BH Music Station vai invadir o metrô com música, pista de dança e até cartomantes

Dona Onete e Nação Zumbi são atrações do primeiro fim de semana do evento realizado no metrô de Belo Horizonte

por Carolina Braga 26/08/2016 08:00

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Tom Cabral/divulgação
Nação Zumbi é uma das atrações deste sábado (27) (foto: Tom Cabral/divulgação)
O BH Music Station vai mudar de direção. A oitava edição do projeto, que promove shows nas estações do metrô de Belo Horizonte, agora partirá rumo ao Eldorado – e não ao Vilarinho, como ocorria anteriormente. O desembarque será na oficina de trens urbanos. Sim, a oficina. O local vai se transformar em pista de dança, com música de vários estilos.

O carimbó chamegado de Dona Onete será uma das atrações da madrugada de domingo, além dos hits que embalavam bailes funk nas décadas de 1980 e 1990 em versões instrumentais da Brassil Melody Band. A pernambucana Nação Zumbi encerra a primeira etapa do projeto.

Na semana que vem, a grande atração será o reencontro da banda Legião Urbana, que se apresenta pela segunda vez em BH. O rock emblemático de Renato Russo estará cercado pela música eletrônica, pois o BH Music Station fez as pazes com o estilo. Para isso, convocou os mineiros Ian Kamil e Gabriel Ribeiro, do Woo2tech, e o duo Dashdot, formado por André Guarda e Felipe Flora.

A mudança de rota se deve às transformações da metrópole. “A cada edição, temos de fazer nova vistoria, entender quais foram as mudanças. A cidade mudou muito com o Move. As estações passaram a ter outro fluxo”, explica Márcia Ribeiro, da produtora Nó de Rosa, responsável pelo projeto.

O galpão usado para a manutenção do metrô oferece um universo diferente, observa Márcia. No pátio, com capacidade para 4 mil pessoas, ficarão os dois palcos, com apresentações simultâneas. O público não terá mais que escolher em qual estação descer. Isso ocorria antigamente, pois os shows se espalhavam por várias delas.

Haverá novidades nas atrações itinerantes. As pessoas serão transportadas por veículos mais novos da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), informa a produtora. “Haverá mais conforto. Estamos transformando os vagões quase em uma balada”, adianta Márcia. Cartomantes, videntes, ciganas e mágicos estarão por lá. “Se o pessoal da área econômica não está conseguindo prever nada, vamos apostar no místico. Vamos ver o que eles nos contam a partir do lúdico e do inusitado”, brinca Márcia Ribeiro.

A curadoria se preocupou em escalar atrações que estimulem o público a descobrir novidades.  “Insistimos em colocar aquilo a que, a princípio, as pessoas não dão importância. No final, é justamente o que mais encanta”, diz a produtora. Já participaram do Music Station artistas como Arnaldo Antunes, Orquestra Imperial, Lenine, Otto, Alceu Valença, Mutantes, Moraes Moreira, Davi Moraes, Felipe Cordeiro, Pedro Luís e A Parede, Cassia Eller, Bixiga 70, Jesuton, Cachorro Grande, Constantina, Os Paralamas do Sucesso, Marcelo Camelo, Lobão, Roberta Sá e Funk Como Le Gusta, entre outros.

 

Lais Teixeira/Divulgação
Dona Onete é fã da plateia de BH (foto: Lais Teixeira/Divulgação)
RAINHA DO CHAMEGO

 

“Vou a BH mostrar a alegria do nosso carimbó e falar do grande amor que tenho pelo público que me recebeu com tanto carinho no início de minha carreira”, diz Dona Onete. Nome de destaque da música paraense, a cantora e compositora, de 77 anos, nunca se cansa de agradecer à multidão de mineiros que a recepcionou, em 2012, em seu show de estreia na capital.

Com suas letras divertidas, ela tem agenda mais internacional do que nunca. Depois de BH, embarca para a turnê em quatro cidades dos Estados Unidos. Dublê de professora de história aposentada e cantora espevitada, a paraense vai se apresentar no Elebash Hall, na famosa 5ª Avenida, em Nova York. Está toda animada.

Dona Onete acredita que sua música atravessa fronteiras por expressar com humor a diversidade cultural brasileira. Onde quer que vá, leva algo especialmente pensado para a plateia. A maior aposta para o show em BH é o paralelo entre o ora-pro-nóbis mineiro e o jambu paraense. Essa erva típica do Norte do Brasil é a estrela do hit Jamburana. “Se você quiser saber o que a jamburana faz/ O tremor do jambu é gostoso demais”, canta ela.



“Sou polêmica. Sempre fui e o meu Brasil está me aceitando”, afirma Dona Onete. Em junho, ela lançou Banzeiro, o segundo disco de sua carreira. Entre os temas do novo álbum está o apoio à causa LGBT. “Para, escuta, continuamos na luta/ A chapa esquentou/ O meu sangue ferveu, vivia em um mundo triste que não era o meu / Saí do casulo, borboleta virei/ Na linha do arco-íris sobrevoei / No mundo colorido, purpurinado, aterrissei muito feliz e fiquei / Aceita, aceita, aceita / Quem é inteligente não rejeita”, diz a letra de Na linha do arco-íris.

A paraense vai misturar o repertório de seus dois discos, tudo temperado com a alegria que lhe é peculiar, “aquele meu jeito carismático de conversar com as pessoas”. Entre uma canção e outra, ela brinca, conta casos – alguns, aliás, picantes como suas letras. Tudo isso sem se levantar da cadeira que fica no meio do palco. Por sua vez, a plateia não sossega nem um instante. “É um ritmo muito animado. Lembra o frevo, a Bahia, aquele som de negro, a força dos orixás”, define ela.

Dona Onete começou a carreira artística depois de se aposentar como professora do ensino fundamental. Canta profissionalmente desde os anos 2000 e lançou o primeiro disco em 2012. Caiu nas graças dos jovens – aliás, juventude é algo que ela nunca perdeu.

“Meus músicos falam comigo: ‘Não invente, Dona Onete, pelo amor de Deus’”, conta ela, referindo-se ao seu gosto pelo improviso. Sempre no comando da festa, se a vontade bater a paraense arretada se levanta para se sacudir com a plateia.

BH music station

24 atrações musicais

90 artistas

80 viagens do metrô por noite

Programação

27 DE SETEMBRO
»  Palco 1
23h45 – Abertura dos portões
1h – Dona Onete
2h30 – Nação Zumbi

»  Palco 2
0h15 – Brassil Melody Band
2h – DJs Jaka, Kin e Deivid

3 DE SETEMBRO
»  Palco 1
23h45 – Abertura dos portões
1h – Legião Urbana
2h50 – Orquestra Noche Cubana

»  Palco 2
0015 – Woo2tech
2h – Dashdot

Entrada obrigatória pela Estação Central do Metrô (Praça da Estação, Centro). Informações: (31) 2364-2423. Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada).

OPERÁRIA-PADRÃO

Uma locomotiva canadense da década de 1950 fará parte do cenário do BH Music Station. O modelo RS-3 tem história, pois ajudou a construir o metrô mineiro. Carregou brita, arrastou barras de trilho, transportou escadas rolantes e apoiou a instalação da rede aérea. Hoje, “bate ponto” nos trabalhos de manutenção da via.

 

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