Dupla Dokttor Bhu e Shabê faz show com entrada franca para gravar DVD

Pioneiros do rap de Belo Horizonte comemoram 10 anos de carreira e gravam o DVD Conglomano, no CCBB, ao lado de convidados especiais

por Redação EM Cultura 10/02/2017 11:40


Marco Aurélio Prates / Divulgação
(foto: Marco Aurélio Prates / Divulgação )
Sábado (11/2), a dupla belo-horizontina Dokttor Bhu e Shabê sobe ao palco do CCBB para fazer o show Conglomano. A apresentação, que integra a agenda do Verão Arte Contemporânea (VAC), tem motivo especial: comemorar os 10 anos de carreira dos rappers. Os dois vão aproveitar a oportunidade e gravar o primeiro DVD. O público pode esperar uma espécie de combinação entre o Quarteirão do Soul e a Batalha de MCs, eventos que movimentam a cena cultural e as ruas de BH.

 

A música de Dokttor Bhu e Shabê é marcada por rimas rápidas, já conhecidas de quem frequenta o evento de hip-hop realizado sob o Viaduto Santa Tereza, no Centro. O trabalho dos dois traz a influência do funk e do soul dos anos 1970, com instrumentos de sopro, guitarras e toques de psicodelia. “Essa música pede que a gente dance”, avisa – e convida – Dokttor Bhu.

 

O show leva o nome do álbum de estreia da dupla, lançado em 2013. O repertório será tocado na íntegra. O neologismo, criado por Shabê, une as palavras "conglomerado" e "mano", lembrando as parcerias dos dois com Tom Nascimento, Radical Tee e Roger Deff (da banda Julgamento), entre outros. Shabê conta que muitos artistas e linguagens o influenciaram. “Mesmo sendo pobre e da periferia, procurei referências até para escapar das dificuldades”, explica o morador do Bairro Guarani, na Região de Venda Nova. Ele começou a compor raps a partir da literatura. H. G. Wells (autor da Guerra dos mundos), Dorian Gray (criação do escritor Oscar Wilde) e também o protagonista de Django livre, longa-metragem dirigido por Quentin Tarantino, são algumas dessas referências.

 

ELIS Dokttor Bhu usa diversos samples nas produções da dupla. Ainda somos os mesmos, por exemplo, começa com o famoso verso da canção Como nossos pais na voz da própria Elis Regina – a sonoridade remete aos discos de vinil. Admirador da versatilidade de Elis, Dokttor brinca: “A única coisa que ela não cantou foi rap”. No show, quem dá voz aos versos de Belchior é Michelle Oliveira, da banda Cromossomo Africano. Em Contraplano, composta para o curta-metragem homônimo dirigido por Leonardo Good God (exibido na Short film corner, mostra paralela do Festival de Cannes em 2016), Dokttor recupera falas do poeta e jornalista Ivan Junqueira gravadas no show O banquete dos mendigos.

 

Organizado por Jards Macalé, esse evento foi realizado em 1973, durante a ditadura militar, com participação de Milton Nascimento e Chico Buarque. Junqueira lê o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e avisa: “O futuro deste documento pertence a vocês, jovens”. O rap de Dokktor Bhu e Shabê é uma crítica aos políticos brasileiros. “Corrupção, hipocrisia/ No Congresso, no Planalto/ Sangria na democracia/ Ruim pra favela e pro asfalto”, diz o refrão.

 

DOKKTOR BHU E SHABÊ

CCBB. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, (31) 3431-9400. Sábado (11/2), às 17h. Gravação do DVD Conglomano. Entrada franca. Retirada de ingressos a partir das 15h.

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