Nó em Pingo d'Água lança o o disco 'Sambantologia'

Com arranjos próprios, grupo carioca passeia por clássicos das diferentes linguagens do gênero

por Ana Clara Brant 20/12/2016 08:00

Biscoito Fino/Divulgação
O quarteto Nó em Pindgo d´Água lança sambatologia pela Biscoito Fino: de Donga a Tom Jobim (foto: Biscoito Fino/Divulgação)

Sambantologia, neologismo criado pelo grupo carioca Nó em Pingo d’Água, é um nome apropriado para batizar o mais novo disco do quarteto formado por Celsinho Silva (percussão), Mário Sève (sopros), Rodrigo Lessa (bandolim e violão de aço) e Rogério Souza (violão). O samba (ritmo mais do que apreciado pelos instrumentistas e que domina o repertório do álbum); o banto (a influência africana na nossa música) e a antologia (recorte ou seleção a partir de um determinado critério) são os pilares do projeto.


Por uma feliz coincidência, o CD – lançado pela Biscoito Fino – não deixa de ser uma celebração do centenário do samba. E, por sinal, uma belíssima maneira de comemorar um século deste que é considerado o ritmo mais genuinamente brasileiro. A faixa de abertura, Pelo telefone (Donga e Mauro de Almeida), é a primeira  composição do gênero gravada. “Este disco estava sendo planejado há algum tempo. A gente não estava pensando nessa questão dos 100 anos de Pelo telefone. Mas coincidiu que ele ficou pronto justamente por agora. Foi uma sorte e caiu como uma luva”, comenta o bandolinista Rodrigo Lessa.

Inicialmente, a ideia era selecionar uma música de cada subgênero do samba. “São 14 no total pelo que pesquisamos. Mas acabamos ficando em nove. Tem samba de roda, samba-choro, samba da Bahia, samba-canção, samba padrão Estácio de Sá”, revela.


CLÁSSICOS
Além de Pelo telefone, sucesso do carnaval de 1917, Sambantologia traz Se você jurar (Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves), samba batucado ou samba do Estácio, que representa a grande mudança na forma de se tocar o ritmo, razão atribuída à adequação ao desfile das escolas de samba; Samba da minha terra (Dorival Caymmi), o samba da Bahia que conquistou o Rio; Último desejo (Noel Rosa), samba-canção que se tornou um dos mais famosos de todos os tempos; o clássico Conversa de botequim, parceria de Noel e Vadico, que tem fraseado com sabor de choro e que retrata na letra a alma do carioca; Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro), samba-canção moderno, pré-bossa nova; Samba de uma nota só (Tom Jobim e Newton Mendonça), uma bossa nova que é considerado um dos manifestos estéticos do novo estilo; Nanã (Moacyr Santos e Mário Telles), samba-jazz que nesta gravação ainda flerta com ritmos cubanos e, por último, O morro não tem vez (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), samba de caráter social (na sua letra) e com andamento acelerado.

“Escolhemos composições que têm letras e melodias fortes. Em música, a gente pode repetir, variar ou contrastar. Procurei nos arranjos trabalhar com essa coisa do contraste, de recriar uma melodia e também a densidade. para que as pessoas pudessem identificar do que se tratava, mas que tivesse uma nova roupagem e a essência do Nó”, enfatiza Lessa, que assina sozinho todos os arranjos, com exceção de Se você jurar, que criou com Eduardo Neves. O disco conta com a participação do baixista Rômulo Duarte.

 

SAMBANTOLOGIA

Nó em Pingo d’Água
Biscoito Fino
R$ 29, 90
* O disco também está disponível nas principais plataformas digitais

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