Projeto Música S.A. cria rede colaborativa de serviços para músicos

Com o objetivo de proporcionar autonomia e gestão profissional de carreiras, projeto oferece serviços envolvendo gravação em estúdio e divulgação

por Ana Clara Brant 24/02/2017 09:00
Edesio Ferreira/EM/DA/PRESS
Integrantes do projeto Música S.A., que é viabilizado com recursos de seus integrantes e da Lei Municipal. (foto: Edesio Ferreira/EM/DA/PRESS)

Foi inspirada no espírito da união e do coletivo que a produtora cultural mineira Cinara Gomes decidiu criar uma rede colaborativa com serviços de baixo custo para tornar o trabalho do músico sustentável a longo prazo.

Batizado de Música S.A.(Sociedade Ativa), o projeto – que começou no fim do ano passado – é uma plataforma de desenvolvimento de carreiras artísticas que pretende ajudar músicos belo-horizontinos a atuar como empreendedores de seu próprio trabalho. ''A gente sabe que vida de artista não é fácil, mas não deveria ser assim. Como atuo nessa área de produção e gestão cultural há algum tempo, decidi fazer algo para mudar esse cenário. Apesar de Belo Horizonte ter um mercado importante, mesmo os músicos mais consagrados enfrentam dificuldades. E a ideia é justamente essa: a união faz a força. Sozinho não está funcionando, então vamos nos juntar'', afirma.

O Música S.A. pretende ajudar esses profissionais a pensar como empreendedores, gestores de suas próprias carreiras. Para isso, conta com serviços de técnicos, fotógrafos, assessoria de imprensa, pessoal de estúdio e gravação de videoclipe. A primeira etapa do projeto teve início no final de 2016 e vai culminar em um evento para o lançamento do grupo, em junho de 2017. Nesse período, os músicos selecionados receberão um kit básico de divulgação, com fotos e textos para a imprensa, identidade visual e um vídeo de lançamento de uma música autoral.

ALTERNATIVAS

Depois desse módulo, o objetivo é que os próprios artistas desenvolvam soluções e criem alternativas de subsistência por meio de uma rede colaborativa, criativa e solidária. ''Queremos dar oportunidade para que essas pessoas se lancem no mercado de uma forma profissional, oferecendo a elas a estrutura mínima necessária para isso. Conseguimos reunir cerca de 50 pessoas, entre artistas e prestadores de serviços. É uma espécie de projeto-piloto, e todos acreditam na força do coletivo. Por que um engenheiro ou um advogado podem viver do seu trabalho e um músico não pode? Temos que mudar o nosso pensamento. É um empreendimento que visa  à criação de oportunidade e a geração de renda'', diz Cinara.

Ela explica que, inicialmente, foram abertas oito vagas para músicos, sendo que a última ainda está em processo de avaliação. Os artistas já selecionados pertencem a variados estilos. São eles: Andrezza Duarte, Trivial Trio, Grupo Ofó, Grupo JazzMim, Orquestra Tons de Minas, Rafael Soares e Sofia Cupertino. ''Minha ideia é contemplar também um deficiente visual que seja artista. Estamos em busca ainda'', conta. Uma parte dos recursos do Música S.A. será financiada pelo edital Descentra, com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, e outra vem dos próprios beneficiários, com uma contribuição de R$ 687,50 por grupo – valor que poderá ser parcelado ao longo do desenvolvimento do trabalho.

Este recurso será usado, entre outras coisas, para a divulgação da própria rede, para a manutenção das redes sociais do projeto e para o pagamento de mais um prestador de serviço, que cuidará da captação do áudio dos vídeos.

A cantora Andrezza Duarte, de 24 anos, foi uma das que embarcaram de cabeça na empreitada. De família musical, ela não pensou duas vezes na proposta de Cinara Gomes. A artista conta que a proposta veio ao encontro de suas ideias em relação ao fazer artístico. ''Acho que o caminho é esse. Ainda mais no meu caso, que venho de uma trajetória familiar (na música) e vi que não estava dando tão certo como queria. A gente tem que buscar novas formas de se encontrar e trabalhar enquanto artista'', afirma.

Andrezza diz já sentir reflexos do trabalho em sua carreira e, sobretudo, em sua postura profissional. ''Esta questão da orientação da equipe e da produção, de como se posicionar. É sempre bom se movimentar, buscar novidades para a gente melhorar e se aperfeiçoar'', diz a vocalista do bloco Afoxé Bandarerê.

Rafael Soares, de 33, é outro cantor e compositor adepto do samba que ingressou na vida artística pela capoeira e agora aderiu ao Música S.A. ''É a grande chance da minha carreira e não vou desperdiçá-la. Ainda estou assimilando as coisas mágicas e bacanas que estão acontecendo. A situação não está fácil para nenhum setor, imagina para as artes. Só vai depender da gente. Quem estiver nessa mesma sintonia, entrar de cabeça e quiser crescer junto, certamente vai se beneficiar'', avalia.

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