Banda Francisco, El Hombre toca nesta sexta (10) no Granfinos

Personagem do clássico 'Cem anos de solidão', de García Márquez, inspirou grupo de Campinas, que já se apresentou em BH no Festival Transborda

por Redação EM Cultura 10/03/2017 10:15

Rodrigo Gianesi/divulgação
(foto: Rodrigo Gianesi/divulgação)
No romance Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, um ancião viajante é a ponte de comunicação entre o povoado de Macondo e o mundo exterior. Chamado Francisco, El Hombre, ele desbrava os povoados da América Latina, observando tudo com a sabedoria dos que já chegaram à idade avançada.

 

O personagem batizou a banda formada por Juliana Strassacapa, Mateo Piracés-Ugarte, Sebastián Piracés-Ugarte, Andrei Martinez Kozyreff e Rafael Gomes. Como o viajante de García Márquez, depois de percorrer o Brasil eles desembarcam nesta sexta (10) em Belo Horizonte para se apresentar na festa Tropicalientxs.

Francisco, El Hombre nasceu em Campinas
(SP), onde os integrantes faziam faculdade. Cansados da vida acadêmica, viajaram o bastante para compor um EP e um álbum – La Pachanga! (2015) e Soltasbruxa (2016), respectivamente –, os dois “Macondos” da banda. Os trabalhos oferecem uma boa amostra dos lugares por onde o grupo passou: mistura ritmos latinos com música brasileira, espanhol com português e letras românticas com resistência política.

O baixista Rafael Gomes define o disco como um grito de luta: “A bruxa é uma energia muito forte que precisa ser colocada pra fora. O trabalho tem muito do que a gente queria dizer”. E eles têm muito a dizer. Política, questões sociais e de gênero permeiam as canções. Até mesmo a escolha do idioma de cada música tem um significado.

“Quando a banda estava se formando, a maioria dos grupos que a gente conhecia cantava em inglês. Muita gente acredita que esse processo é natural, sem saber de onde isso vem”, explica Rafael. A presença do espanhol, além de homenagear a latinidade, é influência de dois integrantes da Francisco, os irmãos mexicanos Mateo e Sebastián.

O show desta sexta não é o primeiro em BH. Em 2016, Francisco, El Hombre foi uma das atrações do Festival Transborda. “Naquela época, a gente tinha lançado Soltasbruxa muito recentemente, então ainda estávamos sentindo as músicas”, comenta o baixista. Agora é diferente. “Na verdade, o nosso show está sempre mudando. Surge uma ideia ali, outra aqui, e a gente sempre acaba englobando. No final, queremos fazer o público dançar”.

CARNAVAL
Dançar, sim, mas sem esquecer do que importa. “A vida é um grande complexo de coisas a serem feitas. Se a gente não puder extravasar, ninguém será capaz de aguentar o pancadão”, diz Rafael, relembrando o carnaval deste ano. Em 2017, o grupo desfilou com seu bloco, o Eita, Fudeu!, procurando dosar a discussão de temas sérios em apresentações divertidas.

“Este ano, a festa foi muito de acordo com o que colocamos em nossos shows. Atualmente, seria muito difícil fazer arte e escapar da política. O show é um momento de desprendimento, e a gente não precisa tirar a mensagem para se divertir. O que tentamos levar para o público é a dança como catarse”, pondera Rafael.

As canções do grupo têm ritmos latinos, carimbó, ciranda, rock e pop. Esse gênero misturado aparece, por exemplo, na irônica Bolso nada, gravada em parceria com Liniker e os Caramelows, e na terna e poderosa Triste, louca ou má.

FESTA TROPICALIENTXS
Com Francisco, El Hombre e Unión Latina. Sexta (10), às 22h. Granfinos, Av. Brasil, 326, Santa Efigênia, (31) 3241-1482. R$ 30.

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