Novos ícones da música alternativa da Bahia, BayanaSystem e Lucas Santtana se apresentam em BH

Festival Giro Brasil exalta a proximidade das culturas mineira e baiana e promete apresentações com muita energia, sucessos estabelecidos e novidades

por Ana Clara Brant 05/05/2017 08:00

Luciano Di Segni/DIVULGAÇÃO
Músico Lucas Santanna cita o CLube da Esquina como uma de suas influências musicais (foto: Luciano Di Segni/DIVULGAÇÃO)
A partir de amanhã, Belo Horizonte vai receber um “pouquinho de Brasil”. Dois festivais que celebram o melhor da nossa música vão movimentar a cidade, trazendo atrações de vários cantos do país. O Giro Brasil, que será realizado no Music Hall a preços populares, promove o encontro entre Minas e Bahia, trazendo do estado nordestino artistas de destaque da cena contemporânea da MPB.


Uma das atrações mais aguardadas é o BaianaSystem, projeto musical formado em 2009 com o objetivo de encontrar novas possibilidades sonoras para a guitarra baiana, instrumento desenvolvido em Salvador nos anos 1940 e que foi responsável pela criação do trio elétrico. O nome vem da junção de “guitarra baiana” com “sound system”, que são sistemas de som criados e popularizados na Jamaica.

Um dos integrantes e idealizador do BaianaSystem, o guitarrista Roberto Barreto conta que sempre gostou de se apresentar por aqui e vê muita semelhança entre os mineiros e os baianos. “Até pelo fato de fazermos divisa um com o outro, isso já traz uma certa proximidade, sobretudo entre o Sul da Bahia e o Norte de Minas. O Brasil inteiro é rico e diverso artisticamente, mas acho que Minas, Bahia, Pernambuco e o Rio de Janeiro são os pilares da música brasileira”, diz.

Desde que surgiu, o BayanaSystem sempre se fez presente na maior manifestação cultural da Bahia, o carnaval, e trazendo inovações. O bloco Navio Pirata, comandado por Roberto e seus companheiros – Russo Passapusso, Marcelo Seco e Filipe Cartaxo (responsável pela identidade visual do projeto) – é uma das sensações da folia soteropolitana. “O carnaval é uma coisa marcante, porque é muito mais do que uma festa; é um símbolo da Bahia e de Salvador. Nós experimentamos muita coisa e fazemos algo bem democrático, social, sem corda. A gente acaba tendo uma visibilidade maior nessa época, além de ser um catalisador com o nosso público”, diz.

No show em BH, o BaianaSystem vai mostrar um repertório focado em seus discos, sobretudo Duas cidades, considerado um dos melhores álbuns brasileiros de 2016. Mas os baianos também prometem novidades. “Temos já outras coisas novas. Como a gente tem essa coisa experimental muito forte, dificilmente a gente se fecha em um só formato. Os mineiros podem ter certeza de que estaremos aí com toda a energia e alegria”, assegura Roberto.

CULINÁRIA Outro representante da terra de Jorge Amado é o cantor, compositor e instrumentista Lucas Santtana. Nascido em Salvador, o artista morou durante muitos anos no Rio e acaba de se mudar para São Paulo. No entanto, Lucas tem um carinho especial pela capital mineira e por Minas Gerais. “Tanto a Bahia como Minas têm uma coisa forte em comum que é a culinária. Apesar de terem pratos distintos, tem essa questão da mistura que acaba se refletindo na música. Eu, particularmente, considero o Clube da Esquina um dos grandes discos e retrata o que de melhor já foi feito no Brasil. Ele me influenciou bastante, sem dúvida. Gosto muito da cena cultural de BH e de artistas daí como o Cao Guimarães, o Grupo Espanca!”, revela o cantor, que quer dar uma esticadinha até segunda para curtir mais a cidade.

Lucas Santtana está encerrando a turnê de seu último trabalho, Sobre dias e noites (2014), que teve grande destaque na imprensa brasileira e internacional. O show no Giro Brasil será uma espécie de despedida desse álbum. Em junho, ele planeja lançar o sucessor de Sobre dias e noites. “Foi uma temporada que durou quase três anos, e a gente foi incorporando nesse show músicas de outros projetos meus. Acho que esse reconhecimento que o Sobre dias e noites teve aqui e lá fora se deve ao fato de a minha música não ser tão regional. Ela é uma fusão de várias coisas, mas não é claramente de um só lugar. Acho que isso facilita a identificação de pessoas de todos os cantos”, analisa.

 

Mineiros prometem cores e animação 

Um dos representantes do lado de Minas Gerais no festival Giro Brasil, DJ Thiagão promete imprimir uma mistura de sonoridades na apresentação. Criador e DJ residente da festa Sexta Básica, realizada em BH e em São Paulo, Thiago tem um repertório diversificado, com foco na música brasileira. Apaixonado por música brasileira e pelo carnaval de Salvador, Thiagão roda o país com suas discotecagens, inclusive com animadas apresentações no verão baiano.

Outro representante das Gerais no Giro Brasil é o músico Di Souza. Conhecido especialmente por sua atividade no carnaval de Belo Horizonte, em que comanda o bloco Então, Brilha!, o agitador cultural nasceu em Piedade de Ponte Nova, mas morou boa parte da vida em uma favela da capital, onde teve seus primeiros contatos com a música por meio de projetos sociais. Apesar de conhecer algumas cidades do Sul baiano, Di Souza nunca esteve em Salvador, mas diz que sempre sofreu uma grande influência da música da capital da Bahia.

“A música da Bahia é a música do Brasil. Nossas maiores referências são de lá. Tom Zé, Raul Seixas, Gil, Caetano, o pessoal do axé. Quando gravei meu primeiro disco, Não devo nada pra ninguém, muita gente achava que eu era baiano, porque a sonoridade era bem típica de lá. É até engraçado. Sou muito mineiro no meu jeito, mas musicalmente acredito que sou baiano”, afirma.

FIGURINOS Di Souza pretende fazer uma apresentação bem performática no festival, com direito a figurinos coloridos e extravagantes e muita brasilidade. O músico salienta que suas composições sempre vêm acompanhadas de uma parte cênica e que toda vez que sobe ao palco, além de pensar em como vai tocar, foca na roupa que vai vestir.

“Tudo isso faz parte. Meus figurinos já ficaram até famosos e sou eu mesmo quem sempre os faz. Nesse show, a Lira Ribas (atriz, diretora e figurinista) está dando uma incrementada e reformando as roupas que criei,  porque vou aparecer vestido de vários personagens. Cobrador de impostos, profeta, mendigo do amor. Sem contar que a banda estará vestida de Brasil, representando vários estados. A miscelânea brasileira vai se fazer presente em todo o show e em todos os aspectos. Vamos celebrar a nossa diversidade”, anuncia.

Festival Giro Brasil
Edição Minas + Bahia

Amanhã, a partir das 22h, no Music Hall (Av. do Contorno, 3.239, Santa Efigênia). Atrações: BaianaSystem, Lucas Santtana, Di Souza e DJ Thiagão. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Vendas: ww.sympla.com.br. Classificação: 18 anos

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