Lô Borges mexe com memória afetiva dos fãs em Santa Tereza

Apresentação no Bar Museu Clube da Esquina reviveu sucessos do cantor mineiro

por Cecília Emiliana 03/12/2016 14:52


Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Ao lado do irmão Tello, Lô Borges empolgou os fãs em Santa Tereza (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Lô Borges é desses artistas que, em caso afonia permanente, não precisaria fechar a agenda para shows. Bastaria compartilhar o set list com o público e se concentrar nos dedilhados da guitarra. Afiadíssimos com o repertório, os fãs assumiriam com gosto a parte vocal do espetáculo. No fim, é provável ainda que pedissem bis da simples presença do músico – que é, afinal, a materialização de lindas páginas vividas ou sonhadas da juventude de tantos.


Foi exatamente assim que plateia se comportou durante apresentação do cantor na noite de quinta-feira, no Bar Museu Clube da Esquina. A voz de Lô, felizmente, ecoava não só na memória afetiva das pessoas, como pelas redondezas do estabelecimento – na Rua Paraisópolis, Bairro Santa Tereza, a um quarteirão da casa onde ele nasceu.

Ao lado do irmão Telo Borges – outro sócio-fundador do Clube da Esquina – Lô embalou cerca de 150 pagantes no ritmo reconfortante da nostalgia. Certeiro, abriu os trabalhos com Quem sabe isso quer dizer amor, letra do irmão Márcio, que ficou famosa na voz de Milton Nascimento. Manteve a empolgação da plateia com a célebre Clube da Esquina 2, outro sucesso de Bituca. Na sexta canção do enxuto set list de 17 faixas – Sonho real, de Ronaldo Bastos – desistiu de anunciar o que ia cantar. O que era mesmo desnecessário, visto que os presentes adivinhavam já nas primeiras notas da introdução.

Com a violinista Patrícia Maês, sua mulher, veio o toque de surpresa. Ao lado dela, Lô performou, só com instrumentos, três composições imortais: Clube da Esquina nº1, Nenhum mistério e Um girassol da cor do seu cabelo. As letras não só foram cantadas, como dançadas pelos fãs, à essa altura, bêbados de álcool e lembranças de seus bons tempos. Para Lenon e McCartney, primeira canção que mostrou a Milton, encerrou o “baile da saudade”, curtido por pelo menos três gerações.

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