Caixa com três discos recupera clássicos do cantor e compositor cearense Belchior

por Estado de Minas 09/10/2016 10:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

Arquivo EM/D.A Press - 1989
Longe dos holofotes e dos fãs, Belchior mantém o legado cult (foto: Arquivo EM/D.A Press - 1989)
Enquanto permanece em destino desconhecido, distante dos palcos, dos amigos e da família, Belchior tem três discos relançados em caixa pela Universal Music, um projeto com curadoria, textos e pesquisa do jornalista Renato Vieira.

Três tons de Belchior traz os CDs Alucinação, de 1976, considerado sua criação mais importante e um dos mais relevantes discos da música brasileira; Melodrama, de 1987; e Elogio da loucura, de 1988. Vieira foi aos arquivos e entrevistou personagens para textos do encarte, traçando entendimentos fora de lugares comuns.

“Tenho a impressão de que Belchior sabia que Alucinação seria sua última chance de dar certo”, diz o jornalista. “Ele tinha vencido o Festival da Tupi, em 1971, com Na hora do almoço e gravou um compacto pela Chantecler, em 1974, que não aconteceu”, explica. Foi então que Elis Regina gravou Como nossos pais e Velha roupa colorida e tudo começou a mudar. As músicas foram parar no disco Alucinação ao lado de Apenas um rapaz latino-americano, A palo seco e Antes do fim.

O disco significava não só a grande aposta de Belchior, que sabia que aquele bonde não passaria duas vezes, como uma questão de honra para o produtor Marco Mazzola, que remou contra a maré para emplacar o cearense. “Ninguém entendeu muito aquele som”, diz Vieira. Mazzola sugeriu o incomum contrato de apenas um disco. Era acertar ou desistir. Belchior acertou, protegido por um dos melhores agrupamentos que havia nos estúdios da época – os arranjos eram de José Roberto Bertrami, do grupo Azymuth.

“Ele fez esses discos como se pintasse quadros. Tudo tinha um conceito”, explica Vieira. O pulo histórico de 1976 para 1987/1988, anos dos dois álbuns seguintes, lançados pela PolyGram, mostra que o homem muda na forma, não o conteúdo.

Melodrama e Elogio da loucura vão de encontro à “estética FM”, dos teclados e ecos de estúdio. Assim definiu o próprio Belchior, em declaração ao Jornal do Brasil, recuperada pelo curador: “O trabalho atual (Melodroma) tem relação estreita com Alucinação. É a continuidade, a retomada de uma emoção temática. Na década passada, a gente tendia mais para o êxtase, agora inclina-se mais para o horror”.

Dandy, de Melodrama, reforça essa ideia: “Mamãe, quando eu crescer/ eu quero ser rebelde/ se conseguir licença /do meu broto e do patrão /Um Gandhi dandy, um grande/ milionário socialista/ de carrão chego mais rápido à revolução”. (Estadão Conteúdo)

TRÊS TONS DE BELCHIOR

 Universal Music
 Preço médio: R$ 50

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA