'Ok Computer', terceiro álbum do Radiohead, completa 20 anos de lançamento

Disco lançado em 21 de março de 1997 foi um divisor de águas na sonoridade da banda inglesa

por Redação EM Cultura 21/03/2017 13:28
Patrick Kovarik/AFP
Há anos, Radiohead lançou seu 'Ok Computer'. (foto: Patrick Kovarik/AFP)
Ao longo de sua trajetória musical, a banda Radiohead sempre procurou caminhos alternativos para a sua sonoridade. No entanto, tudo isso começou quando Thom Yorke, Jonny Greenwood, Ed O'Brien, Colin Greenwood e Phil Selway entraram em estúdio para gravar seu terceiro disco, Ok Computer, que completa 20 anos nesta terça-feira, 21. 

À época, a banda vinha de dois álbuns, Pablo honey e The bends, que seguiam as notas 'sujas' do grunge norte-americano e eram assombrados por seu maior hit, Creep, que alcançou o estigma de clássico instantâneo em 1993. Quatro anos depois, no dia 21 de março de 1997, a banda lançou o que seria sua obra prima, aproximando-se do experimentalismo eletrônico e se afastando ainda mais do conterrâneo britpop. 

O próprio, título, Ok Computer, representa uma resposta à sociedade pós-moderna. Trata-se de uma referência à importância que a tecnologia estava atingindo - tema ainda mais relevante nos dias atuais. O disco é permeado por temas como consumismo, alienação social, isolamento e divergências políticas. 

Deixando suas antigas referências de lado, a banda decidiu contratar um novo produtor, Nigel Godrich, para trabalhar no disco. Ele, por sua vez, é visto como o sexto membro do grupo, sendo que sete dos nove álbuns da banda têm a assinatura da sua produção. 

Encabeçados por Thom Yorke, o quinteto se deslocou para uma mansão rural entre Julho de 1996 e março de 1997 para gravarem o disco. Todos esse processo foi uma tentativa de se afastarem da sonoridade dos discos anteriores e criarem uma nova proposta. É aí que entram os elementos eletrônicos, pianos, teclados e sintetizadores. As doze músicas que compõem o trabalho exploraram instrumentos inéditos. 

Reza a lenda que, quando entregaram o disco pronto à gravadora, seus representantes se mostraram um pouco céticos em relação ao trabalho, sob o argumento de que Ok Computer seria pouco comercial. O trabalho, no entanto, contrariou as expectativas, alcançando o primeiro lugar nas paradas britânicas e tornando-se um dos álbuns mais bem-sucedidos do Radiohead nos Estados Unidos. 

A capa do disco, produzida por Stanley Greenwood e Thom Yorke, é uma colagem de imagens e textos criados a partir de um diário visual das sessões de gravação. À época, o vocalista disso que uma representação visual das músicas o tornava confiante. Sobre a imagem o músico declarou: ''É como vender alguma coisa para alguém que não quer comprar''. 

Entre as faixas, Paranoid android, música que retirou o Radiohead da sombra do sucesso de Creep e se tornou um sucesso de vendas, foi criada a partir de Happiness is a warm gun, dos Beatles. Segundo o guitarrista Ed O'Brien, a ideia era fundir Queen com Pixies e anunciá-la como um resgate do Pink Floyd. Exit Music (For a Film) dá o tom cavernoso que o local de gravação pedia. Despida de artifícios, a canção é uma balada acústica crescente. A canção foi usada no filme Romeu e Julieta (1996), de Baz Luhrmann

O disco ainda reserva alguns dos grandes sucessos do Radiohead, como Karma Police e No Surprises. Esta última ganhou um vídeo emblemático no qual Yorke submerge em um tanque d'água e fica sem respirar durante um intervalo de tempo razoável. 

Airbag, Subterranean Homesick Alien, Let Down, Electioneering, Climbing Up the Walls, Lucky e The Tourist também não ficam atrás, mas Fitter Happier certamente é uma das canções mais emblemáticas de Ok Computer. Irônica, a música foi feita depois de um bloqueio criativo do grupo. Frases como ''Fitter, happier, more productive/Comfortable/Not drinking too much/Regular exercise at gym'' falam sobre a vida pós-moderna de forma crítica e, para além de um interlúdio, tornou-se um clássico. 

Desde seu lançamento, o disco continua sendo aclamado pelo público, considerado um dos melhores álbuns dos anos 1990. O impacto foi tamanho que intensificou a transição estética da música popular inglesa, que evoluiu do britpop para uma sonoridade melancólica. Além disso, é possível ver a influência do disco em todos os disco seguintes do Radiohead, de Kid A (2000) a A Moon Shaped Pool (2016).  

Em 2015, Ok Computer foi selecionado para ser guardado na Biblioteca do Congresso norte-americana. O disco, então, passou a figurar ao lado de bandas como Velvet Underground, Sonic Youth e Frank Sinatra.

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