Considerado o primeiro samba, 'Pelo telefone' completa 100 anos

Para celebrar, música ganhou um álbum inteiro de releituras em beats

por Rebeca Oliveira Correio Braziliense 20/01/2017 12:00

Registrado no final de 1916 e lançado em fevereiro do ano seguinte, o samba Pelo telefone foi o primeiro gravado na história. Desde o ano passado, a faixa registrada por Ernesto dos Santos, o Donga, e concebida em roda no quintal da baiana Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, tem ganhado o devido reconhecido.

Oficialmente, é nesta sexta-feira (20/1) a data em que Pelo telefone faz 100 anos de lançamento, justamente para que fosse ouvida durante os festejos de carnaval do período.

 

Com o mesmo intento, o produtor Luciano Kalatalo, de São Paulo, disponibiliza hoje a coletânea Desde que o samba era samba nas mídias digitais. Ele convidou 10 produtores de música eletrônica para recriarem a icônica canção. A ideia, segundo ele, é repetir o movimento que aconteceu há 100 anos, quando a música rompeu tradições e democratizou a cena festiva.

 

“O carnaval era uma festa de celebração com muita influência de música estrangeira, e Pelo telefone foi uma das primeiras de periferia que massificou na sociedade brasileira”, relembra o produtor, que escolheu nomes de zonas periféricas de todo o país no processo de seleção. A faixa base usada pelos 10 produtores, com idade entre 17 e 32 anos, foi gravada por Giana Viscardi (voz), João Parahyba (do Trio Mocotó, nas percussões) e Janja Gomes (violão). A direção é de Arthur Joly.

 

“Não foi criada uma música, mas elementos como voz, percussão e violão, e cada faixa é uma construção inédita desses instrumentos. Eles as produziram apenas com softwares de computador”, conta, reiterando que o fato de a construção ser digital não diminui o esforço necessário para desenvolver as versões.

 

“Os autores do samba são Donga e Tia Ciata, que era mãe-de-santo, e Mauro de Almeida, jornalista que frequentava as rodas boêmias no Rio. Quando você olha as matérias da época, vê que o último, um músico popular, não era considerado importante, mas quando se pega matérias internacionais da época, referem-se a ele como um músico, não um músico popular, mas de qualquer jeito e de qualquer lugar, como o Villa-Lobos. Da mesma forma, há certo preconceito com produtores de música eletrônica. Eles são artistas como qualquer outro”, argumenta.

 

SERVIÇO

Desde que o samba era samba – Pelo telefone revisitado

Gravadora Japuaçu, Selo Solta. 10 faixas, disponível para audição gratuita nas plataformas digitais. 

 

Ouça!...

 

... e compare com a original, de 1906:

 

 

 



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