestro convidado, Marcelo Ramos, para as canções Quede água?, Castanho, Simples assim e O universo na cabeça do alfinete, todas presentes no disco mais recente de Lenine, Carbono, de 2015. ''É sempre muito bom quando um núcleo de músicos escolhe suas canções para reinterpretar. Eu as tenho como filhas, e elas são as minhas crianças, então fico muito orgulhoso e satisfeito'', comenta o cantor e compositor.

Apesar do tom paternalista com suas composições, ele nega que, na hora de deixar que outros músicos as toquem, assuma uma posição protecionista. O músico conta que, inclusive, pediu pessoalmente ao maestro para que fossem criados arranjos para as canções do disco. ''Tenho uma carreira muito extensa e, ao longo dos anos, fui acumulando um repertório vasto. Então, é natural que eu queira dar atenção aos meus filhos mais novos'', afirma, bem-humorado.

CONFIANÇA
Declarada patrimônio histórico e cultural do estado de Minas Gerais em 2013, a Orquestra Sinfônica não representa especialmente um desafio para o músico, que enxerga a apresentação como um encontro entre músicos. ''Esse tipo de oportunidade tem a ver com confiança. Se não for desta maneira, não acontece''. E pondera: ''É o somatório de músicos com várias formações distintas e, acima de tudo, um reconhecimento do meu trabalho''. Com orgulho, mas sem vaidade, Lenine reitera que a Sinfônica Pop é uma chance de recriar e dar tridimensionalidade às suas canções. ''As músicas não são só de quem as cria'', diz.

Popular e, ainda assim, de nicho, Lenine rejeita os rótulos que lhe são impostos. Embora as suas músicas ganhem adorno erudito, ele esclarece que não é afeito aos nomes que dão à sua arte. ''A música não precisa de adjetivos. O único sinal gráfico que pode vir depois da palavra 'música' é o de reticências'', afirma. E então, como se em um universo paralelo Lenine tivesse colocado os três pontinhos ao final de cada uma de suas composições, elas agora seguem o seu próprio caminho, com passagem garantida por Minas Gerais, estado que caiu nas graças do pernambucano.

Sinfônica Pop

Orquestra Sinfônica de Minas Gerais convida Lenine e maestro Marcelo Ramos. Amanhã, às 20h30, e domingo, às 19h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.573, Centro). Ingressos a R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Mais informações: (31) 3236-7400.

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