Admirada por estrelas do jazz, Rosa Passos foca na carreira internacional

Disco com canções inéditas da artista deve sair ainda este ano

por Irlam Rocha Lima 12/01/2017 07:31
Arquivo Pessoal/Divulgação
Rosa Passos se apresenta no Lincoln Center, acompanhada do pianista Kenny Barron e do multi-instrumentista e compositor Paulo Paulelli (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Impressiona o prestígio que Rosa Passos possui entre os jazzistas dos Estados Unidos. A cantora, compositora e violonista baiana-brasiliense já fez incontáveis apresentações em Nova York, New Jersey, Boston e outras cidades norte-americanas; tem discos gravados com nomes consagrados, como o contrabaixista Ron Carter e o saxofonista e clarinetista Paquito D’Rivera; e muitos admiradores, entre os quais ninguém menos que o exigente pistonista Wynton Marsalis.

Rosa foi a única artista brasileira que, a convite de Marsalis, participou da programação comemorativa do centenário do jazz, desenvolvida na temporada de 2016, no Lincoln Center. As apresentações naquela renomada instituição novaiorquina, nos dias 9 e 10 de dezembro últimos, foram prestigiadas por plateia de apreciadores da música popular brasileira — inclusive Ron Carter.

Desde que retornou a Brasília, a cantora tem se dedicado ao seu novo projeto, um disco de composições autorais, que pretende gravar até o final do primeiro semestre deste ano. O CD mais recente da diva brasiliense por ela é o Ao Vivo, que traz o registro de um show no Teatro Uama, em Carmelo, no Uruguai, lançado em maio do ano passado, pela Biscoito Fino.

“Como os fãs vinham cobrando um álbum com canções de minha autoria, decidi atendê-los. O repertório está praticamente definido. Já tenho 11 músicas prontas, todas feitas em parceria. Obviamente, não faltarão as que compus com Fernando de Oliveira, parceiro desde o começo da minha carreira. Alma de bolero e Tarde demais são as nossas criações para esse trabalho”, anuncia. “Jorge Helder divide comigo Inocence blues; e há, ainda, Edredon de seda, minha e de Arnoldo Medeiros; e Aquário, um samba-canção que tem letra de Salgado Maranhão”, acrescenta.

Na Suíça


Em maio, Rosa volta à Europa para shows na Suíça; e há possibilidade de ela se apresentar também na Espanha e na Itália. “Meu manager, Marco de Almeida, é quem está acertando detalhes desse novos compromissos. Há ainda a possibilidade de nova turnê pelos Estados Unidos, no verão americano”, adianta.

Lá, a cantora tem ido com alguma frequência. Entre 6 e 8 de junho de 2016, ela foi destaque no lendário Blue Note, o mais famoso clube de jazz de Nova York, onde subiu ao palco em três noites. Depois, seguiu rumo a Boston, para uma oficina de canto na Berklee College of Music. “Em Boston recebo sempre ótima acolhida. Fui outorgada com o título de cidadã da cidade, conferido pela prefeitura; e possuo a comenda de doutor honoris causa em música, concedida pela Berklee, em 2008.” No ano passado, o homenageado foi Milton Nascimento.

Sobre a participação na celebração dos 100 anos do jazz, Rosa conta que, nos dois shows no Lincoln Center, teve a companhia do consagrado pianista Kenny Barron, indicado para o Grammy americano, por seu novo disco, na categoria instrumentista. “Paulo Paulelli, baixista da minha banda, foi comigo. No repertório que interpretamos, prevaleceram músicas de Tom Jobim, como Dindi, Fotografia, Por causa de você e Só danço samba. Paquito D’Rivera deu canja em Corcovado. Fizemos também Disse alguém, versão de Haroldo Barbosa para All of me (John Legend), Verão e Outubro, que compus com Fernando de Oliveira”.

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